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Crônica


Jogadores sem fronteiras


Por Luca Geisseler


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 (Marina Lutz)
(Marina Lutz)

Nós e os outros. Tão fácil é finalmente o conceito de nação, já que ela se baseia fundamentalmente na delimitação. A delimitação de pessoas desta natureza, em todo caso. As fronteiras que constituem em primeiro lugar uma nação, mesmo se tratando de uma chamada "Willensnation", ou seja, uma nação formada por livre vontade. Elas separam primariamente.

Essa é a teoria, até então.

Mas a delimitação já foi bem mais fácil como mostra maravilhosamente a Eurocopa de 2016 na França. No mais tardar, quando ocorre uma luta entre irmãos no campo de futebol, a situação se complica. Xhaka contra Xhaka. Assim as pessoas titulavam o jogo da Suíça contra a Albânia, a primeira participação da seleção helvética no campeonato. E onde estão as fronteiras? As fronteiras entre nós e os outros?

Finalmente, a partida da Suíça contra a Albânia. Em certo sentido, ela foi rotulada erroneamente pela União das Federações Europeias de Futebol (UEFA). Pois, segundo a abordagem escolhida, poderíamos falar de Suíça A contra Suíça B ou Albânia 1 contra Albânia 2.

Essa partida será sempre lembrada como aquela é que, na disputa entre países, na verdade foram irmãos que jogaram uns contra os outros. E nesse caso não estamos falando somente dos irmãos Taulant e Granit. (n.r.: Taulant Xhaka, 25 anos, joga para a Albânia e Granit Xhaka, 23, para a Suíça).

O jogo da Suíça contra a Albânia mostrou, sobretudo, uma coisa, apesar do nível mediano da partida: a seleção nacional suíça já é há muito tempo transnacional. E nesse sentido a Suíça não está sozinha.

Os talentos futebolísticos da Áustria se chamam David Alaba, Marko Arnautovic e Zlatko Junuzovic. A Suécia não teria se qualificado para a Eurocopa sem os gols de Zlatan Ibrahimovic. A Alemanha se curva perante à mágica dos passes de Mesut Özil e Sami Khedira, assim como à boa vizinhança com Jerome Boateng. Os craques da sempre favorita Bélgica se chamam Romelu Lukaku, Marouane Fellaini e Radja Nainggolan. O melhor jogador da Croácia é Ivan Rakitic, que na verdade é um suíço. E também com a Itália, essa nação do futebol tão orgulhosa, a camisa 10, que já foi de estrelas como Alessandro del Piero, Roberto Baggio ou Francesco Totti, hoje é trajada por Thiago Motta, nascido no Brasil e, infelizmente, sem grandes talentos.

A homogeneidade cedeu há muito tempo à heterogeneidade das procedências.

Especialmente a seleção nacional, concebida como uma auto verificação do nacional, se torna dessa forma uma prova de quão frágil o conceito de nação se tornou há muito tempo. A Eurocopa, a disputa entre diferentes nações europeias por uma taça de futebol, aparece assim como um anacronismo abstrato em tempos de fronteiras revogadas.

Nós e os outros. A demarcação é hoje cada vez mais difícil, pois irmãos estão nos dois lados do campo em partidas de países. De forma paradoxal, e justamente por isso, as fronteiras parecem assim ganhar mais uma vez importância. O nacional retorna em forma de populismo de direita à Europa. Na Inglaterra. Na Áustria. Na Alemanha. Na Suíça.

Quanto mais difícil é a demarcação, quanto mais indistinta é a diferença entre nós e eles, mais importante ela se torna. Mesmo se as fronteiras passam pelas famílias, dividindo irmãos.

A Eurocopa equivale assim a um anacronismo. Porém, do ponto de vista político, é bastante um anacronismo contemporâneo.  

E você, como vê a seleção suíça de futebol ? Sua opinião nos interessa. 

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Adaptação: Alexander Thoele, swissinfo.ch

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