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Poluição e JO 2016


No Brasil, campanha suíça luta contra o acúmulo de lixo nas águas


Por Maurício Thuswohl, Rio de Janeiro


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Local escolhido para receber este ano as provas de iatismo da Olimpíada do Rio de Janeiro, a Baía de Guanabara vem sendo objeto de críticas por parte de atletas, jornalistas e dirigentes da modalidade que reclamam das más condições de limpeza de suas águas. A polêmica deverá durar até o início dos Jogos, mas algumas iniciativas têm procurado debater os principais problemas da futura raia olímpica, como, por exemplo, o acúmulo de lixo na superfície da Baía.

Lixo e poluição na Baía de Guanabara, onde ocorrerão as provas de iatismo nos JO 2016. (Keystone)

Lixo e poluição na Baía de Guanabara, onde ocorrerão as provas de iatismo nos JO 2016.

(Keystone)

Desde o ano passado, a Suíça vem realizando no Brasil uma série de ações de conscientização sobre a necessidade de preservação das águas, e a Baía de Guanabara teve atenção especial durante a campanha “Mar sem Lixo, Mar da Gente”, organizada pela Swissnex Brasil em parceria com a agência Swissando. Em outubro e novembro, aconteceram nas cidades do Rio de Janeiro e de Niterói diversos eventos científicos, educativos e artísticos sobre a necessidade de se conter e combater o acúmulo de lixo nos oceanos.

As ações se estenderão até o final da Olimpíada, já que o tema da preservação da água também faz parte da agenda suíça em 2016: “Estamos desenvolvendo uma programação para a Casa da Suíça, que será transformada por um dia em uma casa da água e da energia limpas. Vamos ter também pitching events com startups suíças e brasileiras que trabalham com esse tema, palestras e outras atividades”, diz a diretora executiva do Swissnex Brasil, Malin Borg.

 O ponto alto das ações organizadas pelos suíços no Rio de Janeiro foi a passagem pela cidade da equipe do Race for Water Odyssey, expedição que faz um levantamento global da presença de lixo nos oceanos. Com a presença do CEO do projeto, Marco Simeoni, a Race for Water participou de atividades como a inauguração de uma exposição de fotos da expedição, um encontro com jovens do Projeto Grael, que alia o ensino do iatismo a atividades de conscientização ambiental, e um debate sobre as condições da Baía de Guanabara e seu entorno, realizado na Biblioteca Parque Estadual com representantes dos movimentos sociais cariocas.

Para Simeoni, o acúmulo de lixo na Baía é grande, mas os trabalhos para corrigir o problema estão sendo realizados: “O governo brasileiro, assim como algumas associações locais, está trabalhando duro. No entanto, o acúmulo é de tal monta que será impossível limpar completamente a Baía antes da Olimpíada”, diz.

Segundo o navegador suíço, o exemplo da Baía de Guanabara demonstra que é irrealista limpar os oceanos depois de o lixo já ter atingido as vias navegáveis: “A solução é tratar os resíduos a montante, antes que eles atinjam as águas, valorizando-os graças a uma tecnologia que permita os transformar em energia”.

Em 2016, o projeto Race for Water, diz Simeoni, tem como missão promover esta “solução tecnológica única” com a ajuda de projetos pilotos: “Essa abordagem, inspirada no empreendedorismo social, permitirá não somente diminuir a poluição plástica nos oceanos como também criar empregos para os mais necessitados. Os benefícios serão múltiplos”.

Dificuldades

Simeoni faz um balanço positivo da passagem do Race for Water pelo Rio e aponta as dificuldades locais: “Foi muito enriquecedor. Conseguimos um bom resultado em termos de sensibilização, embora muito trabalho ainda precise ser feito em razão da falta de conhecimento sobre este problema. As barreiras estruturais (os sistemas de coleta e reciclagem não são tão desenvolvidos na América do Sul como, por exemplo, na Suíça) e econômicas (com grande parte das pessoas vivendo em estado de pobreza) constituem um obstáculo importante à conscientização ambiental da população”, diz.

Malin Borg também avalia a experiência como positiva: “Principalmente a conferência na Biblioteca Parque Estadual foi muito frutuosa, pois juntou pesquisadores, jornalistas, políticos, ativistas e outros atores que normalmente não se falam. O resultado é que não criamos somente novos laços entre suíços e brasileiros, mas também entre suíços e suíços e entre brasileiros e brasileiros que trabalham há anos nesta área sem se conhecerem”, diz.

A campanha “Mar sem Lixo, Mar da Gente” segundo a diretora do Swissnex Brasil, tocou uma grande quantidade e variedade de pessoas: “Realizamos eventos para pesquisadores e estudantes, que são nosso público-alvo tradicional, assim como para um novo segmento de cariocas, como atletas, crianças, moradores de Niterói e pessoas de negócios. Assim, conseguimos sensibilizar muita gente e abrir o debate sobre este problema que ainda não é muito conhecido e que precisa de soluções desenvolvidas pelas mentes mais brilhantes do Brasil em colaboração com atores internacionais como os pesquisadores suíços que estiveram presentes aqui no Rio durante a campanha”.

Conscientização

Na conversa com os jovens iatistas integrantes, seguida por um passeio de barco pela Baía de Guanabara, Marco Simeoni falou sobre a importância de as novas gerações tomarem medidas concretas para evitar o acúmulo de lixo nos oceanos. O velejador suíço disse que o mesmo recado está sendo passado pela Race for Water a jovens habitantes de cidades banhadas pelos oceanos Índico, Atlântico e Pacífico: “O futuro dos oceanos depende deles. Os mais jovens começam a se preocupar com a questão e, assim, mais cedo percebem a importância da preservação da água”.

Já no debate “Preservando os Oceanos: uma corrida contra o tempo”, integrantes da expedição suíça puderam ouvir relatos e trocar impressões com integrantes de movimentos como o Viva Favela e a Associação de Pescadores da Baía de Guanabara, entre outros. Causou surpresa entre os suíços a informação de que a Baía é circundada por uma população de oito milhões de pessoas que habitam moradias onde, em um terço dos casos, não há sequer instalações primárias de saneamento ambiental.

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