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Forças israelenses cercam local onde um soldado israelense foi esfaqueado por um palestino, que foi abatido, em Hebron, no dia 17 de setembro de 2016

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Um palestino esfaqueou neste sábado um soldado israelense em um posto de controle na cidade de Hebron, na Cisjordânia, e posteriormente foi morto pelo exército, a quarta agressão deste tipo em menos de 24 horas.

Segundo o exército, o ataque foi lançado durante uma operação de rotina das tropas israelenses no bairro de Tel Rumeida. "As forças no local dispararam contra o criminoso, que morreu", afirmou o comunicado.

Trata-se do quarto ataque anti-israelense em menos de 24 horas, uma prova de que a violência persiste em Israel e nos Territórios Palestinos, apesar da relativa calma das últimas semanas.

O ministério da Saúde palestino identificou o criminoso abatido como Hatem al-Shaludi, de 25 anos.

Na sexta-feira, três pessoas foram mortas depois de cometer ataques contra israelenses, nos quais quatro pessoas ficaram feridas, segundo as forças de segurança.

Um dos homens abatidos na sexta-feira possuía um passaporte jordaniano, como muitos dos palestinos. Amã condenou a atuação das autoridades israelenses e disse que se tratou de um "ato bárbaro".

Hanan Ashraui, funcionária de alto escalão da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), condenou o que classificou de "execuções sumárias".

"Israel aplica de maneira flagrante uma política sistemática e deliberada de execuções sumárias contra o povo palestino. Tais atos de provocação constituem uma violação direta do direito e das convenções internacionais", julgou em uma declaração neste sábado.

"Solicitamos à comunidade internacional que atue rapidamente e de maneira eficaz, e que peça que Israel preste contas com medidas punitivas antes que seja muito tarde", advertiu.

Por sua vez, um porta-voz militar israelense afirmou à AFP que o ataque deste sábado era "uma nova expressão da incitação (à violência por parte dos palestinos contra Israel) na rua e nas redes sociais".

- Tensão persistente -

Jerusalém, os territórios ocupados e Israel são palco de tensões que desde outubro provocaram a morte de 227 palestinos, 34 israelenses, dois americanos, um jordaniano, um eritreu e um sudanês, segundo um balanço da AFP.

A maioria dos palestinos abatidos são autores ou supostos autores de ataques, muitos deles cometidos com faca ou avançando com veículos contra os pedestres, segundo as autoridades israelenses.

Israel ocupa os territórios palestinos desde a Guerra dos Seis Dias de 1967.

Muitos especialistas atribuem os ataques palestinos às humilhações da população, à ausência de qualquer perspectiva próxima à independência, às frustrações econômicas e às disputas entre os próprios palestinos. Por sua vez, Israel acusa as autoridades palestinas de atiçar o ódio.

Nesta semana, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu que a perspectiva de uma solução de dois Estados cada vez se afasta mais.

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