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O candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, em Cleveland, no dia 21 de julho de 2016

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O candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, desafiou a inteligência russa nesta quarta-feira a rastrear os e-mails de sua adversária democrata, Hillary Clinton, ainda que tenha negado ter laços com Moscou e rejeitado as insinuações de que a Rússia está influenciando a campanha a seu favor.

"Não tenho nada a ver com a Rússia", disse Trump em uma coletiva de imprensa em Miami. O presidente russo, Vladimir Putin, "disse uma coisa boa sobre mim, disse que sou um gênio, mas nunca o conheci".

Trump respondeu assim às acusações de que a Rússia estaria por trás de um vazamento de milhares de e-mails na sexta-feira, que deixou o Partido Democrata em uma situação delicada.

Segundo o magnata nova-iorquino, seu único vínculo com a Rússia foi quando vendeu uma casa em Palm Beach, na Flórida, por 100 milhões de dólares a um russo.

Trump também atacou Hillary sobre o escândalo do uso de seus e-mails enquanto era secretária de Estado e mencionou os mais de 30.000 e-mails que a candidata apagou, supostamente porque eram pessoais e não estavam vinculados ao seu trabalho como chefe da diplomacia.

"Direi a vocês, Rússia, se estiverem escutando: espero que sejam capazes de encontrar os 30.000 e-mails que estão perdidos. Provavelmente serão generosamente recompensados pela imprensa", disse Trump.

A equipe de campanha de Hillary respondeu de forma irritada, acusando Trump de incitar a espionagem internacional.

"Esta deve ser a primeira vez que um importante candidato tenha incitado ativamente um poder estrangeiro para que cometa espionagem contra seu adversário político", escreveu em um comunicado Jake Sullivan, alto assessor de Hillary.

"Isto já passou de um assunto curioso e um assunto político, para um problema de segurança nacional".

O FBI (a polícia federal americana) investigou o caso dos e-mails de Hillary e concluiu, no início desse mês, que ela foi "extremamente descuidada" no uso de material sigiloso, mas não recomendou sua acusação.

A França não é a França

Os e-mails divulgados pelo WikiLeaks colocaram em evidência que vários responsáveis do Partido Democrata tentaram prejudicar a campanha de Bernie Sanders, adversário de Hillary Clinton nas primárias.

"Se eu tivesse usado a linguagem que eles (os democratas) usaram sobre religião, raça e tudo mais nesses e-mails", disse Trump, "teria que me esconder e provavelmente abandonar a eleição".

"Mas com ela tudo está bem", criticou.

Especialistas em segurança de informática contratados pela equipe de campanha de Hillary deram a entender que a Rússia era a responsável pela filtragem e consideraram que, com isso, o país pretendia favorecer Donald Trump.

Nesta quarta-feira, o Kremlin negou essas acusações.

O magnata imobiliário, que insistiu não ter nenhum investimento na Rússia, propôs se aliar ao país na luta contra o grupo Estado Islâmico e criticou a eventual entrada de refugiados.

"Não temos ideia de quem são, de onde vêm, de quais são seus documentos. Isso só pode piorar", assegurou o candidato, dando o exemplo do padre, em Saint-Etienne-du-Rouvray, noroeste da França, que foi degolado na terça-feira (26).

"A França já não é a França. Eles não vão gostar que eu diga isso, mas olhem o que aconteceu em Nice". No dia 14 de julho, 84 pessoas morreram atropeladas por um caminhão em um brutal ataque de um islâmico radical.

Na noite de terça-feira, na entrada do Trump National Doral Golf Resort - uma das inúmeras propriedades do magnata - trinta pessoas de grupos hispânicos se manifestaram contra a presença do candidato na cidade.

"Tenho estado muito bem com a comunidade hispânica. As pesquisas estão subindo", disse Trump.

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