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Entrevista Gioia Deucher


Swissnex no Brasil faz balanço do primeiro ano de atividades


Por Maurício Thuswohl, Rio de Janeiro


Inaugurado em abril de 2014, na presença do ministro suíço Johann Schneider-Ammann, o escritório da Swissnex no Rio de Janeiro, o primeiro na América Latina, completou seu primeiro ano de atividades com 41 projetos desenvolvidos e uma promissora rede de contatos e parcerias formada. 

Gioia Deucher durante uma apresentação no Rio de Janeiro. (Cortesia Swissnex)

Gioia Deucher durante uma apresentação no Rio de Janeiro.

(Cortesia Swissnex)

Com o objetivo de “conectar a Suíça e o Brasil nas áreas de educação, ciência e inovação”, foram realizados ao longo deste período inúmeros eventos e discutidos temas relativos a governo, empresas e universidades. Segundo a diretora da Swissnex Brasil, Gioia Deucher, o balanço deste primeiro ano é muito positivo, e novos projetos já estão sendo preparados, com foco em sustentabilidade e energias renováveis. Em entrevista exclusiva, Gioia fala sobre os resultados do trabalho desenvolvido no país.

swissinfo.ch: Qual o balanço deste primeiro ano de trabalho da Swissnex no Brasil?

Gioia Deucher: Em geral, foi um período muito positivo, houve um retorno muito grande. Conseguimos construir uma comunidade ao redor das nossas atividades, tocamos em vários temas diferentes e, com cada evento, a gente tem criado uma nova rede de contatos. Hoje, depois de um ano, alcançamos o objetivo de contar com certo número de pessoas que está seguindo nosso progresso e que assiste aos nossos eventos. Para nós foi um ano de exploração. De fato, aprendemos muito para ver quais são os atores interessantes, quais são os potenciais parceiros para nossos stakeholders na Suíça.

Na parte menos visível, que é o trabalho de consultoria feito com nossos parceiros da Suíça, tivemos vários projetos que foram muito bem-sucedidos, inclusive o programa de uma escola de verão, um intercâmbio entre uma escola de enologia na Suíça e uma escola similar de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, que vai acontecer pela primeira vez este ano, agora em junho. Estamos muitos felizes com esse projeto.

swissinfo.ch: Qual o total de recursos movimentados pela Swissnex Brasil neste primeiro ano de atividades?

G.D.: Nossa verba para eventos dotada pelo governo suíço é de CHF 120 mil. Isso é um terço do total, pois, para cada projeto, precisamos captar dois terços. Mas, não chegamos a utilizar tudo neste primeiro ano. Eu diria que foram movimentados cerca de CHF 250 mil.

swissinfo.ch: A inovação tecnológica é considerada prioritária pelo governo brasileiro. Quais projetos e parcerias da Swissnex avançaram nesta área?

G.D.: O acordo assinado entre a Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e o Fundo Nacional de Ciência da Suíça é um grande sucesso. O edital está aberto até 15 de junho para projetos de pesquisa em conjunto realizados entre brasileiros e suíços. Serão CHF 200 mil de financiamento para projetos em áreas como saúde e nanotecnologia, entre outras.

Outro projeto bem interessante se chama Academy Industry Training. Trouxemos seis pesquisadores da Suíça para trabalhar em parceria com cinco pesquisadores brasileiros, todos da área de saúde e com pesquisas que têm uma certa aplicação no mercado. Durante uma semana tivemos cursos e aulas sobre como aplicar a pesquisa no mercado, como vender, como criar um startup. Uma parte do projeto aconteceu no Brasil e outra na Suíça, e todos os pesquisadores brasileiros estiveram na Suíça. O projeto recebeu no Brasil o apoio do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), que vai bancar a segunda versão este ano. Isso para nós é um grande sucesso.

swissinfo.ch: Outra vertente muito em voga no Brasil são as energias renováveis. Algum projeto nesta área?

G.D.: A gente vai ter este ano. Vamos trazer o primeiro drone solar, que está sendo desenvolvido pela Politécnica de Zurique. Vamos trazer esse avião até Belém, no Pará, em seu primeiro voo de longa distância. Vamos organizar uma série de eventos ao redor disso para discutir questões de aeronáutica sustentável, da energia solar em geral e de como ela pode ser utilizada em setores como a mobilidade, por exemplo.

swissinfo.ch: Em relação às parcerias, com qual setor da sociedade brasileira está fluindo melhor o contato?

G.D.: Em geral, com as universidades funciona bastante bem. Eu diria que funciona melhor com as faculdades menos bem posicionadas. Fazer algo com a USP, por exemplo, é bem mais difícil do que com a UFMG, pois Minas Gerais vem tentando se posicionar internacionalmente e tem um interesse grande em ir para fora. Descobrimos que muitas vezes o melhor parceiro é o segundo mais qualificado e não o primeiro mais qualificado. Com os segundos é mais fácil, pois eles têm mais interesse e vontade de fazer alguma coisa.

swissinfo.ch: Qual a importância do escritório em São Paulo para o sucesso da Swissnex no Brasil?

G.D.: É muito importante. Temos menos atividades em termos de evento, mas é claro que muitos parceiros suíços passam primeiramente por São Paulo e só depois vêm para o Rio. Temos muitos projetos na área de consultoria e visitas em São Paulo, e muito interesse por parte das universidades suíças em colaborar com universidades como a USP. Então, o escritório de São Paulo é extremamente importante.

swissinfo.ch: Na sua inauguração, foi dito que o escritório da Swissnex no Brasil poderia servir de base para a abertura de outros escritórios na América Latina. Essa expansão começou a ser feita?

G.D.: Por enquanto só trabalhamos no Brasil, e tem sido suficiente. Já é difícil cobrir o Brasil todo, e a gente não quer ter nosso foco somente no sul do país. Esse projeto do drone solar que vamos trazer para Belém, por exemplo, teve uma receptividade muito boa por lá. É periferia, né? Muitas vezes eles se sentem um pouco negligenciados. A gente viu que tem muita oportunidade lá, então, pensar em projetos fora do Brasil por enquanto não adianta.

swissinfo.ch: Qual é a interação da Swissnex com o projeto Presença Suíça? O que está previsto para a Olimpíada do ano que vem, no Rio?

G.D.: A Swissnex, de certa forma, é uma ferramenta da Presença Suíça, é um dos órgãos que pode fazer atividades dentro desse programa de comunicação do governo suíço. No ano passado fizemos um evento de dança e ciência bancado pela Presença Suíça e este ano teremos o projeto do drone solar e atividades que serão realizadas durante todo o mês de novembro no Rio sobre as sopas de lixo que estão se formando nos oceanos.

Os dois eixos dessa comunicação são emoção e inovação, e a Swissnex tem conhecimento na área de inovação, é nossa área de atuação. Para a Olimpíada, vamos adicionar conteúdo à Casa da Suíça, que mais uma vez será construída na Lagoa. Já temos várias ideias de como incluir a inovação nessas atividades.

swissinfo.ch: Quais as prioridades para o segundo ano de atividades?

G.D.: Nosso foco temático estará em energias renováveis e sustentabilidade em geral. Tem esses dois grandes projetos que eu mencionei e que irão acontecer ainda este ano e vários projetos menores, com atividades pontuais. Estamos ainda na fase de startup, mas já estamos muito ativos. Ao mesmo tempo, ainda há muita coisa para descobrir, inclusive fora do eixo Rio-São Paulo, onde executaremos mais atividades e projetos. Vamos também tentar trazer mais startups de tecnologia da Suíça, pois há uma grande demanda para isso no Brasil.

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