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Manifestantes palestinos protestam contra a detenção administrativa de Bilal Kayed, em Jerusalém, no dia 24 de agosto de 2016

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Um palestino preso por Israel sem julgamento pôs fim, nesta quarta-feira (24), a 71 dias de greve de fome, depois de receber garantias de que sua detenção administrativa não será mantida - disseram fontes de seu partido e seu advogado.

Bilal Kayed, de 34 anos, iniciou sua greve de fome para denunciar sua detenção sem nova acusação, depois de cumprir a totalidade de sua pena de 14 anos e meio por suas atividades na Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), partido de esquerda considerado "terrorista" pelo Estado hebreu.

Ele deveria ser libertado em meados de junho, mas Israel decidiu colocá-lo em prisão administrativa. A medida permite manter suspeitos atrás das grades por tempo ilimitado sem lhes dar a garantia de um processo, ou mesmo sem informá-los sobre qual acusação pesa contra eles.

A detenção de Kayed foi renovada por três meses na semana passada.

"Bilal Kayed suspendeu sua greve de fome, depois de chegar a um acordo que garante que sua prisão administrativa não será mais renovada, que ele não será mais posto em isolamento e que sua família poderá visitá-lo", confirmou a FPLP em uma nota.

A Frente comemorou "a vitória do camarada Kayed", o qual continua algemado a seu leito no hospital.

O advogado de Kayed confirmou para a AFP que "Bilal Kayed suspendeu sua greve de fome, depois que discutimos com ele. Ele aceitou o acordo".

Ontem, o Escritório de Direitos Humanos da ONU disse estar "muito preocupado com relação à saúde de Kayed", depois que "os médicos informaram-no que ele poderia sofrer sequelas irreversíveis".

Segundo as Nações Unidas e ONGs de defesa dos detentos palestinos, cada vez mais prisões administrativas são determinadas pela Justiça militar israelense, a única corte que julga os palestinos dos Territórios Ocupados.

Atualmente, dos 7.000 palestinos presos por Israel, cerca de 700 estão em prisão administrativa, segundo ONGs.

"É o número mais alto desde o início de 2008", afirma o Escritório dos Direitos Humanos da ONU.

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