AFP

A ministra britânica do Interior, Theresa May, participa de coletiva de imprensa, em Londres, no dia 30 de junho de 2016

(afp_tickers)

A ministra britânica do Interior, Theresa May, confirmou que é a favorita para substituir o primeiro-ministro David Cameron com sua vitória, nesta terça-feira (5), na primeira rodada da votação para a sucessão, enquanto as ameaças do Brexit à economia ganham força.

Agora, restam três candidatos na disputa.

May, que apoiou timidamente a campanha pela permanência na União Europeia (UE), sem chegar a se comprometer muito, conseguiu o apoio de 165 dos 330 deputados do Partido Conservador, que elegem seu líder e, automaticamente, o primeiro-ministro.

Atrás de May está uma partidária da saída da UE, a ministra da Energia, Andrea Leadsom (66 votos); seguida pelo ministro da Justiça, Michael Gove (48), outro defensor da ruptura com Bruxelas.

Com 34 votos, o secretário de Estado para Aposentadorias e Emprego, Stephen Crabb, decidiu jogar a toalha após amargar um quarto lugar entre os cinco candidatos. Ele já anunciou seu apoio "de todo coração" a Theresa May.

Em último estava Liam Fox, que foi eliminado da corrida, com apenas 16 votos.

"Nos espera um enorme trabalho: unificar nosso partido e o país, negociar o melhor acordo possível para abandonar a UE e fazer com que o Reino Unido esteja a serviço de todos", declarou May após a votação.

"Sou a única candidata capaz de cumprir estas três tarefas", afirmou.

O novo líder será conhecido no mais tardar em 9 de setembro, no final de um processo que começou com esta primeira rodada de votação dos deputados.

A cada terça e quinta-feiras haverá uma rodada que terminará com a eliminação do candidato menos votado. Quando sobrarem dois, serão os 150.000 militantes que escolherão.

Cameron renunciou em 24 de junho, no dia seguinte ao referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE. Nas urnas, os britânicos optaram pela saída.

Dois 'brexiters' contra Theresa May

Dois dos cinco candidatos defenderam a saída da União Europeia: Michael Gove e Andrea Leadsom.

Andrea recebeu o apoio de Boris Johnson e é vista com simpatia pelo partido de ultradireita antieuropeu Ukip, liderado até segunda-feira por outro grande protagonista da campanha Brexit, Nigel Farage. Ele também renunciou.

A debandada dos líderes do Brexit levou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, a alfinetá-los.

"Constato apenas que os radiantes heróis do Brexit de ontem são os tristes heróis de hoje", afirmou Juncker, em pronunciamento no Parlamento Europeu.

"Aqueles que provocaram este resultado no Reino Unido abandonaram o cenário um atrás do outro: Johnson, Farage, etc...", completou.

O Partido Trabalhista continua em crise. Seu líder, Jeremy Corbyn, está sendo questionado por grande parte de seus deputados, mas se nega a renunciar e conta com o apoio de militantes e sindicatos.

Nesta terça, o segundo peso-pesado do partido, Tom Watson, crítico de Corbyn, reuniu-se com os sindicatos para buscar uma saída.

Além de ter alterado totalmente o panorama político nacional, o referendo sobre a permanência na UE ameaça por seu potencial de contágio. Hoje, por exemplo, a Hungria convocou uma consulta, para 2 de outubro, na qual perguntará sobre o plano europeu de divisão de refugiados.

Banco da Inglaterra tenta prevenir incêndios

As ameaças à estabilidade financeira do Reino Unido provocadas pelo Brexit "começaram a se manifestar", declarou nesta terça-feira o Banco da Inglaterra (BoE), anunciando uma flexibilização das regras de financiamento dos bancos para estimular os empréstimos.

Um terceiro fundo de investimentos imobiliários suspendeu as operações para evitar que os investidores continuem retirando seu dinheiro do mesmo, por temor das consequências do Brexit.

"Há evidências de que alguns riscos começaram a se manifestar. A atual perspectiva para a estabilidade financeira do Reino Unido é desafiadora", afirmou o Comitê de Política Financeira (FPC) do BoE em seu relatório de estabilidade financeira.

Esse relatório é o primeiro divulgado após o referendo, no qual os britânicos optaram pela saída ignorando as advertências do próprio Banco da Inglaterra e do Fundo Monetário Internacional, entre outras instituições.

O FPC decidiu reduzir os fundos que os bancos devem proteger para enfrentar momentos de turbulências, com o objetivo de que destinem o dinheiro liberado para estimular a economia.

As medidas devem servir para destinar quase 150 bilhões de libras (US$ 197,24 bilhões) adicionais a empréstimos a particulares e empresas.

Finalmente, o Reino Unido emitiu dívida pública após o referendo com os juros mais baixos da história para um bônus a cinco anos, a 0,382%.

Os juros da dívida são determinados por leilão. O nível baixo se explica pelo medo dos investidores com a instabilidade do mercado. Esse temor os leva a buscar refúgio em valores seguros, mesmo que sejam pouco rentáveis.

afp_tickers

 AFP