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O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas, no dia 19 de abril de 2016

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A Venezuela expressou nesta quinta-feira seu "repúdio categórico" ao que considera um "golpe de Estado parlamentar no Brasil que, mediante farsas jurídicas das cúpulas oligárquicas e forças imperiais, pretendem derrubar a presidenta Dilma Rousseff" - segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores.

O governo do presidente chavista Nicolás Maduro, aliado político de Dilma, afirmou que se está "substituindo a soberania popular, pondo em risco a Constituição e a democracia".

Maduro e o seu antecessor Hugo Chávez (1999-2013) estabeleceram amplos laços comerciais e políticos com os governos de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para a Chancelaria venezuelana, o afastamento da presidente brasileira de seu cargo é "um ataque motivado pela vingança daqueles que perderam as eleições e são incapazes de chegar ao poder político por outra via que não a força".

O comunicado acrescenta que Dilma conta com "o acervo moral, a dignidade e a histórica capacidade de luta" para ser "garantia para a democracia, as conquistas sociais do povo brasileiro e a unidade 'nuestroamericana'".

Afirma, ainda, que o suposto golpe contra Dilma foi planejado desde que ela chegou ao poder, com ações como "a sabotagem, a desinformação e a mentira", que incluíram "o extremo de pretender impedir a realização de eventos esportivos de grande transcendência mundial no Brasil, com o propósito de desprestigiar o governo e suas autoridades".

A Venezuela também faz um apelo "aos povos do mundo" a se prepararem para "a defesa da democracia, da presidenta Dilma Rousseff e dos processos de unidade e de integração entre nossos países".

Nesta quinta à noite, Maduro prometeu tomar medidas para impedir que a oposição atente contra seu governo, ao rejeitar o "golpe de Estado" contra Dilma.

"O golpe de Estado no Brasil é um sinal grave para o futuro da estabilidade de todo o continente. (...) E sei que agora vêm para a Venezuela. Por isso, amanhã (sexta-feira), no âmbito da renovação do decreto de emergência econômica, vou fazer anúncios importantes para defender a paz e a integridade da nossa República", disse Maduro em pronunciamento transmitido pela emissora estatal.

"Nós assumimos a presidência do Mercosul dentro de um mês, e a cúpula do Mercosul tem de ser aqui na Venezuela, e isso vai afetar, sem dúvida alguma", acrescentou.

Maduro acusou o presidente americano, Barack Obama, de estar "por trás do golpe" no Brasil e de tentar "acabar com as correntes progressistas na América Latina".

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