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Campanha contra a malária é vista em Lagos, Nigéria, no dia 24 de abril de 2015

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O número de casos de malária no mundo cai graças à prevenção, aos tratamentos e à luta contra esta doença que afeta principalmente crianças e 6,2 milhões de vidas foram salvas nos últimos 15 anos - destacaram nesta quinta-feira a OMS e a Unicef.

Os novos casos de malária diminuíram 37% desde 2000 e sua mortalidade 60%, o que representa cerca de 6,2 milhões de vidas preservadas, segundo um relatório conjunto destas agências da ONU.

Segundo a Organização Mundial de Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a meta de inverter a curva estatística da malária em 2015, definida como um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, foi alcançada.

A malária mata sobretudo crianças. Os menores de 5 anos representam dois terços de mortes pela doença, lembrou o informe, assinalando que a mortalidade infantil diminuiu 65% nestes 15 anos, o que representa 5,8 milhões de vidas preservadas.

Mas a luta deve continuar: para 2015, o relatório prevê 214 milhões de novos casos que provocarão a morte de aproximadamente 438.000 pessoas, embora a malária seja uma doença diante da qual é possível se proteger e se curar.

As conclusões do relatório serão divulgadas nesta quinta-feira em Londres pela diretora-geral da OMS, Margaret Chan, e a secretária de Estado britânica Justine Greening. A Grã-Bretanha triplicou o financiamento entre 2008 e 2015.

Inúmeros países estão a ponto de eliminar por completo a malária, com uma queda mais acentuada no Cáucaso, Ásia Central e leste da Ásia, segundo o comunicado.

Em 2014, treze novos países registraram zero casos e em seis países foram registrados menos de dez casos.

- Um dos 'maiores sucessos' desde 2000 -

"O controle global da malária é um dos maiores sucessos das políticas de saúde pública nestes últimos 15 anos", afirmou Chan no relatório. "É um sinal de que nossas estratégias são as corretas e podemos vencer este velho assassino, que continua gerando milhares de mortes, principalmente de crianças", disse a médica.

Alguns países concentram o maior número de casos: em 2015, 15 - principalmente situados na África subsaariana - registraram 80% dos casos e 78% das mortes.

"A malária mata principalmente crianças pequenas, em especial as que vivem nos lugares mais pobres e isolados. Em consequência, a melhor maneira de comemorar o progresso alcançado é se comprometendo a ajudar os países que mais precisam. Já que podemos fazê-lo, temos a obrigação de fazê-lo", afirmou Antony Lake, diretor-executivo da Unicef.

O financiamento da luta se multiplicou por 20 desde 2000 e permite dividir um total de quase 1 bilhão de mosquiteiros pré-tratados com inseticidas, um dos meios de luta mais eficazes. Este instrumento representa cerca de 68% dos casos evitados, segundo um estudo da Universidade de Oxford.

Hoje em dia, cerca de 68% das crianças menores de 5 anos na África subsaariana dormem protegidos com mosquiteiros. Em 2000 eram menos de 2% mas uma em cada quatro crianças destas regiões ainda vivem num lar desprovido de mosquiteiros.

Em maio passado, a assembleia-geral da OMS em Genebra adotou sua estratégia para os próximos 15 anos com o objetivo de conseguir uma redução de 40% dos casos para 2020 e 90% para 2030.

A OMS busca eliminar completamente a malária em 35 novos países em 15 anos.

Isto implica, segundo a OMS, que sejam universalmente disponíveis os meios de luta, diagnóstico e vigilância, e que o desenvolvimento de remédios e novos e eficazes inseticidas sejam financiados. A OMS estimou um investimento de 100 milhões de dólares.

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