Navegação

Menu Skip link

Funcionalidade principal

Copa do Mundo 2018 Imprensa suíça considera empate como vitória da "Nati"

A imprensa suíça acordou eufórica na segunda-feira. Os jornais falam como se o sistema antiatômico do país tivesse sido usado, tamanha a surpresa pelo empate no jogo entre Davi e Golias disputado ontem em Rostov (1-1). Não a Suíça não foi atomizada, muito pelo contrário. Alguns escrevem que a teatralidade de Neymar é que incomodou.

Swiss midfielder Steven Zuber (right) celebrates after scoring the equalizer

O meio-campista  Steven Zuber (direita) celebra o gol que empata o jogo entre a Nati e a seleção brasileira. 

(Keystone)

O NZZ, sisudo e prestigioso jornal de Zurique, não poupou elogios à "Nati", como a seleção suíça é carinhosamente chamada. "...Os suíços desejavam um jogo perfeito, uma noite mágica em Rostow. E no final, foi realmente uma noite memorável, embora nada que permaneça para a eternidade. Teria seria necessário mais para ter uma vitória dos sonhos. Ainda mais coragem, ainda mais classe, melhor primeiro semestre, talvez..."

A atenção estava voltada principalmente para um jogador suíço. "...No final, foi preciso ter sorte para esse 1 a 1 contra o Brasil e, acima de tudo, a vontade quase desumana de sacrifício de um jogador como o Valon Behrami, um homem imune às dores e que, apesar de doente, jogou como se lutasse pela vida..."

E fazendo um balanço do resultado, o jornal de Zurique ressalta que a seleção suíça não começa uma Copa com vontade de perder. "...Pela quinta vez consecutiva a seleção suíça não perdeu um jogo inicial da Copa do Mundo. Ela está acostumada a jogar campeonatos mundiais contra grandes adversários. Em 2006 foi o empate contra a França de Zidane; em 2010, uma vitória de um a zero contra a Espanha de Iniesta. Durante muitos anos a vitória contra os espanhóis na África do Sul foi considera a mais prestigiada de um time suíço. Mas, ao mesmo tempo, foi uma das vitórias mais feias de todos os tempos, porque ela foi por acaso e não conquistada no jogo..."

A principal explicação está no trabalho feito pelo treinador suíço nos últimos anos. "...Petkovic treinou a equipe nos últimos quatro anos para se tornar mais independente, afastando-os de uma mentalidade de "ostra". Muitos treinadores teriam tentado se esconder do Brasil para conter o estrago. Foi assim que os jogadores suíços se comportaram por muitos anos. Eles esperavam pelos erros dos outros e não confiavam em si mesmos. Todavia, a primeira partida da Copa do Mundo na Rússia mostrou que a seleção suíça não apenas joga um bom futebol quando se trata de disputar uma partida contra a Letônia ou as Ilhas Faroe. Seu estilo de jogo mostra isso, mesmo contra o Brasil. Essa é a mensagem de Rostov. Nunca viu uma equipa suíça com Petkovic frente a um adversário de classe mundial melhor do que esta noite na Rússia, talvez no máximo em 2016 contra Portugal..."

Azarões incomodam os favoritos

O jornal "20 Minutos" publica manchetes com letras garrafais para comemorar o empate como se fosse uma vitória. "...Que começo para a Copa do Mundo! A Suíça decepciona a grande seleção brasileira. Com o empate, a Suíça permanece invicta pela quinta vez consecutiva em uma partida inicial na Copa do Mundo desde 1994. E assim ela se junta ao grupo de azarões que agora estão incomodando as grandes nações do futebol na Rússia..."

Para o jornal gratuito, a partida foi um duelo entre dois jogadores. "...Foi um sucesso do coração de luta e coragem. Exatamente como o treinador Vladimir Petkovic havia exigido de seus jogadores antes do início da Copa do Mundo. Ninguém incorpora essa paixão melhor do que Valon Behrami, o coração e os pulmões dessa seleção. Durante 71 minutos, ele venceu tantos duelos contra Neymar que o superstar parecia ter perdido o apetite pelo jogo..."

Teatralidade de Neymar

O Tagesanzeiger, jornal de Zurique, é mais comedido nos elogios, mas considera que a Nati teve um bom desempenho. "...Foi um jogo bastante apertado. Durante 85 minutos a Suíça jogou bem e teve a sorte de ter sobrevivido até o final da partida. Mesmo que Behrami tenha perdido os últimos 20 minutos. Behrami faz Neymar desesperar. Behrami, que provavelmente receberá uma oferta de toda a França..."

Porém o comentarista do jornal critica as quedas constantes de Neymar. "...Os comentários devem ser vistos como um elogio para ele. Behrami deu trabalho aos brasileiros e especialmente ao Neymar. Com sua dureza, vontade e poder de luta. Behrami estava em sua própria metade do campo. Ele era o trabalhador pesado na sala de máquinas da seleção suíça. Dirigiu as linhas de defesa. Ficou no caminho do adversário e repetidamente procurava o duelo contra Neymar. A única coisa que incomodava os suíços era a estupenda teatralidade de Neymar. Mas era só aparecer o Behrami que o Neymar caia..."

berset visit

Berset visit tweet

* imagem acima: presidente da Confederação Suíça, Alain Berset, encontrou os jogadores suíços um dia antes do jogo contra a seleção brasileira.

"Subir o Pão de Açúcar"

Já o Blick considera que a Nati provou maturidade e qualidade no jogo. Não sem elogiar também a seleção. "...Quem viu Valon Behrami lutando contra o Brasil, quase chorou como torcedor da seleção suíça. Impressionante, honesta, incrivelmente forte. Mesmo ferido, ele levou Neymar ao desespero. Nós vamos subir o Pão de Açúcar! Não apenas Behrami, mas todos os jogadores da 'Nati' e também o treinador Vladimir Petkovic, cujas táticas para enfrentar a equipe do Neymar deram certo..."

O jornal mais vendido na Suíça qualifica mesmo de 'histórico' o empate. "...O que a nossa seleção fez contra o Brasil nos deixa orgulhosos. Apesar do placar estar marcando inicialmente uma derrota de 0 a 1, os suíços permaneceram calmos. Ela mostrou amadurecimento ao manter o equilíbrio, mesmo estando disputando uma partida contra uma equipe de classe como a do Brasil. Foi um dos melhores desempenhos dos suíços em uma Copa do Mundo. Mesmo se o fator 'sorte' ter tido também o seu papel e sem a ajuda do árbitro de vídeo. Foi um jogo conquistado..."

Decepção com a "Seleção"

Na parte de língua francesa do país, os elogios à Nati demonstram também uma ponta de decepção pela seleção canarinho. "A Suíça não é mais café com leite", diz o jornal Arcinfo, de Neuchâtel. "Para sua primeira partida da Copa do Mundo, a equipe suíça conseguiu um grande feito, forçando o Brasil a engolir um empate", comemora.

O jornal La Liberté, do cantão de Friburgo, fala de uma verdadeira façanha e de um realismo frio na abertura de seu caderno reservado aos esportes. O diário aponta que o sexto lugar da Suíça no ranking da FIFA não é uma coincidência. "Mesmo não dando ainda o melhor de si, ela consegue encarar os maiores", escreve o jornal.

No cantão do Valais, o Le Nouvelliste acredita que a Suíça conseguiu "entrar pela grande porta" na Copa do Mundo. "Suíça mostra garra", título do Le Quotidien Jurassien. "Adoramos sua bravura, é claro, mas também sua segurança técnica e a calma dela depois do gol brasileiro", escreve o jornal do cantão do Jura em editorial.

"Uma proeza contra o favorito", diz o Le Matin, que dedica cinco páginas ao jogo. "Com este empate, a Suíça está pronta agora para mudar de status. Este ponto é uma promessa e coloca uma pressão positiva sobre esta equipe", escreve o tabloide da Suíça francófona, que também enche de elogios o jogador Valon Behrami, “que se mostrou fenomenal na sua 80ª seleção".

"A Suíça entra na dança se agarrando ao Brasil", diz o título do 24 Heures. "A Suíça se comportou como uma verdadeira equipe, seguiu as instruções para se arriscar no jogo sem abandonar sua defesa", observa ainda o jornal do cantão de Vaud.

Palavras-chave

Neuer Inhalt

Horizontal Line


Teaser Instagram

Suas perguntas se transformam em nossas matérias

Suas perguntas se transformam em nossas matérias

Suas perguntas se transformam em nossas matérias

subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.