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Ao menos quatro pessoas morreram e 47 ficaram feridas quando um trem que viajava entre Vigo (noroeste da Espanha) e Valença de Minho (Portugal) descarrilou nesta sexta-feira a poucos quilômetros de Vigo The train was travelling from the Galician town of Vigo to the city of Porto in Portugal when the accident happened near the town of O Porrino.

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Dois espanhóis, um português e um americano morreram, e 47 pessoas ficaram feridas - entre elas dois brasileiros - quando um trem que viajava entre Vigo (noroeste da Espanha) e Porto (Portugal) descarrilou nesta sexta-feira (9) a poucos quilômetros do ponto de partida - anunciaram as autoridades da região da Galícia.

Entre as vítimas fatais estão o maquinista, de nacionalidade portuguesa, que morreu no local; o responsável pela composição; e um jovem, natural de Vigo, de 23 anos, que não resistiu aos ferimentos, informou uma fonte de Saúde.

Os 47 feridos foram levados para hospitais da região. Pelo menos 14 continuam internados, um deles na UTI. Além dos brasileiros, também estão entre os feridos espanhóis, americanos, portugueses, argentinos, uruguaios, um chileno, um alemão e um britânico, de acordo com um porta-voz do Executivo regional.

O acidente aconteceu por volta das 9h25 locais (4h25 de Brasília), quando o trem entrava na estação de Porriño, ao sul de Vigo, perto da fronteira com Portugal, explicou a companhia ferroviária espanhola, Renfe, que oferecia o serviço junto com a portuguesa Comboios de Portugal (CP). A viagem havia começado às 9h02.

O vagão frontal, que virou completamente, colidiu-se contra uma torre de energia. Os outros dois vagões pareciam intactos. Ao anoitecer, dezenas de operários continuavam trabalhando no trem. Um vídeo exibido por um canal de TV regional mostra o primeiro vagão muito danificado.

De acordo com uma porta-voz da Renfe, 65 pessoas viajavam no trem. A empresa portuguesa citou 69.

O governo regional enviou para região do acidente dois helicópteros, três UTI móveis e 11 ambulâncias para atender aos feridos. Bombeiros, policiais e funcionários da Defesa Civil também foram mobilizados.

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, natural da região, expressou sua "dor e tristeza" no Twitter. Ele seguiu para o local.

A empresa pública que administra a rede ferroviária espanhola, a Adif, anunciou uma investigação para determinar as causas do acidente. Segundo uma porta-voz, a área do acidente "é uma linha praticamente reta".

Segundo a imprensa local, duas investigações já foram abertas: uma, de um tribunal local; e outra, do Ministério espanhol do Fomento.

Barulho ensurdecedor

Quando aconteceu o acidente, Álex Ramilo, de 15, passava de bicicleta pela ponte que cobre a via.

"Ouvi um barulho daqueles de deixar a pessoa surda. Olhei para a estação e vi o descarrilamento. Fiquei sem palavras, em choque", disse Rami por telefone à AFP, falando de O Porriño.

Marcelino Rodríguez, que vive a poucos metros do local, ouviu "um barulho seco". Saiu de casa e viu dezenas de pessoas de lojas próximas correndo para ajudar a retirar os feridos. Eles foram atendidos no café da estação.

O ministro espanhol do Fomento, Rafael Catalá, explicou que, na área do acidente, havia obras de manutenção, motivo pelo qual o comboio teve de se desviar para uma via provisória e reduzir a velocidade.

Tanto ele quanto o presidente da Comboios Portugueses, Manuel Queiró, garantem que o trem não tinha qualquer avaria. Segundo Catalá, o veículo passou por uma revisão completa em maio passado e, na quinta-feira, por outra mais superficial. Ainda de acordo com o ministro, o maquinista também cumpria todos os requisitos.

O secretário-geral do Sindicato dos Maquinistas espanhóis (Semaf), Juan Jesús García Fraile, informou que a via "estava em condições perfeitas" para a circulação de trens.

María del Carmen Pérez, que mora bem em frente à estação contou que, há alguns anos, o trem que cobria esse mesmo trajeto parava quatro vezes na cidade. Hoje, passa duas vezes e não para nunca, porque vai em altíssima velocidade.

Em 24 de julho de 2013, a região da Galícia foi cenário de um grave acidente ferroviário perto de Santiago de Compostela, que deixou 80 mortos e 144 feridos. Foi o mais grave na Espanha desde 1944.

O trem, procedente de Madri, entrou a 179 km/h em uma curva perigosa, na qual a velocidade máxima era de 80 km/h. A composição descarrilou e bateu violentamente contra um muro.

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