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O presidente americano, Barack Obama, antes de responder uma pergunta durante coletiva de imprensa no Pentágono, em Washington D.C., no dia 4 de agosto de 2016

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Os Estados Unidos continuarão sua luta contra o grupo Estado Islâmico (EI) "agressivamente em todas as frentes", prometeu o presidente Barack Obama em entrevista coletiva no Pentágono, nesta quinta-feira (4).

Obama reconheceu que a pressão do Ocidente contra o EI provocou o aumento de ataques fora do Iraque e da Síria, assim como nos Estados Unidos, na França e na Turquia.

"É difícil prevenir pequenas células de terroristas dispostos a matar inocentes e a se suicidar", declarou, afirmando que as autoridades de segurança americanas trabalham "contra o relógio" para evitar esses ataques, enquanto se mantém a campanha militar aérea contra alvos do EI no Oriente Médio.

"Continuaremos combatendo-os agressivamente em todas as frentes dessa campanha", garantiu.

"Continuaremos atacando as posições do EI. Mais de 14.000 ataques", completou, descrevendo o esforço militar dos Estados Unidos para derrotar o grupo radical islâmico como "a campanha mais precisa da história".

"Nenhum dos líderes do EI está a salvo, e continuaremos perseguindo-os", insistiu.

Ele também manifestou preocupação com a ação do Exército russo em apoio ao governo sírio e pediu a Moscou que coopere com Washington para encontrar uma saída para a crise.

"Os Estados Unidos continuam preparados para trabalhar com a Rússia para tentar reduzir a violência e fortalecer nossos esforços contra o Isil [acrônimo do EI usado pelo governo americano] e a Al-Qaeda. Mas a Rússia fracassou em dar os passos necessários. Considerando-se a deteriorada situação, é hora de a Rússia mostrar que é séria sobre perseguir esses objetivos", disse Obama à imprensa.

O democrata reconheceu não ter certeza de que seja possível confiar em que o presidente russo, Vladimir Putin, vá cooperar na Síria.

"Vamos nisso sem vendas nos olhos. Temos muito claro que a Rússia está disposta a apoiar um governo assassino e um indivíduo", declarou Obama, referindo-se ao presidente sírio, Bashar al-Assad.

"Não tenho certeza de que podemos confiar nos russos e [no presidente] Vladimir Putin, motivo pelo qual temos de testar se podemos ter um verdadeiro cessar das hostilidades que inclua um fim a todo tipo de bombardeio aéreo e destruição e morte de civis, que temos visto serem realizados pelo governo Assad", disse Obama.

Em relação à Síria, enquanto os russos se aliam a Damasco, os americanos apoiam os rebeldes moderados, que têm como objetivo derrubar o presidente Assad. Ambos são copresidentes do esforço internacional para levar os dois lados do conflito à mesa de negociações.

O presidente americano reiterou que os US$ 400 milhões enviados pelos Estados Unidos ao Irã no início deste ano não foram pagamento de um resgate pela soltura de presos americanos.

"Alguns de vocês vão se lembrar de que nós anunciamos esses pagamentos em janeiro. Muitos meses atrás. Não foram um segredo", declarou, reforçando que os Estados Unidos não pagam resgate para não estimular novas ações nesse sentido.

Na mesma entrevista, o presidente chamou de "ridículas" as acusações feitas pelo candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, sobre "manipulação" eleitoral.

"Eu realmente nem sei por onde começar a responder essa pergunta", disse Obama ao repórter.

"É claro que as eleições não serão manipuladas (...). Se Trump sugere que há uma teoria da conspiração que está sendo disseminada por todo o país... Isso é ridículo", descartou Obama.

"Às vezes, a gente - se perde - começa a reclamar que fizeram armação. Mas nunca tinha ouvido alguém reclamar da armação, antes de totalizado o resultado", ironizou Obama.

"Minha sugestão seria, 'sai e tenta ganhar a eleição'", acrescentou Obama, que esta semana acusou Trump de ser "incapaz" de ocupar a Presidência dos EUA e pediu aos republicanos que retirem seu apoio.

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