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(Arquivo) O ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière

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O solicitante de asilo sírio de 27 anos que detonou no domingo os explosivos que carregava perto de um festival de música ao ar livre em Ansbach (sul), deixando 15 feridos, havia jurado lealdade ao grupo Estado Islâmico, no segundo atentado reivindicado pelos extremistas em uma semana no país.

As provas de sua obediência ao EI foram encontradas em um vídeo gravado em seu telefone celular.

O sírio anunciou explicitamente que agia "em nome de Alá" e que "havia jurado lealdade (ao chefe do EI), Abu Bakr al Bagdadi", declarou Joachim Hermann, ministro do Interior da Baviera.

Além disso, "advertiu expressamente para uma vingança contra os alemães que atravessarem o caminho do Islã", acrescentou o funcionário.

Pouco depois, o EI informou que o ataque de domingo foi cometido por um dos seus "soldados", de acordo com a agência Amaq, um órgão de propaganda da organização extremista.

O autor do atentado "respondeu aos apelos de atacar os Estados da coalizão que combate o Estado Islâmico" no Iraque e na Síria, acrescentou o grupo.

Neste contexto, o governo alemão rejeitou nesta segunda-feira qualquer "suspeita generalizada" contra os refugiados após as agressões e os atentados cometidos nos últimos dias.

A procuradoria federal alemã, competente em casos de terrorismo, anunciou ter assumido a investigação e confirmou as suspeitas sobre "a motivação islamita de Mohammad D", que levava explosivos em sua mochila antes de detoná-los e ferir 15 pessoas, informou a instância em um comunicado.

Em 18 de julho passado, um solicitante de asilo afegão (provavelmente paquistanês, segundo a polícia) de 17 anos feriu com um machado cinco pessoas que viajavam em um trem regional em Wurtzburgo, ato que também reivindicou em nome do EI.

Mais cedo nesta segunda-feira, o ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, em uma entrevista ao grupo de imprensa Funke, disse que "não devemos suspeitar dos refugiados de forma generalizada, embora existam procedimentos em andamento em casos isolados".

A porta-voz adjunta do governo alemão, Ulrike Demmer, afirmou à imprensa que o risco criminal que os refugiados representam no país não é proporcionalmente "maior que o que envolve o resto da população".

Mas o medo é grande para o governo da chanceler Angela Merkel, ao constatar a apreensão de boa parte da população ante os imigrantes, que chegaram em número recorde no ano passado.

Esta preocupação crescente da população após os acontecimentos dos últimos dias se deve ao fato de que solicitantes de asilo estiveram envolvidos nestes casos.

A onda de agressões contra mulheres na noite de Ano Novo em Colônia (oeste), imputada a migrantes, indispôs uma grande parte da opinião pública contra a generosa política de abertura de Merkel aos refugiados.

"Um atentado suicida"

Antes das últimas declarações de Herrmann, ainda persistia uma certa confusão sobre o atentado de Ansbach, na Baviera (sul).

O solicitante de asilo sírio, por não ter ingresso, não conseguiu entrar no local onde era realizado o festival de música pop ao ar livre com 2.500 participantes, e detonou seus explosivos nas proximidades, deixando 15 feridos, quatro deles em estado grave, embora nenhum corra risco de vida.

"Trata-se, infelizmente, de um novo atentado terrível, que aumenta sem dúvida a inquietação das pessoas", havia declarado Herrmann a partir do local do atentado.

Além disso, foi estabelecido que o autor do ataque, cujo pedido de asilo foi negado há um ano, deveria ser expulso à Bulgária.

"Se tivesse conseguido entrar no local, certamente haveria mais vítimas", destacou um responsável da polícia local.

O sírio, que vivia em um centro de acolhida em Ansbach, havia tentado se suicidar em duas ocasiões, e permaneceu internado por um tempo em uma clínica psiquiátrica. Além disso era conhecido da polícia por um crime vinculado a drogas.

Tensão

Este atentado ocorreu em um momento de grande tensão tanto na Alemanha quanto no leste da Europa, onde se vive um clima de temor por atentados terroristas como os registrados em várias ocasiões neste ano (na cidade francesa de Nice em 14 de julho, em Bruxelas no dia 22 de março), reivindicados pelo grupo Estado Islâmico (EI).

Na noite de sexta-feira, um jovem de 18 anos com transtornos psiquiátricos e obcecado pelos massacres em massa matou a tiros nove pessoas em Munique.

No dia 18 de julho, um solicitante de asilo feriu com um machado cinco pessoas em um trem regional de Wurtzburgo, ato reivindicado em nome do Estado Islâmico.

Não muito distante da Baviera, em Reutlingen, um sírio de 21 anos solicitante de asilo matou no domingo com um facão uma mulher polonesa após uma discussão, e feriu outras três pessoas, no que parecia ser um ataque passional.

Embora as autoridades insistam em evitar as amálgamas, esta série pode dar argumentos aos que se opõem à política de abertura da chanceler Angela Merkel com os refugiados em 2015.

Herrmann disse se preocupar que "o direito de asilo seja desacreditado" pelo ocorrido em Ansbach.

"Não pudemos registrar e controlar todos os migrantes que cruzaram a fronteira alemã", disse à BBC Stephan Mayer, responsável pela política interna do partido conservador bávaro CSU.

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