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(Arquivo) Papa Francisco

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O Papa Francisco convidou as milhares de freiras que vivem enclausuradas a não se deixarem "dissipar" pela internet, ao tornar públicas, nesta sexta-feira, as novas regras sobre a "vida contemplativa".

"Em nossa sociedade, a cultura digital influencia decisivamente a formação do pensamento (...). Este clima cultural não deixa incólumes as comunidades contemplativas", escreveu o papa na sua Constituição Apostólica Vultum Dei quaerere (a busca do rosto Deus).

"Estes meios podem certamente ser instrumentos úteis (...), mas peço-lhe o discernimento prudente, a fim que sejam colocados a serviço da formação à vida contemplativa (...), e não de ocasiões de dissipação e fuga da vida fraterna em comunidade, nem prejudiciais para a sua vocação ou um obstáculo à sua vida inteiramente dedicada à contemplação", ressalta o pontífice.

Estas novas regras dizem respeito a cerca de 35.000 religiosas em clausura em cerca de 4.000 monastérios, a maioria na Itália e Espanha.

Apesar de uma queda drástica das vocações, o papa argentino pediu para não tentar "recrutar" religiosas do estrangeiro para preencher os mosteiros.

"Embora as constituições das comunidades internacionais e multiculturais manifestem a universalidade do carisma, devemos absolutamente evitar o recrutamento de candidatos de outros países com o único propósito de preservar a sobrevivência do mosteiro", disse o papa.

Jorge Bergoglio pede também que a oração seja realmente o "centro" da vida em comunidade.

Além disso, incentiva todos os mosteiros de ser parte de uma federação, que é uma "importante estrutura de comunhão entre os mosteiros que partilham o mesmo carisma, a fim que eles não permaneçam isolados".

"Para a comunidade dedicada à contemplação, o resultado do trabalho não é apenas garantir uma vida decente, mas também, sempre que possível, para atender às necessidades dos pobres e mosteiros necessitados", disse o papa.

A Constituição apostólica anterior, sobre a vida contemplativa das monjas do papa Pio XII, Sponsa Christi, foi publicada em 1950.

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