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O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim (E), e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, participam de coletiva de imprensa, em Ancara, no dia 22 de julho de 2016

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A Turquia destituiu 149 oficiais de alta patente das Forças Armadas e mandou fechar dezenas de veículos de comunicação - anunciou um funcionário do governo nesta quarta-feira (27), em meio à intensificação do expurgo lançado no país após a tentativa de golpe em 15 de julho.

Três agências de notícias, 45 jornais e 16 canais de televisão foram afetados pela medida. De acordo com a mesma fonte, 23 emissoras de rádio, 15 revistas e 29 editoras também foram fechadas.

"Foram destituídos por sua cumplicidade na tentativa de golpe de Estado", declarou a fonte, em referência aos militares, destacando que são 87 oficiais superiores do Exército, 30 da Aeronáutica e 32 da Marinha.

O mesmo decreto determina a destituição de cerca de 1.500 oficiais de menor patente.

Essas destituições acontecem na véspera de um Conselho Militar Supremo, previsto para esta quinta, em Ancara. Participarão da reunião o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, e outros oficiais de alta patente. O objetivo é fazer um amplo remanejamento das Forças Armadas.

Desde a tentativa de golpe, 178 generais foram colocados sob custódia, ou seja, metade dos generais e almirantes das Forças Armadas, de acordo com números divulgados pelo Ministério turco do Interior.

Os expurgos na Turquia já atingiram milhares de funcionários públicos e levaram à prisão mais de 90 jornalistas.

Nenhum dos veículos atingidos pela decisão desta quarta-feira teve o nome divulgado, mas segundo a emissora de televisão privada CNN-Türk, trata-se, essencialmente, de meios de comunicação locais. Também há alguns de difusão, ou de audiência nacional.

A agência de notícias Cihan está entre eles, juntamente com a emissora pró-curda IMC TV e o jornal de oposição Taraf.

O jornal Zaman e sua versão inglesa, o Today's Zaman - que fazem parte, assim como a agência Cihan, de uma holding ligada ao pregador Fethullah Gülen -, também foram abruptamente fechados.

Horas antes, a Justiça havia decretado a prisão de 47 funcionários do jornal Zaman, entre eles o redator-chefe e vários editorialistas. Na segunda-feira, outros 42 jornalistas foram alvo de ordens de detenção.

Ancara acusa o pregador exilado nos Estados Unidos de ter orquestrado o complô contra o governo do presidente Recep Tayyip Erdogan. O clérigo desmente a acusação.

A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) pediu à União Europeia que pressione o governo turco para que respeite a liberdade de imprensa.

Mais cedo nesta quarta-feira, o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, advertiu em entrevista à TV britânica SkyNews que os expurgos que afetam a educação, a justiça, as Forças Armadas e a imprensa "não terminaram".

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