swisstopo Novas tecnologias relevam topografia suíça

Para comemorar seus 175 anos, a Secretaria Federtal de Topografia da Suíça inova além do GPS e do Google Maps. Swisstopo, nome do organismo federal suíço, atende uma demanda que ultrapassa as fronteiras suíças.

A ferramenta de "viagem no tempo" da swisstopo é a primeira do mundo que permite que seus usuários olhem no mapa a evolução topográfica de uma região através dos anos com uma incrível precisão. O programa foi desenvolvido em resposta a uma lei de 2007 que disponibiliza o acesso do público aos mapas históricos.

"Essa ferramenta será útil para qualquer pessoa interessada em um acontecimento histórico retratado em um mapa e também esperamos que ela seja usada por amadores e especialistas", declarou o especialista em mapas da swisstopo na apresentação da nova ferramenta.

  

"É claro que já existem mapas interativos de toda a Europa onde se pode ver as mudanças das fronteiras dos países ao longo de centenas de anos", aponta Christian Rohr, professor de história ambiental e climática da Universidade de Berna. "Mas, o que é diferente na ferramenta 'viagem no tempo' da swisstopo é sua resolução extremamente alta."

A ferramenta permite que os usuários ampliem a uma resolução de até 200 metros, proporcionando uma “visão de pássaro” para características geográficas e edifícios.

De acordo com swisstopo, existem três tipos de mapas históricos incluídos na ferramenta, a edição chamada “Dufour”, do nome do general suíço e fundador da swisstopo Guillaume-Henri Dufour, com uma escala de 1:100.000; o mapa da série “Siegfried” a partir de 1870, com escalas de 1:25.000 e 1:50.000, e a mais recente edição do mapa nacional. Swisstopo conta com mapas de uma escala até 1:1.000.000.

Valor educacional

Rohr explica à swissinfo.ch que a ferramenta será especialmente útil para mostrar a seus alunos a forma como o desenvolvimento tem afetado as paisagens ao longo do tempo, especialmente a planície de inundação do rio Gürbe, que está sendo atualmente examinada por um grupo de pesquisadores. O rio Gürbe passa por 29 km do cantão de Berna e sua planície de inundação foi totalmente manipulada para o uso agrícola.

Heidi Haag, geógrafa da Associação Suíça de Planejamento Urbano, concorda que a ferramenta será muito útil na sala de aula - ela própria dá cursos introdutórios de planejamento urbano para adultos, especialmente para políticos.

O empresário da internet Simon Poole, que preside a fundação que supervisiona o projeto mundial OpenStreetMap, também considera principalmente o valor educacional do novo programa da swisstopo.

"Eu acho que a ferramenta ilustra bem as mudanças drásticas que a paisagem suíça passou, especialmente nos últimos 50 anos. Eu pessoalmente me lembro muito bem do início do frenesi da construção e a ferramenta ajuda a visualizar as mudanças para as crianças e adultos que não viveram esse período", disse à swissinfo.ch.

Preparando o terreno

Enquanto a pesquisa de Rohr em Berna foca o passado climatológico da Suíça, o professor Christophe Girot, do laboratório de arquitetura paisagista da Escola Politécnica Federal de Zurique, tenta obter uma visão futura da topografia do país com ferramentas de desenho tridimensional.

"Nós não usamos a swisstopo na forma convencional, porque estamos realmente interessados em ferramentas 3D, planejamento 3D e problemas de design", diz. "Nós trabalhamos muito com os serviços de ecossistemas e acreditamos que a próxima geração de ensino tem a ver com os sistemas de informação geográfica 3D".

Girot e seus colegas pesquisadores usam, por exemplo, ferramentas chamadas scanners a laser terrestres em cima dos mapas bidimensionais da swisstopo, incorporando um modelo de alta definição 3D neles. O objetivo é ver o futuro e entender como as mudanças climáticas e outros fatores podem influenciar a paisagem suíça nos próximos anos.

Por sua parte, a swisstopo também começou a usar a tecnologia tridimensional, oferecendo panoramas em 3D e "voos" destinados a mostrar pontos do mapa em vários ângulos. Mas Girot acha que ainda é necessário o trabalho mais tradicional da swisstopo.

"Eu acho que a cartografia tem o seu lugar e é um valor muito elevado [na Suíça]", disse à swissinfo.ch. "Eu trabalho no terceiro mundo e conheço poucos países com o nível de precisão do seu território como os suíços, por isso é um tesouro incrível ter isso. Eu vejo a abordagem 3D como cortesia [à cartografia tradicional], especialmente em ambientes alpinos".

Futuro

Como será a swisstopo nos próximos 175 anos, ninguém sabe ao certo. No entanto, Poole acredita que o futuro do organismo está em se concentrar no que faz melhor.

"Provavelmente, eles vão continuar fazendo mapas convencionais em papel, simplesmente porque ninguém mais pode produzir isso de forma economicamente viável devido ao tamanho do mercado", diz.


Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch



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