AFP

Dilma Rousseff discursa após ser destituída, em Brasília, no dia 31 de agosto de 2016

(afp_tickers)

O Senado brasileiro destituiu Dilma Rousseff, no clímax de uma crise política que colocou fim a mais de 13 anos da esquerda no poder.

Estes são os oito momentos-chave da crise que encurralaram a ex-guerrilheira e primeira mulher presidente do Brasil.

Dilma na mira?

Durante os últimos meses uma enxurrada de acusações de corrupção contra a elite política sacudiu o país no auge da chamada "Operação Lava Jato". Dilma não foi objeto de nenhuma acusação por corrupção, mas a Suprema Corte autorizou que fosse investigada por obstrução da justiça ao nomear Lula em seu gabinete este ano.

O julgamento de destituição contra Dilma se baseou na acusação de que sistematicamente maquiou o déficit orçamentário, o que segundo seus acusadores agravou a crise econômica do país. E mesmo que tenha sido destituída, os senadores não aprovaram sua inabilitação política por oito anos, o que a permite concorrer a cargos por eleição popular.

Cai a economia, cai a popularidade

A maior economia da América Latina está em recessão por uma combinação da alta da inflação e do desemprego, com uma profunda deterioração das contas públicas. O PIB encolheu 3,8% em 2015 e a projeção para 2016 é de 3,16%. A popularidade de Dilma caiu com a crise.

"Fora Dilma!"

Desde março de 2015, cinco meses após sua reeleição, opositores convocaram várias manifestações contra Dilma e a corrupção. Em 13 de março deste ano, mais de três milhões de manifestantes saíram às ruas da cidade de todo o país gritando "Fora Dilma!".

Cada vez mais sozinha

A crise ganhou força no início deste ano quando a direção do PMDB, o maior partido do Brasil e aliado no poder, aprovou a ruptura com o governo de Rousseff. Esta decisão gerou uma reação em cadeia de outras forças aliadas.

Lula acorda com a polícia

Em março, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), padrinho político de Dilma, foi levado à força para ser interrogado pela Polícia Federal por supostos vínculos com a corrupção na Petrobras. A operação coincidiu com a divulgação do acordo de delação premiada do agora ex-senador do PT, Delcídio do Amaral, que relacionou os casos de corrupção com Lula e Dilma.

Uma jogada audaciosa: Lula ministro

Dilma nomeou Lula como ministro-chefe do gabinete em 16 de março. Horas depois, o juiz que investiga o escândalo da Petrobras liberou a gravação de uma conversa entre Rousseff e Lula, considerada pela oposição e juristas uma prova de que a nomeação buscava livrá-lo da justiça comum. Iniciaram-se manifestações de indignação e um juiz suspendeu sua nomeação.

Derrota nas Câmaras

Deputados e senadores aprovaram submeter Dilma a um julgamento de destituição. Após ser suspensa de seu cargo em maio, o processo se definiu nesta semana com a destituição definitiva. Seu ex-vice-presidente, Michel Temer, a quem Dilma acusa de "traidor" por orquestrar um "golpe branco" contra ela, assumiu o governo e completará o mandato até 2018.

"Voltaremos"

Torturada pela ditadura militar, Dilma entrou na trincheira logo que recebeu a confirmação de que havia sido destituída.

"Pensam que nos venceram, mas estão enganados. Sei que todos vamos lutar. Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista possa ter", lançou antes de prometer: "voltaremos".

afp_tickers

 AFP