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O diretor-executivo da Qatar Airways, Akbar Al Baker, participa de coletiva de imprensa, em Farnborough, Londres, no dia 11 de julho de 2016

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A Qatar Airways se lançou no mercado latino-americano com a compra de até 10% da Latam, a maior companhia aérea da região, que fechou o ano de 2015 com um prejuízo milionário, pressionado pela crise no Brasil.

A companhia do Catar, umas das maiores e pujantes do Oriente Médio, com uma frota de mais de 100 aeronaves, aportará 613 milhões de dólares mediante um aumento de capital na Latam, companhia aérea que nasceu em 2012 da fusão da chilena LAN com a brasileira TAM, dando origem ao principal grupo comercial aeronáutico da região.

"A Latam representa para a Qatar Airways uma grande oportunidade para investir, apoiar e desenvolver uma relação de longo prazo. Isso poderá representar futuras oportunidades para nossa rede global", disse Akbar Al Baker, diretor-executivo da Qatar, depois de anunciar o acordo junto a Enrique Cueto, presidente da Latam, na feira internacional aeronáutica de Farnborough, Inglaterra.

A Latam, por sua vez, anunciou em comunicado que estabelecerá um valor de 10 dólares por ação e que a transação será apresentada aos acionistas da companhia em uma junta extraordinária que convocará para o próximo 2 de setembro.

"Estamos muito orgulhosos pela entrada da Qatar Airways na propriedade da Latam, o que reafirma os laços entre ambas as companhias", manifestou o mais alto executivo da companhia chilena e brasileira.

O acordo causou revolta no mercado chileno. A Bolsa de Valores suspendeu durante duas horas a negociação de ações da Latam, que chegaram a subir 20%.

Ambas as companhias aéreas esperam que o acordo se concretize no quarto trimestre deste ano.

A Qatar Airways tem um importante pacote de ações, de 15%, na holding IAG que agrupa as companhias aéreas espanholas Iberia e Vueling, a britânica British Airways e a irlandesa Aer Lingus.

Tanto IAG, como Latam e a Qatar Airways fazem parte da aliança Oneworld.

Injeção econômica para a Latam

O acordo ocorre depois que a Latam fechou o ano de 2015 com perdas que chegaram a 219 milhões de dólares e uma queda das receitas de 18,8% em relação a 2014, prejudicada pela crise econômica e política que atinge o Brasil, seu principal mercado e que foi classificada como "a mais grave dos últimos anos" pela diretora da companhia.

O investimento de US$ 613 milhões que a empresa receberá do país do Golfo significará uma injeção econômica importante para Latam, que estima um aprofundamento da crise brasileira neste ano.

Isso levou a companhia a um drástico ajuste e a reduzir seus voos para no Brasil. No primeiro trimestre de 2015 anunciou um lucro líquido de 102 milhões de dólares.

"Esse investimento valoriza o que construímos como Latam e apoia o projeto futuro do grupo. Além de fortalecer nossa posição financeira, nos permite explorar novas oportunidades de conectividade com a Ásia e com o Oriente Médio", declarou Cueto.

Em um comunicado enviado à Superintendência de Valores e Seguros do Chile, onde a Latam anunciou a transação, a companhia explicou que "não é possível determinar os efeitos financeiros que as matérias que se informam poderão ter sobre os ativos, passivos e resultados da Companhia".

A Latam tem filiais na Argentina, no Brasil, no Chile, na Colômbia, no Equador, no Paraguai e no Peru. Voa para 140 destinos em 24 países, com uma frota de 318 aviões e mais de 53.000 funcionários.

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