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Copa do Mundo de 2014


Imprensa critica marcação do jogo de abertura




David Luiz (esq.) e Neymar celebrando um gol na partida entre Brasil e Croácia na Arena Corinthians em 12 de junho de 2014. (Reuters)

David Luiz (esq.) e Neymar celebrando um gol na partida entre Brasil e Croácia na Arena Corinthians em 12 de junho de 2014.

(Reuters)

O primeiro jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014 terminou com uma vitória de 3 a 1 contra a Croácia. A imprensa helvética elogia a festa de abertura, mas critica a arbitragem. Se os protestos e as críticas ao evento eram tema dos editoriais, hoje o que domina é impressão que a festa do futebol teve sua largada com a partida de estreia.

"Mais de cem mil pessoas festejaram em Copacabana na abertura perfeita da Copa do Mundo no seu próprio país. 'Estamos tão orgulhosos, é incrível', falavam muitos torcedores no mais conhecido calçadão do mundo. Todavia menos eufórico mostrou-se um pequeno grupo de manifestantes, que já no primeiro tempo reclamava o boicote ao evento no espaço do public viewing", descreve o correspondente do Der Bund, jornal de Berna.

"Uma festa colorida e alegre na abertura da Copa do Mundo", descreve o site da Teve e Rádio Pública da Suíça.

"Brasil ganha graças ao pênalti presenteado" titula o jornal Tagesanzeiger e dá o nome ao responsável pelo júbilo dos torcedores brasileiros depois o 3 a 1. "Todos esperam dele nada menos do que milagres nessa Copa. Sobre seus ombros estão depositados as esperanças da nação do futebol. Ele precisa levá-la ao Maracanã. No jogo de abertura contra a Croácia, Neymar conseguiu ontem atender às expectativas."

O correspondente do NZZ, um dos principais jornais da Suíça, resume o que assistiu nas ruas de São Paulo ao titular seu artigo com a palavra "Alívio". "O Brasil se transformou em uma casa de doidos: massas verde-amarelas festejam a primeira vitória da Seleção nas ruas e bares do país", escreveu Tjerk Brühwiller, ressaltando também os protestos isolados ocorridos na rua da maior cidade do país. "Foi uma pequena minoria desgostosa com o futebol que preferiam protestar ao invés de participar da festa. Todavia dava para sentir o cheiro de gás lacrimogênio pairando sobre São Paulo". 

Emoções nas ruas

Ele descreve os sentimentos do torcedor brasileiro pouco antes da largada da Copa. "As emoções provocavam ondas quando a Seleção desembarcou do ônibus para fazer o aquecimento no campo e, muito mais forte, quando os jogadores perfilaram para cantar o hino nacional: corações batendo, pessoas roendo unhas, canto coletivo e confiança. Tudo está em jogo nessa Copa. Muitos têm o coração dividido no seu peito. Ele, por exemplo, não consegue apoiar a Copa sem ressalvas, confessa Norival, um jovem professor, pois considera que existe muita coisa errada no Brasil. Ele não acredita que a Seleção ganhe, mas tem esperanças. Como brasileiro, é impossível pensar de outra forma..."

E quando o pênalti em questão foi batido, o jornalista considerou que "ele nem foi nem motivo de discussão. O Brasil será campeão mundial, acreditam alguns, enquanto os fogos de artifício são atirados. Os protestos, os problemas são esquecidos...pelo menos nessa noite."

O Blick critica a primeira apresentação da seleção brasileira. "Nada de Joga Bonito. Nada de futebol mágico. O anfitrião Brasil sofreu para conseguir a vitória de 3 a 1 contra a Croácia". O jornal de maior tiragem ressalta também a crítica feita por observadores como o árbitro suíço Urs Meier da polêmica decisão tomada pelo árbitro da partida, o japonês Yuichi Nishimura. "Ele não devia ter marcado esse pênalti. Dá para ver facilmente que o Fred procurava isso mesmo. Um árbitro de nível mundial teria de ter percebido isso. O Fred deveria ter levado uma advertência pela sua tentativa", avalia.

Superioridade brasileiras, mas...

Na Suíça francesa, também, os jornais são unânimes em criticar a vitória do Brasil no jogo de abertura de ontem. Para o Le Matin, o Brasil só venceu a Croácia por causa da arbitragem claramente favorável para a Seleção. O cotidiano diz que “a superioridade brasileira, apesar de não ser ilógica, representa de outra forma mais problemas em termos morais.

A primeira grande lição desta Copa seria a evidência de que toda a tecnologia usada na linha do gol ainda não conseguiu acabar com o debate sobre a vídeo-arbitragem, que para o La Liberté, deixou no ar “um cheiro de escândalo” na vitória auriverde.

Passou dos limites

O jornal do cantão de Friburgo exalta os “bravos croatas” que conseguiram abalar a confiança dos anfitriões já nos primeiros minutos de jogo, fazendo a torcida brasileira, “tão convencida de que esta Copa não pode escapar à formação Scolari”, voltar a por os pés no chão após sete minutos apenas.

Se para o 24 Heures, Oscar foi sem dúvida o “homem do jogo”, a embriaguez da vitória e o alívio que ela trouxe não engana ninguém no Brasil, “o país do futebol passou dos limites” e o árbitro japonês Yuichi Nishimura se enganou completamente, achando que Lovren tinha cometido a falta em Fred.

Erro que o Le Nouvelliste, do cantão do Valais, diz não ter escapado às redes sociais, que não pouparam o árbitro debutante de muita chacota e que deve deixar o pênalti concedido aos brasileiros registrado para sempre na memória online.

Já o jornal lido pelos banqueiros de Genebra, o Le Temps, preferiu lembrar que o Brasil, “O” país do futebol, deu o pontapé inicial do Mundial em São Paulo em meio a confrontos entre a polícia e manifestantes.

Estes confrontos, segundo o jornal suíço, ocorreram enquanto apelos por protestos através das redes sociais afetaram nove das doze cidades-sede do Mundial. O Le Temps observa que, em Belo Horizonte, agências bancárias e lojas chegaram até a montar barricadas por medo de vandalismo.

O jornal ressaltou também o medo da presidente Dilma, “que preferiu não fazer discurso nesse contexto de inquietação social a quatro meses antes das eleições presidenciais.

Ficha técnica do jogo

Com emoção, sofrimento e certa dose de polêmica, a seleção brasileira derrotou a Croácia de virada por 3 a 1 com dois gols de Neymar, nesta quinta-feira no Itaquerão, em São Paulo, na partida de abertura da Copa do Mundo.

A Croácia abriu o placar logo aos 10 minutos de jogo, quando Marcelo marcou contra o primeiro gol desta Copa do Mundo, mas Neymar deixou tudo igual aos 28 e fez 2 a 1 em pênalti duvidoso aos 25 da etapa final. Oscar, que também fez uma grande partida, selou o resultado nos acréscimos.

- Copa do Mundo do Brasil-2014 - Grupo A

Brasil - Croácia 3 - 1 (1-1)

Gols:

Brasil: Neymar (29, 70 de pênalti), Oscar (90+1)

Croácia: Marcelo (10, gol contra)

Estádio: Arena Corinthians de São Paulo

Público: 61.000

Árbitro: Y. Nishimura (JAP)

Cartões amarelos:

Brasil: Neymar (27), Luiz Gustavo (88)

Croácia: Corluka (65), Lovren (69)

Escalações:

BRASIL: Julio César - Dani Alves, Thiago Silva (cap), David Luiz, Marcelo - Oscar, Paulinho (Hernanes 63), Neymar (Ramires 88), Luiz Gustavo, Hulk (Bernard 68) - Fred. T: Luiz Felipe Scolari.

CROÁCIA: Stipe Pletikosa - Darijo Srna (cap), Vedran Corluka, Dejan Lovren, Sime Vrsaljko - Ivan Perisic, Luka Modric, Mateo Kovacic (Marcelo Brozovic 61), Ivan Rakitic, Ivica Olic - Nikica Jelavic (Rebic 78). T: Niko Kovac. (AFP)

swissinfo.ch com agências

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