Your browser is out of date. It has known security flaws and may not display all features of this websites. Learn how to update your browser[Fechar]

Nespresso


Cápsulas de café viram objetos de design


Por Heloísa Broggiato, São Paulo


Bandeira do Brasil em cápsulas, de Liliana Pires ()

Bandeira do Brasil em cápsulas, de Liliana Pires

Em São Paulo, quase sempre o café é tomado às pressas. A facilidade e a rapidez de um café Nespresso é sedutora e a escolha de sabores classificados em cápsulas coloridas chega a ser lúdica.

Com o paladar satisfeito e missão estética cumprida, resta agora aos consumidores e fabricantes encontrar um destino para as cápsulas usadas.

A tarefa não é fácil. Em São Paulo, onde a coleta seletiva é ineficiente, não basta apenas a boa vontade dos consumidores em levar as cápsulas aos pontos de coleta nas lojas. A preocupação com a separação do lixo reciclável, que na Suíça é uma prática comum, ainda não convenceu completamente os brasileiros, principalmente em São Paulo onde a produção de lixo alcança patamares mais altos que o de muitas cidades europeias.

Logística

A meta da Nespresso é reciclar 75% das cápsulas até 2013, arrecadando material nos 7 mil pontos de  coleta espalhados pelo mundo. Até 2010 a empresa conseguiu reciclar  60% das cápsulas recolhidas na Suíça e em outros países europeus. Em São Paulo, porém, o processo de logística reversa parece ainda não ter se tornado realidade, apesar dos sete pontos de venda que mantém na cidade.

Para que a reciclagem fosse feita em grande escala seria necessário retirar o café de dentro das cápsulas e enviar o alumínio para reciclagem e criar uma logística para o processo. Segundo a Abal, Associação Brasileira de Alumínio, em São Paulo não há indústrias que recebam as cápsulas e façam a limpeza do material orgânico, nem usinas de reciclagem desse material, em especial. Segundo a associação, a maior porcentagem de alumínio reciclado no Brasil são as latas de refrigerante.  

Criação

O destino mais comum das cápsulas de Nespresso acaba sendo o lixo comum das cozinhas paulistanas. Mas a criatividade pouco a pouco vai ganhando espaço. A designer de bijuterias Liliana Pires viu no material a possibilidade de criar peças originais, que de quebra, levam o charme de serem sustentáveis.  “Enlouqueci quando meu ex-namorado me mostrou aquelas cápsulas coloridas”, conta. Ela não é adepta do café expresso mas conta com uma rede de doadores que fornecem cápsulas de Nespresso da mais variadas cores para a produção de colares, cintos, alças de bolsas, entre outras peças. “Adoro os tons de dourado”, diz.

Para abrir as cápsulas e retirar o material orgânico Liliana conta com uma ajudante. “Ela abre as cápsulas e lava. Depois eu corto cada uma ao meio, amasso e vou criando as peças”, completa. “As partes de alumínio não utilizadas são vendidas nos mesmos locais onde são compradas as latinhas de refrigerante. O alumínio tem valor no mercado.”, conta. A designer usa o material sem pintura, admira cores mais raras como o turqueza e os tons de verde e azul escuro e lamenta a raridade de algumas delas.

Apesar de apresentar uma produção de bijuterias com um toque ecológico, Liliana conta que sua primeira preocupação é o design. Suas peças custam  CHF 10 e CHF 45 e são vendidas em bazares, lojas de museus de arte, pela internet e onde mais for possível. “Montei um stand na Rio + 20”, lembra. Mas nem só de Nespresso vive a produção de Liliana. Ela cria peças com miolo de Cds, blister de comprimidos, tampas de todos os tipos, espiral de caderno, redes de embalagem de frutas, bolinhas de desodorante roll on, e ainda produz embalagem para a coleção a partir de outras embalagens reaproveitadas, como pacotes de café. “Tenho um depósito para acumular todo esse material e às vezes compro em cooperativas”, explica a designer que também é fotógrafa.  

Alumínio

O alumínio é produzido comercialmente há cerca de 150 anos e, nesse curto período, sua indústria se expandiu e está presente em seis regiões geográficas - África, América do Norte, América Latina, Ásia, Europa e Oceania. No total, são 46 países que produziram, em 2006, aproximadamente 34 milhões de toneladas de alumínio primário, conforme dados do World Metal Statistics. O Brasil é o sexto maior produtor mundial de alumínio primário, precedido pela China, Rússia, Canadá, Estados Unidos e Austrália.

O Brasil, além da terceira maior jazida de bauxita do planeta, é o quarto maior produtor de alumina e ocupa a quinta colocação na exportação de alumínio primário/ligas.

 

Fonte: Associação Brasileira de Alumínio (ABA)

swissinfo.ch



Links

×