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(Arquivo) Claressa Shields, em Nova York, no dia 15 de junho de 2016

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As histórias de Shakur Stevenson e Claressa Shields têm um denominador comum: o boxe os resgatou das gangues para torná-los atletas de elite.

Stevenson, um rapaz de 19 anos com uma tatuagem nas costas com os dizeres "Rio-2016" e Shields, 21 anos, são as maiores esperanças do boxe americano nos Jogos Olímpicos do Rio.

As disputas de boxe começarão no sábado (6) no pavilhão do Complexo Esportivo do Riocentro, na Barra da Tijuca.

O escudo EUA

Em Londres, contrariando os prognósticos, Claressa Shields, a então adolescente de 17 anos que foi salva pelo boxe das gangues e das drogas, resgatou o orgulho ferido do pugilismo dos Estados Unidos ao ganhar a única medalha de ouro olímpica na modalidade.

"Diziam então que eu não podia fazê-lo (ganhar o ouro), que era muito jovem. Disseram que as meninas com mais experiência me dariam uma surra, mas esqueceram que eu sou uma lutadora, uma sobrevivente das ruas", manifestou a morena americana.

Aos 17 anos e 145 dias, Shields foi a atleta de boxe mais jovem a ganhar uma medalha de ouro olímpica.

O boxe foi um escape para essa menina de sorriso aberto, que desde Londres-2012 se tornou uma estrela na mídia, oferecendo por todo o país palestras motivacionais para que os jovens se afastem das quadrilhas.

"Mostro-lhes que há outra opção. O esporte é uma opção. Tudo depende de nossas decisões", aponta Shields.

Agora com 21 anos, Shields chega com ares de favorita, após ter ganho o título mundial em 2014 e defendido-o com êxito no início deste ano.

"Eu queria uma vida melhor. Não queria que minha irmã ou meu irmão mais novo se deitassem para dormir sem comer mais uma vez. O boxe me deu tudo", acrescenta.

Shakur: o boxe pelo rap

Shakur Stevenson não queria ser boxeador. Não temia pelas brigas, pois desde que se entende por gente sua vida foi uma briga constante para sobreviver em um bairro perigoso de Newark, Nova Jersey.

O jovem Shakur queria ser rapper, como seu herói Tupac Shakur, famoso rapper que foi morto a tiros em 1996 em uma viagem a Las Vegas para ver uma luta de boxe.

Mas a vida dá opções, e depois de ver morrer alguns de seus amigos do bairro, e seu próprio alter-ego, Stevenson inclinou-se para o boxe, esporte que começou a praticar com cinco anos.

O jovem de 19 anos é comparado, por sua velocidade e inteligência no ringue, com o grande Floyd Mayweather, que disputou os Jogos Olímpicos de Atlanta-1996 e se aposentou no ano passando como uma lenda.

Stevenson é o primeiro pugilista americano a ganhar títulos mundiais infantis e juvenis, além de uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude.

Com esse aval, chega ao Rio para buscar uma medalha na categoria dos pesos-galo, diante de rivais mais acostumados e com currículos mais extensos.

Mas nada intimida Shakur, o mais velho de nove irmãos.

"Tenho muita vontade de ganhar uma medalha de ouro e fazer isso diante de toda a minha família", disse Stevenson, que não se deixa intimidar pela presença dos profissionais no Rio.

"Não me importa quem vai subir. Eles não estão acostumados a brigar a cada dois dias, e eu sim, nas competições", apontou.

Os Jogos Olímpicos alavancaram a carreira de alguns dois maiores boxeadores da História: Muhammad Ali, Joe Frazier, George Foreman, Sugar Ray Leonard, Floyd Mayweather, Oscar de la Hoya e Evander Holyfield.

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