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Por Emily Flitter

NOVA YORK (Reuters) - As dúvidas explícitas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a respeito da mudança climática e o empenho de seu governo para reverter a regulação para combatê-la atiçaram uma facção dormente da política norte-americana: o movimento ambientalista republicano.

Os vários grupos representam conservadores, católicos e a geração mais jovens de republicanos que, ao contrário de Trump, não só reconhecem a ciência por trás da mudança climática, mas querem ver seu partido tomar a iniciativa dos democratas e liderar os esforços de combate ao aquecimento global.

    Grupos ambientalistas conservadores como o ConservAmerica e o republicEn, assim como entidades religiosas apartidárias como a Aliança Católica para o Clima e grupos bipartidários como o Lobby dos Cidadãos pelo Clima, intensificaram as ações para recrutar mais congressistas republicanos para que estes abordem a mudança climática desde a eleição de Trump.

    Os ambientalistas conservadores estão advogando o que chamam de soluções de "livre iniciativa" para a mudança climática, como um imposto sobre o carbono. Trata-se de um contraste diante da abordagem de ambientalistas liberais dos tempos do ex-presidente Barack Obama, que apoiavam proibições a certos tipos de prospecção de petróleo e regulamentações para desestimular o uso da commodity.

    Mas sejam quais forem as diferenças, os grupos conservadores dizem que têm um papel importante a desempenhar.

    "Agora os conservadores têm uma chance de reconquistar a confiança dos americanos em questões ambientais", disse Alex Bozmoski, diretor de estratégia do republicEn. "Eles podem conduzir a uma direção completamente diferente que na verdade faz a economia crescer ao mesmo tempo em que corta os gases de efeito estufa".

    Os esforços dos ativistas não conquistaram nada nem parecido com uma maioria no Capitólio. Só cerca de 20 dos 237 republicanos da Câmara dos Deputados se pronunciaram a respeito da mudança climática neste ano. Mas eles esperam formar um bloco grande o suficiente no Congresso, ou conseguir influência suficiente na Casa Branca, para moderar a agenda de Trump.

    O lobby já deu alguns resultados: um bloco de votação pró-ambiente do Congresso, o Caucus Soluções para o Clima, conseguiu filiar mais republicanos nos últimos dois meses do que no último ano da gestão Obama --seu primeiro ano de atuação.

    Estimulado por uma coalizão de grupos conservadores e religiosos, entre eles a Aliança Católica para o Clima, um punhado de outros republicanos também assinou uma resolução parlamentar prometendo abordar a mudança climática.

    A resolução não é obrigatória, mas representou um desafio direto à abordagem climática de Trump, um sinal explícito de discórdia dentro do partido.

Reuters