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Menino de 6 anos em um campo de refugiados na cidade de Cox's Bazar

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Mianmar iniciou uma campanha de "limpeza étnica" contra a minoria apátrida dos muçulmanos rohingyas, denunciou um representante da ONU em Bangladesh, país para onde onde vão milhares de famílias fugindo da violência do exército birmanês.

Os rohingyas que cruzaram a fronteira nas últimas semanas denunciaram assassinatos, matanças, torturas e estupros coletivos por parte de soldados birmaneses no oeste do país.

Cerca de 30.000 pessoas deixaram suas casas devido à violência, que causou dezenas de mortos desde o início da operação birmanesa em represália pelos ataques contra delegacias em outubro passado.

As ações do exército se assemelham a uma "limpeza étnica", afirmou John McKissick, diretor da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) em Cox's Bazar, cidade do sul de Bangladesh na fronteira com Mianmar.

Bangladesh, por sua vez, ignorou os pedidos internacionais para que abra sua fronteira para evitar uma crise humanitária.

Na quarta-feira, a polícia de Bangladesh anunciou que expulsará de volta para Mianmar dezenas de rohingyas.

Mais de 2.000 rohingyas entraram nos últimos dias em Bangladesh para escapar de operações militares no oeste de Mianmar.

A polícia de Cox's Bazar afirma ter detido 70 rohingyas, incluindo mulheres e crianças.

Mianmar considera estrangeiros os rohingyas, embora algumas famílias vivam há gerações no país.

As expulsões de rohingyas de Bangladesh é preocupante para a comunidade internacional, pois exército nega as acusações, mas proíbe o acesso aos jornalistas.

Esta onda de violência abala a imagem do governo, dirigido de fato pela Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.

As acusações de limpeza étnica feitas por McKissick foram negadas por Zaw Htay, porta-voz do governo do partido de Suu Kyi.

"Eu questiono o profissionalismo e a étnica do pessoal da ONU", afirmou Zaw Htay. "Deveriam falar de fatos concretos e verificados, e não fazer acusações", afirmou.

Mianmar já havia sido acusada de limpeza étnica contra a minoria muçulmana dos rohingyas no passado, quando era governada por uma junta militar que deixou o poder recentemente.

Mas é a primeira vez desde que Aung San Suu Kyi assumiu as rédeas do país depois de eleições históricas celebradas há um ano.

Desde que esta onda de denúncias teve início, Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz, praticamente nada comentou sobre o assunto.

A situação dos rohingyas é um assunto explosivo no país. Odiados por uma parte da população - 95% são de budistas -, os rohingyas sofrem múltiplas discriminações (trabalho forçado, extorsão, restrições de liberdade de movimento e falta de acesso à saúde e educação).

No estado de Rakhine, onde os confrontos com budistas e muçulmanos causaram em 2012 quase 200 mortos, milhares de rohingyas vivem na zona rural.

Mais de mil casas rohingya foram incendiadas no estado de Rakhine, denunciou a Human Rights Watch, baseando-se em imagens de satélite.

O exército nega estar por trás desses incêndios.

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