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O piloto suíço André Borschberg participa de coletiva de imprensa, no Cairo, no dia 16 de julho de 2016

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O piloto suíço André Borschberg entrou para a história da aviação ao completar um voo solo entre Japão e Havaí - o mais longo já realizado -, uma façanha à altura da realizada nesta segunda-feira por seu compatriota, Bertrand Piccard, que concluiu a inédita volta ao mundo de um avião solar.

Como a aeronave é dotada de um sistema de propulsão solar e só consegue transportar um único piloto, Borschberg, de 63 anos, e Piccard, de 58 anos, Bertrand Piccard, se revezaram em cada etapa da extraordinária volta ao mundo, concluída em Abu Dabi.

Enquanto a primeira travessia do Atlântico foi realizada por Piccard em uma distância de 6.765 quilômetros, coube a Borschberg cumprir a árdua tarefa de pilotar a aeronave por 8.924 km sobre o Pacífico em pouco menos de 5 dias e 5 noites, de 28 de junho a 3 de julho de 2015, o voo solo mais longo já realizado.

"O sonho virou realidade", tuitou Borschberg depois de pousar na ilha de Oahu.

O recorde anterior de voo solo pertencia a por Steven Fosset, ao voar durante 76 horas e 45 minutos, pouco mais de três dias.

Sozinho no meio do oceano Pacífico, dentro de uma cabine que permitia apenas que se sentasse ou deitasse, André Borschberg passou 120 horas no ar na etapa mais longa da volta ao mundo a bordo do Solar Impulse 2.

Naqueles dias, o piloto não pôde dormir mais de 20 minutos seguidos. Durante estes breves repousos, braceletes vibratórios conectados ao piloto automático se encarregavam de despertá-lo ante a menor anomalia.

Antes da decolagem, afirmou que a travessia seria uma ocasião extraordinária para se auto-descobrir.

Alto, de porte atlético, André Borschberg diz tirar sua força mental da ioga e da meditação, que pratica no jardim de sua casa, situada junto ao idílico lago Lemán em Nyon, entre Genebra e Lausanne.

Também praticou durante o voo, transformando seu assento em uma esteira de ioga, com posturas especialmente adaptadas por seu iogue particular, Sanjeev Bhanot, a quem segue há uma década.

"O ioga é um grande apoio para o voo (...) afeta positivamente meu humor e minha moral", afirmou em um tuíte na quinta-feira, acompanhando-o de uma foto em postura relaxada.

Dois amigos e um desafio

Engenheiro, empresário, piloto de caça e de helicóptero... Borschberg, homem aventureiro de múltiplas facetas, conseguiu escapar da morte em duas ocasiões: de uma avalanche, há 15 anos, e de um acidente de helicóptero em 2013.

Nascido em Zurique no dia 13 de dezembro de 1952, estudou em Lausanne, na prestigiosa Escola Politécnica Federal, onde obteve seu título de engenheiro em mecânica e termodinâmica.

Depois, completou sua formação com diplomas em administração de empresas nos Estados Unidos e em Lausanne.

Piloto de caça no exército durante muitos anos, seu primeiro trabalho na vida civil foi como consultor no gabinete McKinsey, onde ficou por cinco anos antes de começar a empreender por conta própria.

Montou na época duas start-ups, e cofundou a companhia Innovative Silicon, especializada em microprocessadores.

Com seu amigo, sócio e alter ego, o piloto e psiquiatra suíço Bertrand Piccard, decidiu se lançar ao projeto Solar Impulse, possivelmente a maior aventura de suas vidas.

Foi ele quem supervisionou a construção do avião solar e quem realizou, em 7 de julho de 2010, o primeiro voo da história de 26 horas com a primeira versão da revolucionária aeronave.

Em 2015, a dupla Piccard-Borschberg se lançou ao grande desafio: dar a volta ao mundo com uma versão melhorada do primeiro avião, o Solar Impulse 2.

Dotado de asas revestidas com mais de 17.000 células fotovoltaicas, de uma envergadura de 72 metros próxima a de um Airbus A380, a aeronave voa a uma velocidade compreendida entre 50 e 100 quilômetros por hora.

O Solar Impulse 2 havia decolado em 9 de março de Abu Dabi para dar uma volta ao mundo de 35.000 quilômetros, uma aventura destinada a promover o uso das energias renováveis, em particular a energia solar.

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