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Tecnologia


Primeiro posto para veículos elétricos do Brasil tem carregador suíço


Por Maurício Thuswohl, Rio de Janeiro


Signatário do Acordo de Paris, documento internacional que estabelece novas metas globais para a redução da emissão de gases de efeito estufa, o Brasil aposta no desenvolvimento do mercado interno de veículos elétricos como uma das soluções para diminuir estas e outras emissões de gases poluentes pelo setor automobilístico. 

Um carregador como esse foi doado pela ABB ao Posto Graal 67. (ABB)

Um carregador como esse foi doado pela ABB ao Posto Graal 67.

(ABB)

Entre as iniciativas tomadas por empresas, universidades e poder público para desenvolver este novo mercado, um destaque é o primeiro corredor para veículos elétricos do país, que foi instalado na Rodovia Anhanguera, em São Paulo. O projeto, que liga a capital paulista à cidade de Campinas, conta com a participação da suíça ABB, uma das empresas líderes mundiais em tecnologias de energia e automação.

A ABB tem participação fundamental no primeiro eletroposto rodoviário do Brasil, montado para abastecer os veículos elétricos que trafegam pelo corredor intermunicipal. Um carregador rápido e universal do tipo Terra foi doado pela empresa suíça ao Posto Graal 67, localizado na entrada da cidade de Jundiaí. Além da ABB e da rede de postos, participam da parceria a CCR Autoban (concessionária responsável pela administração da rodovia) e a empresa CPFL Energia, maior grupo privado do setor elétrico brasileiro. A iniciativa tem o apoio institucional da Associação Brasileira de Veículos Elétricos.

Carregador suíço

O carregador suíço que abastece os veículos elétricos do corredor intermunicipal brasileiro é o modelo AC/DC Fast Charger Terra 53 CJG. Segundo a ABB, este carregador é utilizado atualmente em mais de dois mil eletropostos em todo o mundo. O sucesso no mercado internacional se dá graças à possibilidade de utilização universal deste modelo, que é compatível com veículos elétricos que utilizam os padrões SAE Combo (CCS), CHAdeMO ou AC Tipo 2, além de ser a única estação de carregamento rápido configurável com tipos de saída única, dupla ou tripla de 50 kW. O tempo de carregamento varia de 15 a 30 minutos em corrente contínua e de 30 a 60 minutos em corrente alternada. Dois veículos podem ser carregados simultaneamente.

“O carregador é uma solução eficaz que pode ser facilmente integrada à rede de distribuição existente. Além disso, a linha de carregadores rápidos ABB Terra tem todos os serviços conectados via web, o que permite facilidade de conexão para acesso dos dados de seus carregadores por meio de diferentes sistemas de gerenciamento via software, como plataformas de pagamento comerciais ou soluções de gestão de energia via internet. Com isso, é possível a execução remota de assistência técnica, atualização de softwares e resolução de problemas de diagnóstico”, diz Michael Gaechter, gerente geral da Unidade de Negócios de Power Conversion da ABB.

Gaechter cita a importância de participar do projeto brasileiro: “O eletroposto é uma parceria entre várias empresas a fim de viabilizar um projeto de mobilidade. A ABB tem expertise em desenvolvimento, instalação e manutenção de infraestrutura para carregamento de veículos elétricos, não podíamos deixar de contribuir”, diz.

Mobilidade elétrica

O projeto de criação do corredor intermunicipal para veículos elétricos entre São Paulo e Campinas faz parte do Programa de Mobilidade Elétrica da CPFL Energia. A empresa brasileira estuda os impactos da utilização dos veículos elétricos com recursos do programa de Pesquisa & Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Iniciada em 2013, a pesquisa receberá R$ 21,2 milhões em investimentos até 2018, ano previsto para a sua conclusão.

O projeto, que atualmente se encontra em sua segunda fase, inclui estudos sobre o impacto da utilização dos veículos na rede elétrica e a elaboração de propostas para a expansão do sistema. O uso de veículos elétricos como fonte de geração distribuída e o ciclo de vida e reaproveitamentos das baterias também são objeto de estudos técnicos feitos pela empresa. Do ponto de vista institucional, o programa tem o objetivo de propor um modelo de negócios para a mobilidade elétrica no Brasil e de discutir a criação de um marco regulatório para o setor.

“O projeto irá permitir que avancemos em um modelo de negócios para a mobilidade elétrica com aplicação nacional, considerando que os eletropostos também serão utilizados por clientes de fora da área de concessão da companhia. O corredor entre Campinas e São Paulo é um grande avanço, pois proporciona mais segurança aos usuários de veículos elétricos em toda a região”, diz Rafael Lazzaretti, diretor de Estratégia e Inovação da CPFL Energia.

Lazzaretti elogia a participação da empresa suíça no projeto: “Graças à ABB, o posto montado na Rodovia Anhanguera abastece todos os tipos de carros elétricos existentes no mercado brasileiro. O carregador é de grande qualidade, e qualquer veículo consegue reabastecer 80% de sua bateria em meia hora”, diz.

A expectativa da empresa brasileira até a conclusão desta etapa do programa é ampliar sua frota própria de veículos elétricos dos atuais nove para 27 carros, além de aumentar o número de eletropostos em operação no Brasil de seis para 31 estabelecimentos. A ideia é que até 2018 sejam montados pontos para reabastecimento de veículos elétricos em outros locais públicos, como praças, shopping centers e locadoras de automóveis.

Economia

Uma constatação dos estudos realizados pela empresa brasileira CPFL Energia na primeira fase de seu Programa de Mobilidade Elétrica é que os veículos elétricos são quatro vezes mais econômicos do que os veículos convencionais à combustão. Enquanto estes últimos gastam em média R$ 0,19 por quilômetro rodado, os carros elétricos gastam apenas R$ 0,05.

Além disso, a pesquisa mostra que o impacto da expansão dos veículos elétricos sobre a demanda de energia no Brasil seria irrisório. Segundo a CPFL Energia, se a frota de veículos elétricos alcançar a marca de cinco milhões de unidades até 2030, como previsto pelo setor, o aumento do consumo de energia no Sistema Interligado Nacional variaria somente entre 0,6% e 1,7%.


swissinfo.ch

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