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O presidente americano, Barack Obama, discursa durante campanha para Hillary Clinton, na Filadélfia, no dia 13 de setembro de 2016

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Enquanto continua o alvoroço em torno da pneumonia de Hillary Clinton, que deve ficar em repouso por prescrição médica, o presidente Barack Obama esteve fazendo campanha por ela nesta terça-feira (13), na Pensilvânia, e seu marido, Bill Clinton, irá substituí-la imediatamente depois, na Califórnia.

A equipe da candidata democrata detalhou nesta terça que Hillary "se sentia melhor" e anunciou que é esperada em Washington para uma reunião com mulheres negras.

Há sete semanas, o presidente Obama, em seu nível mais alto de popularidade segundo as pesquisas, não fazia campanha para sua ex-secretária de Estado.

Em um ato público, sob forte sol, o presidente americano mostrou sua notável capacidade de orador e disse que Hillary havia sido submetida a uma vigilância constante, por todo o país, de sua vida.

De acordo com Obama, sua secretária de Estado "é submetida a muito mais controle e a críticas mais injustas do que qualquer um" - frase que o fez ser ovacionado.

O presidente também alfinetou a imprensa americana, alegando que os veículos de comunicação acabaram legitimando um candidato como Donald Trump, liberado para dizer frases que outros não poderiam.

Trump "diz coisas todos os dias que costumavam ser consideradas desqualificantes para um presidente. E, mesmo assim, porque ele fala isso de novo, de novo e de novo, a imprensa simplesmente desiste", expressou.

Território fundamental

A Pensilvânia, estado onde o eleitorado conservador é tradicionalmente muito forte, constitui-se como um reduto-chave para as esperanças de Hillary de chegar à Casa Branca.

No outro extremo do país, em Los Angeles, Bill Clinton tem a responsabilidade de substituir sua mulher em atos de arrecadação de fundos, dos quais a candidata deveria participar nesta terça. Ele também vai substituí-la amanhã (14), em Las Vegas, Nevada.

Hillary retoma sua campanha nesta quinta, após quatro dias de repouso.

"Ela passou o dia (terça-feira) lendo documentos e recebendo ligações, e viu pela TV o discurso do presidente (Barack) Obama na Filadélfia", relatou Nick Merrill, acrescentando que "retomaremos as viagens de campanha na quinta".

O ex-presidente foi até lá para diminuir - inutilmente - o alvoroço provocado pelo estado de saúde de sua esposa, cujo mal-estar foi atribuído a uma desidratação.

"Frequentemente; não, não frequentemente, raramente, em mais de uma ocasião desde os últimos, inúmeros, inúmeros anos, aconteceu o mesmo, ela se desidratou seriamente. Era como 'burro de carga' no Departamento de Estado, como senadora e desde então", declarou na segunda-feira (12) à emissora CBS.

Hillary Clinton busca se recuperar da que muitos consideram ser a pior semana de sua campanha eleitoral - que já dura 15 meses.

Na semana passada, enfrentou uma chuva de críticas, ao afirmar em um ato público que metade dos eleitores de Trump eram "deploráveis", levando sua equipe de campanha a fazer malabarismos para justificar a frase.

No domingo (11), Hillary saiu mais cedo de uma cerimônia em Nova York e um grupo médico revelou que dois dias antes ela havia sido diagnosticada com pneumonia, doença que a candidata e sua equipe mantiveram em segredo.

A 13 dias do primeiro debate com Trump e a menos de dois meses para a eleição presidencial, Hillary, de 68 anos, repousava em sua casa de Chappaqua, ao norte da cidade de Nova York.

"Ela está se sentimento melhor e hoje (terça-feira) pensa em ficar em casa", afirmou um de seus porta-voz, Nick Merrill.

Na segunda-feira à noite, em entrevista por telefone à rede CNN, Hillary afirmou que se sentia "muito melhor".

Também explicou que, na sexta-feira (9), havia ignorado o "sábio conselho" de seu médico de descansar por cinco dias, pensando que poderia continuar sua campanha. "Evidentemente, isso não foi muito bom", admitiu.

Contra-ataque

Após os problemas e a polêmica por seu estado de saúde, Hillary - sempre liderando as pesquisas de intenção de voto apesar da pequena diferença para Donald Trump (45,8% contra 43,4%, segundo a média das pesquisas do Real Clear Politics) - tenta retomar a iniciativa atacando a falta de transparência do candidato republicano.

"As pessoas sabem mais de mim do que sobre quase qualquer outra personalidade pública", declarou Hillary na CNN.

"Há 40 anos de declarações fiscais, dezenas de milhares de , um informe detalhado sobre meu estado de saúde, todo tipo de detalhes pessoais", acrescentou.

"Comparem com o que sabem sobre meu adversário. É sua hora de fornecer a mesma informação que eu", assinalou.

A democrata lembrou que Trump, de 70, não divulgou uma declaração de impostos e os dados sobre sua saúde se limitavam a algumas frases de seu médico e à promessa de que ele seria o presidente mais saudável da História.

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