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Cuba livre


"O gesto mais audacioso do presidente Obama"




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Manifestação de alegria em Havana na quarta-feira. (Reuters)

Manifestação de alegria em Havana na quarta-feira.

(Reuters)

Após mais de 50 anos de ruptura diplomática e embargo, os Estados Unidos e Cuba anunciaram a normalização das suas relações. Um gesto histórico destacado pelos editorialistas dos jornais helvéticos, com algumas ressalvas.

"Todos somos americanos". Foi através dessa fórmula que o presidente dos Estados Unidos comentou a aproximação histórica entre Washington e La Havane, que irão restabelecer suas relações diplomáticas, rompidas em 1961. 

Foi o que ressaltou o Neue Zürcher Zeitung: "Os presidentes e ministros de Relações Exteriores de vários quadrantes políticos falaram de um momento histórico. Mesmo o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que assumiu de Fidel Castro o papel de acusador mais ardente do império ianque, elogiou a coragem de Obama de ter efetuado esse passo sem precedentes", escreveu o jornal zuriquense.

No seu editorial, o jornal Le Temps também leva em conta a importância do evento: "É uma mudança de paradigma comparável à abertura de Richard Nixon para a China ou aos acordos de Camp David concluídos no governo de Jimmy Carter. Liberado de todas as considerações eleitorais, Barack Obama conseguiu, com ajuda dos canadenses e do Papa, o fazer o gesto mais audacioso da sua presidência."

Representação diplomática

A Suíça "congratula esse passo histórico e felicita o presidente americano Barack Obama e o presidente cubano Raúl Castro por essa decisão crucial para o futuro", comunicou o ministério suíço das Relações Exteriores, que se eximiu de tomar uma posição sobre as eventuais consequências da decisão para as funções que ainda exerce. Desde 1961, a embaixada da Suíça em Havana representa os interesses americanos e os de Cuba em Washington desde 1991.

Stéphane Bussard, correspondente do Le Temps nos EUA, continua: "O presidente democrata parte de uma constante. O embargo imposto por Washington à Cuba há meio século é um fracasso, um resquício da Guerra Fria. Os Castros ainda estão no poder e a ilha é até hoje dirigida, apesar das reformas econômicas prometedoras, de forma autocrática. (....). Barack Obama não encerrou o embargo, uma prerrogativa do Congresso, mas simplesmente ele o esvaziou de sua substância.

Já o Le Nouvelliste lembra que os dois países já se aproximavam. "O anúncio de Obama e Castro não cai do céu: autorizações de viagem para os cubanos, o convite feito a Cuba para participar da Cúpula das Américas em abril de 2015, as quase embaixadas fantasiadas de missões diplomáticas, a libertação de prisioneiros políticos, conversações entre líderes durante o funeral de Mandela. Washington e Havana já anunciavam o reatamento das relações há muito tempo. Porém falta ainda fumar o Cohiba da paz."

"Os Estados Unidos gostariam de ter inimigos perigosos no mundo inteiro, mas Cuba não faz mais parte dessa lista há muito tempo", escreve o correspondente nos Estados Unidos dos jornais Tages-Anzeiger e Bund, para quem a dificuldade de reaproximar os dois países nos últimos anos devia-se mais aos americanos, especialmente a força do grupo de interesse de exilados cubanos instalados na Flórida. "Foram os falcões de Washington, cegos pela Guerra Fria, que se habituaram à imagem do inimigo comunista."

Mas Obama corre também riscos, acredita o jornal Aargauer Zeitung. A Casa Branca deixa assim de pressionar o governo cubano. A argumentação dos americanos é que a força do dólar e a capacidade dos Castros de aprender com as lições da história os farão mudar de posição. Mas "Havana, nesses cinquenta anos, sempre foi teimosa à vontade dos americanos", ressalta.

O pessimismo não é compartilhado pelo correspondente do Tages-Anzeiger e do Bund. "No exemplo de Cuba, Obama pode agora provar que tem razão. Sim, o regime não é democrático e também não respeita dos direitos humanos, mas esse também é o caso de vários outros aliados como a Arábia Saudita. Os Estados Unidos não se colocam em risco se precipitam a abertura em relação à Cuba. Se essa abertura tem seus riscos, estes seriam muito mais para o regime em Havana, que poderá ser atingido pelas forças de mudanças."


Adaptação: Alexander Thoele, swissinfo.ch

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