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Semana da democracia “A voz dos jovens é importante para os desafios de amanhã”

A Suíça, país em que mais se vota no mundo, adere pela primeira vez à Jornada Internacional pela Democracia. Nem tudo é perfeito no país da democracia direta: para a chanceler do cantão de Genebra, Anja Wyden Guelpa, os jovens em particular não têm suficientemente a palavra.

"É necessário transmitir aos jovens o vírus da política", estima Anja Wyden Guelpa, chanceler de Estado em Genebra.

"É necessário transmitir aos jovens o vírus da política", estima Anja Wyden Guelpa, chanceler de Estado em Genebra.

(Keystone)

Debates, conferências, espetáculos, exposições, votos fictícios e encontros com parlamentares, por ocasião de uma semana especial até 19 de setembro. Genebra dá o tom com uma série de eventos que também são a oportunidade de lembrar a importância de incluir todas as camadas da população no processo democrático. Na entrevista a seguir, a chanceler Anja Wyden Guelpa, afirma que a participação dos jovens é uma prioridade no cantão de Genebra.

swissinfo.ch: “Um espaço para a sociedade civil” é o tema escolhido este ano pela ONU para a Jornada da Democracia. A democracia direta suíça dá espaço suficiente à sociedade civil?

Anja Wyden Guelpa: A Suíça é provavelmente o Estado que mais busca a integração da sociedade civil no mundo. Temos mais votações nacionais do que todos os países que têm uma forma de democracia direta reunidos. Temos não somente a iniciativa popular e o referendo. Nosso parlamento de milícia, todos os procedimentos de consulta e as comissões extraparlamentares constituem também uma integração muito ampla da população. Acho que somos bons alunos, mas não é suficiente.

A chanceler do cantão de Genbra Anja Wyden Guelpa estima que «"a Suíça é boa aluna, mas isso não é suficiente". 

(Keystone)

Nossa democracia precisa que todas as camadas da população possam se exprimir e não é o caso atualmente. Os jovens votam muito menos do que a média da população. Além disso, são as pessoas entre 70 e 75 anos são as que comparecem às urnas. Claro que a opinião de uma pessoa idosa não tem menos importância do que a de um jovem. Mas eu acho delicado não ter a voz dos jovens para os desafios do amanhã. É como se uma empresa fizesse uma sondagem junto a seus clientes mais velhos para elaborar um novo produto.

swissinfo.ch: A solução passa por uma melhor sensibilização dos professores para a importância da educação cívica?

A.W.G: Acho que não são somente as aulas de educação cívica que contam. É preciso sobretudo transmitir aos jovens uma paixão pela vida política. Eles devem poder experimentar, viver a democracia através simulação teatral, por exemplo. Se há vontade do professor, tem muitas possibilidades para transmitir esse vírus à juventude. Nós tentamos ajudá-los nessa tarefa.

swissinfo.ch: Um evento como a Semana da Democracia tem potencial para ampliar a participação dos jovens?

A.W.G: Sim, é nossa responsabilidade transmitir aos jovens o vírus da política. Nem sempre é fácil porque a chancelaria cantonal tem muitos papéis e deve, notadamente, encarnar a autoridades em um certo número de setores. No entanto, é primordial se dirigir aos jovens de adulto a adulto e de ouvi-los. Não podemos nos contentar de ser paternalistas ou de criticá-los por não votar. 

swissinfo.ch: Para seguir essa lógica, os jovens são envolvidos na organização de projetos?

A.W.G: Essa é a base de nossa maneira de trabalhar. Somos rapidamente velhos e ultrapassados em vários setores. Rapidamente tem coisas que nos escapam, particularmente no mundo digital ou da linguagem do momento. É por isso que alguns de nossos projetos são realmente co-organizados e criados como os jovens. É uma estratégia que vem do receio de se enganar. Tentar encontrar a linguagem jovem sem consulta-los se revela frequentemente patético. É o caso de certas publicidades de televisão dirigidas à juventude.

Portanto, fazendo as coisas com eles, é impossível fazer errado. Eles nos ajudam a elaborar nossa estratégia nas redes sociais. No contexto da Semana da Democracia, colaboramos com o parlamento dos jovens de Genebra, que é um dos organizadores do speed-debating (um conceito que mescla elementos do speed-dating e do debate tradicional). 

swissinfo.ch: Como Genebra é sede de numerosas organizações internacionais, pode-se imaginar que a cidade se torne uma espécie de laboratório de reflexões sobre o processo democrático?

A.W.G: Nosso conceito já ultrapassou as fronteiras suíças este ano, graças a nossa colaboração com a União Interparlamentar (Organização Mundial dos Parlamentos). Essa dimensão deve ser reforçada no ano que vem. Imaginamos uma estreita colaboração com um outro país que talvez não tenha uma democracia tão sofisticada como a nossa. Sem necessariamente viajar, mas através de filmes, textos ou de um blog. Os que cresceram na Suíça tem às vezes a impressão que a democracia é natural. É preciso se distanciar para constatar a que ponto nós somos privilegiados.

Jornada da democracia

A Assembleia-Geral das Nações Unidas decidiu em 2007 fazer do 15 de setembro a Jornada Internacional da Democracia. A escolha dessa data corresponde à adoção, em setembro de 1997, da Declaração Universal sobre a Democracia. A primeira Jornada Internacional da Democracia ocorreu em 2008 e foi observada por 46 parlamentos nacionais. Desde então, centenas de manifestações foram organizadas nessa ocasião em mais de 100 países.

A ONU escolheu “O espaço para a sociedade civil” como tema em 2015. Seu objetivo é “lembrar a todos os governos que uma sociedade civil forte e livre de agir é uma marca de sucesso e de estabilidade democrática”.

Vários eventos celebram a democracia em escala europeia e mundial. O Conselho da Europa organiza todo ano a “Semana Europeia da Democracia Local”, que ocorrerá este ano na semana do 15 de outubro. Ela visa promover e reforçar a participação democrática no plano local. Em novembro, o Fórum Mundial da Democracia ocorrerá em Estrasburgo (França). Estão previstos muitos convidados para trocar pontos de vista sobre a democracia no mundo.

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Adaptação: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch

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