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Carnaval 2015


Unidos da Tijuca mostra a Suíça a 50 milhões de brasileiros


Por Maurício Thuswohl, Rio de Janeiro


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Quatro milhões e meio de reais. Este é o preço pago pela Suíça para ter seu nome e sua imagem associados a uma das maiores e mais badaladas festas populares do mundo: o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro.

 (Unidos da Tijuca)
(Unidos da Tijuca)

Custeado pelo governo federal e por seis empresas privadas, esse investimento representa também a oportunidade de levar o país, sua cultura e atrativos turísticos e econômicos ao centro das atenções de 50 milhões de brasileiros que assistem ao desfile do Grupo Especial do carnaval carioca pela televisão.

Por volta das três horas da manhã da terça-feira de carnaval (17), a Suíça adentrará a maior passarela do samba brasileiro como tema do enredo escolhido pela Unidos da Tijuca, atual campeã do Grupo Especial do carnaval carioca e última das doze concorrentes a desfilar este ano na Avenida Marquês de Sapucaí. A apresentação custará ao todo R$ 12 milhões e terá pouco mais de um terço bancado pelos investimentos suíços. Um gol de placa – ou melhor, um verso de bamba – realizado pelo programa Presença Suíça, que tem o objetivo de divulgar a imagem da Suíça no Brasil.

Embaixador da Suíça no Brasil, André Regli diz que o retorno faz com que o investimento valha à pena: “Faz parte da linha de comunicação sobre a Suíça que traçamos para o período 2014/2016. Começamos com a Copa do Mundo e teremos uma Casa da Suíça durante as Olimpíadas. Como deveria ser uma campanha de longo prazo, pensamos no carnaval como plataforma para poder ter mais visibilidade entre um evento esportivo e outro”.

As coisas aconteceram quase por acaso: “Foi uma surpresa. Eu encontrei o diretor de Marketing da Unidos da Tijuca e foi assim que começamos a discutir sobre uma possibilidade de a escolar tomar a Suíça como tema. Eles já estavam pensando em fazer um enredo em torno do tempo, da inovação e do luxo. Foi fantástico, pois as ideias se encaixaram e foi assim que começamos a colaborar”, diz o embaixador.

Diretor de Marketing e de Patrocínio da Unidos da Tijuca, Bruno Tenório também relembra o início das conversas: “Nós fazíamos uma pesquisa relacionada ao tempo e, nessa pesquisa, chegamos à Suíça, à precisão suíça, à identificação do país com os relógios. Começamos a pesquisar sobre a Suíça, e eu entrei em contato com o embaixador. Foi quando surgiu a ideia de a escola fazer uma homenagem mais ampla à cultura suíça”, conta.

Bornay

Logo, as pesquisas para o desenvolvimento do enredo descobriram um elo que une a Suíça ao carnaval das escolas de samba do Rio: o museólogo e carnavalesco Clóvis Bornay (1916-2005), filho de pai suíço e figura emblemática da folia carioca. Bornay se notabilizou nos desfiles como destaque em carros alegóricos e criador de fantasias altamente luxuosas e finamente trabalhadas.

“Nós tivemos a felicidade de encontrar um ícone do carnaval brasileiro, que é o Clóvis Bornay. E, por coincidência, filho de um joalheiro suíço, o que é uma coisa também bem emblemática”, diz Tenório. O fio condutor do desfile da Unidos da Tijuca, que apresentará o enredo “Um Conto Marcado no Tempo – O Olhar Suíço de Clóvis Bornay” será o pai do carnavalesco contando ao filho sobre suas lembranças da Suíça.

Desfile

Segundo Tenório, cada setor da escola abordará aspectos diversos da cultura suíça. O primeiro setor falará sobre as lendas: “Falaremos de Guilherme Tell, dos Dragões do Monte Pilatos, de várias lendas que foram anteriores ao contexto de Estado-Nação suíço”, diz. O segundo setor falará das grandes invenções: “Vamos apresentar ao público várias coisas interessantes que foram inventadas na Suíça ou por suíços”, diz o diretor da escola. Nesta ala, haverá uma reprodução do acelerador de partículas do Cern, localizado em Genebra.

O terceiro setor falará sobre a arte suíça: “Tem vários artistas suíços que influenciaram e têm grande importância na cena artística mundial. Vamos mostrar artistas como Paul Klee (1879-1940) e H.R. Gigg (1940-2014)”. No quarto setor, a Unidos da Tijuca trará a culinária suíça: “Falaremos sobre alguns clichês e sobre outras coisas. Vamos falar sobre o leite, o queijo, o chocolate, mas também dos grãos. O Brasil é um dos maiores produtores de soja do mundo, e grande parte desses grãos é comprado por uma empresa suíça”, diz.

O quinto setor trará um momento muito aguardado do desfile: “Falaremos sobre o carnaval suíço, que é um dos mais antigos e tradicionais da Europa em Basel e Lucerna. Faremos a união com o carnaval carioca, e aí o desfile terminará com uma grande junção da influência que o Clóvis Bornay teve de sua família, junto com o carnaval carioca”, promete Tenório.

O desenvolvimento do enredo agrada ao embaixador suíço: “Nosso objetivo é claramente dar mais visibilidade às coisas do país. Utilizamos os clichês que a Suíça tem, como chocolate, queijo, etc, mas também mostramos a história, a cultura e também alguns elementos de inovação da Suíça. Com isso, queremos finalmente atrair mais turistas para a Suíça e ajudar as empresas suíças”, diz André Regli.

Visitas

Para preparar a sinopse do enredo, o Comitê Artístico da Unidos da Tijuca fez, a convite do governo, uma visita à Suíça em junho: “Não adiantaria a gente falar da Suíça sem respirar aquele país, sem conhecer melhor aquela cultura’, diz Bruno Tenório.

Recentemente, parte da bateria da escola, a rainha da bateria, passistas e musas fizeram um tour pelas cidades suíças de St.Moritz, Basel, Lucerna e Zurique: “Apresentamos um pouco do que a gente está desenvolvendo e fizemos parcerias com os carnavais locais. Fizemos shows com o pessoal do carnaval de Basel e de Lucerna, e foi uma parceria muito bonita”, diz o diretor da Unidos da Tijuca.

Comunidade

Apesar da homenagem à Suíça, não se deve esperar encontrar muitos cidadãos helvéticos durante o desfile da Unidos da Tijuca. Segundo o embaixador André Regli, nenhuma caravana de suíços para o carnaval carioca foi confirmada: “Bom, talvez entre os turistas que estiverem no Rio haja alguns que irão desfilar. Afinal, o carnaval é do Brasil e a Unidos da Tijuca é das pessoas do Moro do Borel, é da comunidade”, diz.

“Queremos a participação de suíços, mas procuramos colocar quem saiba português, para poder cantar o samba-enredo. Faremos também algumas ações junto com suíços que estão vindo ajudar no desfile”, diz Bruno Tenório, diretor de Marketing e de Patrocínio da escola.

Vinda da Suíça para o desfile, a maior novidade serão quatro lançadores de bandeiras: “Vai ter toda uma ala com lançadores de bandeira, e nós contratamos o campeão suíço de lançamento de bandeiras. Ele vem com três colegas para dar algumas aulas e também irão desfilar a frente dessa ala. Oficialmente, são os únicos suíços que vem para desfilar”, diz o embaixador Regli, descartando a vinda do tenista Roger Federer, que chegou a ser anunciado como provável destaque da Unidos da Tijuca pela imprensa brasileira.

swissinfo.ch

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