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Foto tirada em 20 de agosto de 2017 com o consentimento do companheiro de casa do imã Abdelbaki Es Satty mostra a vista do apartamento em Ripoll

(afp_tickers)

Em Ripoll, pequena cidade próxima aos Pirineus catalães, todos suspeitam que o imã marroquino Abdelbaki Es Satty, que vivia ali há dois anos, "fez a cabeça" dos autores dos atentados de Barcelona e Cambrils.

Ele morreu na semana passada em uma explosão ligada à manipulação de explosivos em Alcanar, 200 km a sudoeste de Barcelona, onde a célula que cometeu os ataques em Barcelona e Cambrils preparava "um ou vários atentados", afirmou nesta segunda-feira o chefe da Polícia da Catalunha, Josep Lluis Trapero.

O imã vivia em um velho apartamento de dois quartos - au custo de 150 euros mensais por pessoa, segundo um colega que dividia o aluguel com ele -, com vista para a montanha e para os telhados desta localidade, 90 km ao norte de Barcelona.

"Na terça-feira de manhã foi embora explicando que ia para o Marrocos de férias", disse Nordeen El Haji, de 45 anos, vendedor de frutas, que estava no apartamento há quatro meses.

Es Satty desapareceu e a Polícia investigava a possibilidade de que tivesse morrido na explosão da casa em Alcanar, na quarta-feira à noite.

"Falava pouco, passava o tempo com seu computador no quarto, tinha um celular antigo sem Internet, poucos livros", acrescenta Nordeen El Haji.

Em um móvel fica a ordem judicial de busca, emitida na sexta-feira, poucas horas após os atentados que deixaram 14 mortos e 120 feridos.

- Traficante de drogas -

O jornal espanhol El Mundo, citando fontes antiterroristas, revelou que Abdelbaki Es Satty saiu da prisão em janeiro de 2012, "onde começou uma amizade particular com Rachid Aglif", conhecido como El Conejo (O Coelho), condenado a 18 anos de prisão pelos atentados extremistas contra vários trens em 11 de março de 2004, que deixaram 191 mortos em Madri.

"O imã teve algum problema judicial, mas não relacionado ao terrorismo", disse Josep Lluis Trapero.

Segundo El Mundo, Es Satty foi preso por sua relação com o tráfico de haxixe entre Ceuta e Algeciras.

Enquanto a imprensa especulava sobre a influência que exerceu nos jovens - em alguns casos menores de idade - envolvidos nos atentados, seu companheiro de apartamento assegura que "em quatro meses não recebeu nenhum jovem" em casa.

"Este imã era [alguém] normal em público", explicou à AFP Mohamed Akhayad, eletromecânico de 26 anos que frequentava a casa de orações aberta em 2016, onde ele pregava.

"Se fez a cabeça dos rapazes, era sozinho, às escondidas, em algum lugar secreto, porque agora sabemos que tinham relações e formavam uma célula", disse, na cafeteria a marroquina Esperanza.

- 'Férias no Marrocos' -

"Era muito solitário, se relacionava mais com os jovens do que com as pessoas de sua idade", assegurou, anonimamente, um marroquino de 43 anos, explicando que organizava partidas de futebol das quais participavam os jovens envolvidos nos atentados, como Moussa Oukabir, de 17 anos, morto no atentado de Cambrils, descrito como "um dos melhores jogadores".

Na rua onde vivia o religioso, um catalão de 64 anos, Francesc Gimeno, pintor, afirmou que "tinha reputação de ser muito islamita, queria que todos os marroquinos pensassem como ele, colocava a religião acima da convivência e de tudo".

Gimeno o acusou de "querer obrigar as mulheres marroquinas da cidade a se cobrir".

"É mentira", reagiu Hammou Minhaj, marroquino de 30 anos, secretário da comunidade muçulmana de Ripoll "Annour". "Aqui na mesquita não dizia isso. Fora, eu não sei".

Segundo ele, Abdelbaki Es Satty chegou em 2015 a Ripoll, e depois "foi para a Bélgica como imã, isso é o que dizia", antes de contar: "começou em abril de 2016 em nossa nova mesquita. O importante era que conhecia o Alcorão melhor do que nós".

"No fim de junho pediu três meses de férias para ir ao Marrocos".

Na sala de orações de Ripoll, os nomes de dois dos doze suspeitos dos atentados constam da lista doadores de fundos à mesquita, entre os quais o de "Younes Abou Yacoub".

Este marroquino de 22 anos, suspeito de ter matado sozinho 14 pessoas em Barcelona, ao jogar a van que dirigia contra uma multidão de turistas que lotava a avenida de pedestres Las Ramblas, também morreu, executado na segunda-feira pela Polícia no oeste de Barcelona.

Em M’rirt, pequena cidade marroquina de 35.000 habitantes, a família do jovem acusou no fim de semana "um imã de Ripoll" de ser o cérebro dos atentados desta semana.

"Há dois anos Younes [que teria dirigido a van que atropelou a multidão em Barcelona] e Houssein começaram a se radicalizar sob a influência deste imã de Jebala [ao norte do Marrocos]", disse à AFP o seu avô.

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AFP