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O primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan deposita seu voto na primeira eleição presidencial direta no país

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A primeira eleição de um presidente por sufrágio universal neste domingo, na Turquia, é um acontecimento muito importante para o país, declarou o primeiro-ministro e candidato grande favorito Recep Tayyip Erdogan.

"Nosso povo elege pela primeira vez sem intermediários seu presidente. É um acontecimento muito, muito importante para a história política da Turquia", declarou o homem forte do país ao depositar seu voto, acompanhado da família, em Istambul.

Chefe do governo desde 2003, Erdogan enfatizou novamente ante a imprensa sua vontade de manter as rédeas do país, agora como presidente, função honorária que pretende reforçar.

"O presidente eleito e o governo eleito trabalhão lado a lado para levar o país a seus objetivos fixados para 2023 (ano do centenário da criação da República) e 2071 (milênio simbólico da chegada dos turcos à Anatólia vindos da Ásia Central)", afirmou.

Erdogan, de 60 anos, que votou ao lado da esposa Emine, seus dois filhos e duas filhas, foi saudado por dezenas de seguidores na saída do colégio eleitoral no bairro de Uskudar.

"A Turquia tem orgulho de você", gritavam os partidários.

Na véspera, Erdogan prometeu construir uma "nova Turquia" se vencer a eleição presidencial deste domingo.

Todas as pesquisas apontam sua vitória nas urnas.

Erdogan, que se vangloria do crescimento da economia e de ter terminado com o poder dos militares, disputa a presidência, neste domingo, com o professor Ekmeleddin Ihsanoglu, um especialista em Islã.

O ainda premiê quer uma presidência com todos os poderes, o que é criticado por seu adversário.

"Atualmente, a democracia enfrenta outro problema: o acúmulo de todos os poderes em uma única mão, por um lado, e o desaparecimento do princípio de separação de poderes, do outro", alertou Ihsanoglu.

Recep Tayyip Erdogan encerrou a campanha no sábado diante de milhares de simpatizantes reunidos em seu reduto eleitoral de Konya.

"Vocês elegeram o Partido do Povo em 3 de novembro (de 2002) e, se Deus quiser, vão eleger o presidente do povo amanhã", acrescentou ele, referindo-se a seu partido, o da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), no poder desde 2002.

"A hora do fim da Velha Turquia e de suas políticas partidárias (...) já bateu. As políticas fundadas na origem étnica e no estilo de vida já terminaram", insistiu Erdogan, que se autoproclamou "candidato do povo" e prometeu ser o presidente "dos 77 milhões de turcos" e lutar contra "todas as discriminações".

Na disputa, Erdogan enfrenta um candidato comum dos dois principais partidos de oposição, o professor de História Ekmeleddin Ihsanoglu, de 70 anos, e ex-chefe da Organização da Cooperação Islâmica (OCI), e o advogado Selahattin Demirtas, de 41 anos, do Partido Democrático Popular (HDP), que representa a minoria curda do país.

Na última pesquisa publicada esta semana pelo instituto privado Konda, Erdogan aparece com 57% das intenções de voto, contra 34% para Ihsanoglu, candidato do Partido Republicano do Povo (CHP, social-democrata) e do Partido de Ação Nacionalista (MHP, nacionalista de direita). Já Demirtas conta com 9% das preferências.

Pelo menos 53 milhões de eleitores turcos são esperados nas urnas. Os resultados devem começar a ser anunciados na noite de domingo.

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