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Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, no dia 15 de julho de 2016

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A Petrobras, abalada pelo megaesquema de corrupção conhecido como Petrolão e a queda do preço do petróleo, anunciou nesta terça-feira que reduzirá 25% seus investimentos a 74,1 bilhões de dólares no período 2017-2021.

"Nos próximos dois anos, estaremos concentrados na recuperação da solidez financeira da Petrobras, como uma empresa integrada de energia que tem foco em óleo e gás. No horizonte total dos cinco anos desse planejamento, nossa proposta é que a empresa tenha sido saneada, tenha padrões de governança e ética inquestionáveis para sustentar uma produção crescente, mais realista, e capaz de investir e se posicionar nos processos de transição por que passa o mercado de energia no mundo", afirmou o presidente da empresa, Pedro Parente, em um comunicado.

O plano estratégico quinquenal inclui um corte de seus gastos operacionais de 11% e projeta manter "um ritmo intenso de parcerias e desinvestimentos que nos próximos dois anos deverão somar 19,5 bilhões de dólares.

"Os investimentos próprios previstos para 2017 a 2021 serão de 74,1 bilhões de dólares. Este valor representa uma redução de 25% em relação ao plano anterior", afirmou a empresa no comunicado.

A companhia informou que o segmento de exploração e produção absorverá 82% dos recursos, enquanto 17% serão destinados para a área de refino e gás natural. As outras áreas da empresa ficarão com somente 1%

Segundo a empresa, o conjunto de investimentos gerados a partir dos projetos da Petrobras, no entanto, é estimado em 40 bilhões de dólares nos próximos dez anos, o que demonstra que, apesar do menor volume de investimentos, a companhia alavanca valores significativos por meio de sua atuação.

O plano prevê desinvestimentos de 19,5 bilhões de dólares nos próximos dois anos. Para isso, a empresa lançará mão de "parcerias estratégicas", nas áreas de exploração e produção, refino, transporte, logística, distribuição e comercialização.

"A Petrobras também sairá das atividades de produção de biocombustíveus, distribuição de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), produção de fertilizantes e as participações em petroquímica", diz o comunicado.

"No segmento de gás, a estratégia é adequar a participação da companhia e, no setor de energia, reorganizar as participações societárias", acrescenta o documento.

Este plano é o primeiro sob a gestão de Parente, que chegou ao cargo em junho, nomeado pelo novo chefe de Estado Michel Temer.

O anúncio é feito sob a ameaça de uma greve dos operários da empresa contra o plano de congelamento de salários.

O plano de redução de custos prevê a continuidade do corte de funcionários, por meio de um programa de demissão voluntária. Mas de 9.200 operários aderiram ao plano em 2016 e cerca de 9.700 devem fazer o mesmo 2017, de acordo com os dados publicados nesta terça-feira.

A empresa sofre com os efeitos do Petrolão, que custou mais de 2 bilhões de dólares em seus balanços e pela queda do preço do barril de 100 dólares em meados de 2014 para menos de 45 dólares nos dias atuais.

A companhia fechou 2015 com perdas de recordes de 34,836 bilhões de reais (9,6 bilhões de dólares).

No segundo trimestre deste ano, reportou lucros de 106 milhões de dólares, interrompendo uma série de três trimestres no vermelho.

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