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Uma modelo apresenta uma criação dos holandeses Viktor&Rolf, em Paris, no dia 6 de julho de 2016

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A Semana de Alta-costura encerrou nesta quarta-feira em Paris com desfiles que combinaram a tendência de uma moda "crafty", valorizando o artesanal e próxima da natureza.

Viktor&Rolf feito à mão

Para marcar seu território, afirmando a tradição artesanal em uma era de transformações, a linha de frente da moda, Dior e Chanel, prestou homenagem aos ateliês, a face invisível da indústria onde a mágica acontece.

Os holandeses Viktor&Rolf também exploraram esse tema com uma coleção que misturou retalhos, entrelaçou e sobrepôs tecidos e cores muito variadas.

A natureza está muito próxima, com toques românticos e dos anos 1970. "Usamos 25 anos de tecidos de nossos arquivos", disse Rolf após o desfile. "Tínhamos vontade de olhar para trás em nossa própria história e criar algo novo. A estética é muito 'crafty', de maneira exagerada: queremos enfatizar a ideia de é feito à mão".

Jean Paul Gaultier zen e natural

Modelos de cabeleira em tons castanhos, uma passarela de madeira, tonalidades de bronze: Jean Paul Gaultier se afastou da vida urbana e suas turbulências para uma coleção outonal em contato com a natureza.

Os vestidos reproduzem os veios da madeira, estampados em cetim e couro ou representados em drapeados entrelaçados.

A palheta de cores combina, usando cores de outono: marrons, ferrugem, verde e cáqui.

Jean Paul Gaultier, cuja última coleção foi inspirada na noite parisisense, mostrou dessa vez as paisagens do Japão, guardadas em sua memória após uma viagem. "Vi jardins magníficos, materiais tratados de uma maneira muito pura, e me veio essa vontade de verde, de zen, de quase ioga, de respiração".

Históricos Margiela e Valentino

Para a Maison Margiela, o estilo artesanal faz parte de seus próprios códigos. Seus modelos se sobrepõem, superdimensionam, como um quebra-cabeça de formas clássicas do guarda-roupa.

Dessa vez John Galliano fez isso usando elementos do século 18 e referências à Revolução Francesa, com os último resquícios de coloridas excentricidades antes que se abatesse sobre o vestir a face sombria e puritana do industrial século 19.

Outros modelos têm um estilo mais contemporâneo, como a volta das botas altas cobrindo os joelhos, também vistas nos desfiles da marca Vetements, entre outras.

O desfile de Valentino sempre soa como um chamado à ordem e a serenidade do classicismo. Para o que poderia ser sua última colaboração em dupla, Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli buscaram referência histórica, desta ver elizabetana.

Golas, ombreiras e colares suntuosos vestiam as modelos como princesas renascentistas de pureza quase inacessível ou saídas de uma obra de Shakespeare.

A Alta-costura em seu caráter mais suntuoso apareceu em uma saia de plumas e em conjuntos que imitavam mantos reais com gola de arminho.

A dupla foi aplaudida de pé. Os dois estilistas quadruplicaram, em cinco anos, as vendas da maison Valentino a ponto dos boatos darem conta que a Dior - que não desmentiu - anunciaria em breve a contração de Chiuri para sua criação artística.

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