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(22 set) O cirurgião Isam al-Rasi brinca com a pequena Amena no hospital antes de operá-la

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Com seu minúsculo tórax aberto, Amena, 9 meses, espera por uma cirurgia de alto risco. Ela é um dos pequenos refugiados sírios que o cardiologista libanês Isam al-Rasi salva toda semana, apesar da falta de recursos para as operações.

"Vi bebês morrer quando seu pai buscava ajuda para coletar fundos para a operação", conta, visivelmente emocionado, o dr. Rasi, o cirurgião cardíaco pediátrico mais conhecido do Líbano.

Apesar de sua pesada agenda e um hospital de Beirute, o médico dedica um dia por semana para operar crianças refugiadas sírias ou palestinas no Hospital Hamud, sul do Líbano.

Ele geralmente não aceita pagamento para tentar reduzir os custos da operação para pais sem recursos e foragidos da guerra em seu país.

"Isso faz parte do nosso dever, não da nossa profissão. Se há um bebê que tem que ser operado, ele vai ser operado", enfatiza.

Agora ele se ocupa de Amena al Helou, que nasceu com o coração com um único ventrículo.

O silêncio em torno do pequeno corpo coberto pelo lençol verde só é quebrado pelo som dos bips do equipamento que controlam as funções vitais da menina.

Na sala de espera, os pais de Amena, Jalil e Amira, esperam ansiosos pelo resultado da operação da menor de seus seis filhos.

Eles estão refugiados no Líbano desde 2013 e Jalil, de 39 anos, sustenta sua família trabalhando na agricultura. A família teve de se endividar para pagar a cirurgia.

- 'Soma exorbitante' -

O hospital Hamud oferece aos refugiados tarifas reduzidas nas operações. A ONU banca 75% dos custos, mas as famílias têm que encontrar ainda os 1.800 euros restantes, uma quantia incompatível com seu rendimento.

"Pedi dinheiro emprestado a diferentes pessoas, meu irmão, meu primo, outros familiares", explicou Jalil. "O difícil será devolver, não sei como vamos fazer. Mas não há outra opção. É o ser mais precioso que tenho", acrescentou.

Mais de um milhão de sírios se refugiaram no Líbano desde o princípio da guerra em 2011. O pequeno país de quatro milhões de habitantes tem dificuldades para fazer frente a essa afluência.

A Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) fez um apelo para reunir os 134 milhões de dólares para cobrir os gastos do hospital de refugiados no Líbano em 2016, mas so conseguiu 36 milhões.

Hoje em dia, a ONU só consegue cobrir 50% das necessidades em termos de saúde dos refugiados sírios no Líbano, lamenta Michael Woodman, médico e chefe da saúde pública da ACNUR.

A situação revolva o dr. Rasi.

"Não se pode pedir a um pai que vive numa barraca de campanha que pague 2.700 euros por uma operação, uma soma exorbitante", critica.

Depois de operar Amena co sucesso, o médico atende Ali, um menino de 18 meses que tem problemas de respiração. Ele também nasceu cm um único ventrículo, mas teve que esperar três meses para operar, sofrendo com uma infecção pulmonar.

"A operação atrasou porque tivemos de achar dinheiro", explica o pai, Ahmed Hasun, 29 anos e originário da província de Idlib, no norte da Síria.

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