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(Arquivo) O presidente americano, Barack Obama

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Três policiais morreram e outros três ficaram feridos neste domingo em um tiroteio na cidade americana de Baton Rouge, Louisiana, onde a morte de um jovem negro pela polícia no começo do mês gerou uma onda de indignação e protestos.

O atirador que agiu contra os policiais foi morto, e não há outros suspeitos, informaram oficiais.

"Acreditamos que a pessoa que atirou e matou nossos oficiais é a mesma que foi morta no local do crime", indiou o superintendente da polícia da Louisiana, coronel Mike Edmonson. "Não acreditamos na presença de outro atirador na área de Baton Rouge."

O suspeito do crime foi identificado neste domingo por vários meios de comunicação americanos como Gavin Long, de 29 anos, originário de Kansas City, no Missouri.

O homem é negro, de acordo com a emissora de TV CBS.

Assim como o assassino de cinco policiais em Dallas em 7 de julho, Long era um veterano militar.

Ele ficou na Infantaria da Marinha durante cinco anos e foi enviado ao Iraque entre 2008 e 2009. Long foi condecorador várias vezes por seu desempenho.

"Neste momento, não sabemos quais foram as motivações do assassino", disse o presidente americano, Barack Obama, em breve discurso televisionado.

"Não sabemos se o assassino tinha como alvo os policiais ou se os matou enquanto eles respondiam a um chamado de emergência", acrescentou o presidente.

Embora as circunstâncias do crime sejam desconhecidas, aparentemente, as forças de ordem intervieram após uma primeira troca de tiros.

"Parece que eles responderam a um tiroteio", indicou Casey Rayborn Hicks, porta-voz do xerife local, à rede WAFB9.

Vários agentes - da polícia de Baton Rouge e ligados ao xerife - ficaram feridos e foram levados para hospitais da região.

A morte dos policiais "é um ato de covardes", afirmou o presidente Obama, assinalando que "nada justifica a violência contra a polícia".

O presidente lembrou a morte de cinco agentes de Dallas, Texas, no último dia 7.

"Pela segunda vez em duas semanas, agentes da polícia, que colocam suas vidas em risco diariamente para proteger as nossas, foram assassinados de forma covarde enquanto trabalhavam", citou, em um comunicado divulgado pela Casa Branca.

"Estes ataques contra funcionários, contra o Estado de direito e uma sociedade civilizada, têm que cessar", assinalou.

Obama ofereceu recursos do Estado às autoridades de Louisiana, cuja capital é Baton Rouge, e prometeu que "a justiça será feita".

O presidente fará um pronunciamento à nação sobre o tiroteio às 16h30 locais (20h30 GMT).

O drama acontece em um contexto de tensão racial na capital da Louisiana, palco de manifestações de protesto contra a violência policial nas últimas semanas.

Os protestos aconteceram depois da morte por um policial, no começo do mês, de Alton Sterling, um ambulante negro.

O prefeito de Baton Rouge, Kip Holden, pediu calma no canal de TV local WAFB9, temendo um novo aumento da tensão naquela cidade: "Não deixemos que ninguém separe esta comunidade com atos absurdos de violência."

Um vídeo exibido pelo canal mostra os policiais chegando ao local do tiroteio. No começo, é ouvida uma sucessão de tiros espaçados; em seguida, um breve e intenso tiroteio.

- Assassinar policiais -

Um vídeo amador que mostra os últimos instantes de vida de Alton Sterling nas mãos da polícia, no começo de julho, amplamente divulgado na internet, provocou uma onda de indignação que se multiplicou no dia seguinte, quando outro negro, Philando Castile, foi morto pela polícia, desta vez em Minnesota.

Durante a realização de várias manifestações no país para denunciar a violência policial, um homem negro assassinou cinco policiais em Dallas, no último dia 7, antes de ser morto pelas forças de ordem.

Micah Johnson, um ex-combatente americano, afirmou que queria matar policiais brancos em represália pela morte de dois negros pelas forças de ordem naquela semana.

Na semana passada, a polícia de Baton Rouge informou ter prendido três pessoas que planejavam ataques para assassinar policiais.

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