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(20 mar) Fumaça encobre uma área rebelde a leste de Damasco após um suposto ataque aéreo

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Os combates prosseguiam nesta terça-feira na zona leste de Damasco, após um novo ataque rebelde contra as forças do regime, dois dias antes de uma nova rodada de negociações em Genebra sobre o conflito na Síria.

Facções rebeldes e a Frente Fateh al-Sham, ex-braço sírio da Al-Qaeda, iniciaram um ataque durante a madrugada a partir do bairro de Qabun (nordeste da capital).

Os combates se concentram em uma área a 10 km do centro de Damasco.

A força aérea do regime bombardeava as posições rebeldes, enquanto foguetes atingiam os bairros dos Abássidas e de Tijara, próximos a Jobar, todos na zona leste da capital síria.

Damasco, principal reduto do regime do presidente Bashar al-Assad, permanece relativamente à margem da devastação provocada pela guerra na Síria, iniciada em março de 2011 e que deixou mais 320.000 mortos, além de milhões de deslocados.

No domingo, jihadistas e rebeldes executaram um primeiro ataque e atingiram o ponto mais próximo ao centro da cidade em dois anos. Mas a ofensiva foi rejeitada pelas tropas do regime com intensos bombardeios aéreos.

"Estávamos aliviados (na segunda-feira), quando as ruas foram liberadas, mas hoje voltamos a ficar presos", disse à AFP Ola, 22 anos, que vive no bairro dos Abássidas.

"Fico trancada no meu quarto", explicou.

Em Damasco os rebeldes e jihadistas estão presentes em cinco bairros. Ao nordeste controlam a maior parte de Qabun e Techrin. No leste controlam metade de Jobar ( a outra metade está nas mãos do regime).

Ao norte estão presentes nos bairros de Barze e Tadamons, mas estes setores integram uma trégua acordada com o regime.

- "Janelas tremiam" -

Um correspondente da AFP ouviu uma forte explosão às 5H30 (0H00 de Brasília) e a partir deste momento os bombardeios não deram trégua.

"As portas e as janelas tremiam a cada bombardeio", disse à AFP um homem identificado apenas como Lamis, de 28 anos, que mora a poucos quilômetros do cenário dos confrontos.

"Tenho medo de que os homens armados (rebeldes) avancem mais. Espero que termine rapidamente", afirmou.

"O exército enfrenta tentativas de infiltração de grupos terroristas, mas conseguiu cercá-los", anunciou a agência estatal de notícias SANA.

"Aconteceu uma grande explosão ao amanhecer, provavelmente provocada por um carro-bomba dos rebeldes contra uma posição do regime entre os bairros de Jobar e Qabun", disse à AFP Rami Abdel Rahman, diretor da ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Ele também citou bombardeios e combates violentos na área industrial entre Jobar e Qabun.

Em um vídeo, o movimento islamita Ahrar al-Sham afirma que assumiu o controle de uma fábrica têxtil e exibe imagens de seus combatentes pisando em fotografias de Assad. Os insurgentes também quebram os vidros sobre as fotos do pai do atual governante, o ex-presidente Hafez al-Assad.

Assim como o movimento Fateh al-Sham, o grupo Faylaq al-Rahman, que também participa no ataque rebelde, afirma ter retomado várias posições do exército.

Os combates de domingo e segunda-feira deixaram 72 mortos (38 soldados e 34 insurgentes), de acordo com o OSDH.

Os confrontos acontecem dois dias antes do início de uma nova rodada de negociações sobre a Síria em Genebra, com mediação da ONU.

O enviado especial para a Síria, Staffan de Mistura, "destaca que todos os convidados que compareceram à rodada anterior em fevereiro confirmaram participação", disse a porta-voz da ONU, Alessandra Vellucci.

Quatro rodadas de negociações já foram organizadas em Genebra com a mediação da ONU desde o início de 2016.

Todos os esforços diplomáticos, organizados pela ONU ou por vários países, para solucionar o conflito sírio fracassaram até o momento.

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