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O chefe de governo em fim de mandato, o conservador Mariano Rajoy, participa de coletiva de imprensa, em Madri, no dia 28 de julho de 2016

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O chefe de governo em fim de mandato, o conservador Mariano Rajoy, anunciou nesta quinta-feira ter aceito o pedido do rei de tentar formar um novo gabinete na Espanha e por fim a mais de meio ano de bloqueio político, mas sem prometer sucesso.

"Aceito o encargo", disse Rajoy, ao informar, durante coletiva de imprensa, que o rei lhe pediu "que tente a posse da presidência do governo", após as legislativas de 26 de junho, as segundas às quais os espanhóis precisaram votar em seis meses.

O líder do Partido Popular, no poder desde 2011, informou que a partir da sexta-feira, "dobrará os esforços" de diálogo com os demais partidos políticos para buscar o apoio necessário e conseguir sua posse no Parlamento.

"Até o momento, não conto com os apoios", admitiu Rajoy, que não quis esboçar uma data para a possível sessão de posse.

"Farei tudo quanto estiver nas minhas mãos para que a Espanha tenha um governo, mas não depende única e exclusivamente de mim", pediu.

Rajoy fez o anúncio após se reunir com o rei Felipe VI, que encerrou com este encontro uma rodada de consultas com as lideranças dos partidos políticos do Congresso para solicitar a formação do governo.

O líder conservador já tinha declinado uma oferta similar do rei em dezembro de 2015, ao se ver sem aliados, mas "agora o cenário é um pouco mais aberto", destacou.

Há sete meses, a Espanha se mantém sob um governo em funções com atribuições muito limitadas, logo quando o país precisa tomar medidas urgentes para aprovar orçamento, reduzir seu elevado déficit público ou fazer frente a um movimento separatista na região da Catalunha.

O bloqueio institucional começou em dezembro, quando os espanhóis elegeram um Parlamento muito fragmentado entre quatro partidos, um fato inédito que marcou o fim do bipartidismo que por décadas predominou na Espanha.

O PP e seus adversários tradicionais, os socialistas do PSOE, precisaram ceder terreno à formação de esquerda radical Podemos, decidida a acabar com as políticas de austeridade, e a liberal Ciudadanos, em luta contra a corrupção.

Os partidos não conseguiram formar as alianças necessárias, o que levou os espanhóis às urnas novamente em junho.

Mas a repetição das eleições confirmou a divisão do Parlamento entre as quatro grandes forças.

O Partido Popular saiu fortalecido das legislativas de junho, ao aumentar sua representação para 137 deputados no Parlamento de 350 assentos, mas longe da maioria necessária (176) para formar um novo governo.

Por isso, precisa buscar aliados, algo que até agora não conseguiu.

Apenas o partido liberal de centro Ciudadanos lhe garantiu uma abstenção em uma votação de posse, embora seus 32 deputados sejam insuficientes de toda forma para que o voto de confiança avance.

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