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Crimes de guerra na Síria Qual a importância de uma declaração do Parlamento suíço sobre a Síria?

O Conselho Nacional (Câmara de Deputados na Suíça) debate hoje sobre uma declaração oficial intitulada "Parem com os crimes de guerra na Síria". Laurent Goetschel, diretor da organização de promoção da paz Swisspeace, não vê nela um problema para a neutralidade do país.

Voluntário sírio ajudando no resgate de sobreviventes após o bomberdeio de Aleppo.

Voluntário sírio ajudando no resgate de sobreviventes após o bomberdeio de Aleppo.

(sda-ats)

SRF News: O que pode trazer a declaração da Síria do Conselho Nacional?

Laurent Goetschel: Ela declaração traz ao Parlamento uma visibilidade sobre uma importante questão das relações externas da Suíça.

SRF News: Isso não seria um ato para marcar apenas uma posição de política externa do Parlamento?

L.G.: Eu não vejo dessa forma. Penso que a intenção do Parlamento é reforçar a posição do governo nessa questão. E talvez até incentivar o governo a dar outros passos.

Laurent Goetschel é professor de Ciências Políticas na Universidade da Basileia e diretor da Swisspeace. Seus principais pontos de pesquisa: paz, conflitos e integração europeia.

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SRF News: Você diz que essa declaração poderá exigir uma tomada de posição do governo, ou seja, que ele faça mais pelo processo de paz. Ao ser ver está fazendo pouco?

L.G.: No momento é difícil imaginar como um país como a Suíça pode fazer mais do que o está fazendo. A Suíça se engaja nessa questão, por exemplo, através da ajuda humanitária através da Cruz Vermelha Internacional ou de outras ONGs.

Ela já atua bastante nesse sentido através do chamado Processo de Genebra, onde, junto com a ONU, tenta-se colocar os diferentes atores do conflito na Síria sentados à mesa para discussões. Porém até agora essa tentativa vingou, especialmente levando-se em conta o que ocorre realmente na Síria. Mas não penso que podemos criticar a política externa suíça como pouco ativa nesse sentido.

SRF News: A declaração está voltada a todos os atores do conflito. E além disso, uma minoria na Comissão de Relações Exteriores receia que, graças a ela, a Suíça está ferindo sua política de neutralidade. Em sua opinião, isso pode ocorrer?

L.G.: Eu não vejo nenhum problema para a nossa neutralidade. Ela é definida como uma posição em relação a um conflito entre dois partidos. Se você dá preferência a um lado, então isso não está de acordo com essa política de neutralidade. Aqui o Parlamento está incentivado apenas a Suíça a tomar uma posição. Estamos falando aqui de crimes de guerra, proteção dos direitos humanos e a promoção do processo de paz.

SRF News: Um dos diferentes grupos de interesse do conflito chega a ser mencionado nessa declaração: os curdos, afirma a declaração, devem participar do processo de paz. Se os mencionamos, a Suíça não está tomando partido nessa causa?

L.G.: Eu não acredito que estejamos afetando outros partidos com isso. Porem você pode se questionar: por que exatamente agora os curdos? Não por se tratar de curdos, mas por que mencionar um determinado grupo? Eu posso imaginar que a razão está no fato da problemática dos curdos e turcos estar presente há muito tempo na política interna do país.

SRF News: O Conselho Nacional faz raramente esse tipo de declarações. A última vez ocorreu em 2013 quando o tema era a disputa fiscal com os Estados Unidos. Essas declarações no passado era mais do que um simples ato simbólico?

L.G.: O simbolismo desempenha um papel importante na política externa da Suíça. Se o Parlamento toma uma posição, então está mostrando o seu interesse em determinados temas da política externa. Seguramente é um ato simbólico, mas não significa que não tenha sua importância.

Entrevista realizada por Andrea Christen.



Adaptação: Alexander Thoele

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