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Educação para todos


Universidades suíças têm cursos pela internet




 (Keystone)
(Keystone)

Os cursos universitários gratuitos na internet se expandem rapidamente fora dos Estados Unidos. Depois da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), outras universidades são tentadas a fazer o mesmo. Trata-se de um progresso real ou simples instrumento de marketing? Nem todo mundo acredita.

No ano passado houve uma explosão dos CMELL, ou “cursos massivos livres em linha” como são chamados em francês, apesar da maioria dos cursos seja em inglês. Para ficar de fora dessa nova tendência, as melhores universidades do mundo firmaram parcerias com plataformas como Coursera e Udacity ou criaram seus próprios sites, como edX ou Futurelearn. Surgem também iniciativas individuais.

 A EPFL foi uma das primeiras a adotar os CMELL. Ela tornou-se em junho passado uma das 33 parceiras de Coursera, com um curso de programação informática em linguagem Scala seguido por 53 mil estudantes, cinco vezes mais do que o total de estudantes do campus.

Patrick Aebischer, reitor da Escola, fala de um “tsunami” potencial para o ensino universitário. Isso é confirmado pelo professor Karl Aberer, que supervisiona os cursos online da EPFL: “tenho certeza que esse método vai levar a mudanças fundamentais. Alguns preveem que não teremos mais necessidade de grandes salas de aula nos campus.”

Enquanto isso, a politécnica sediada em Lausanne (oeste) vai lançar um outro curso Scala dentro de alguns meses, ao mesmo tempo que cursos de tratamento do sinal numérico, matemática para informática, programação Java (todos em inglês) e um curso de introdução à programação, em francês. Ao todo, a EPFL prevê ter dez cursos ainda este ano. 

Moda ou tendência?

Outras escolas de nível superior também vão aderir. A outra Escola Politécnica Federal, de Zurique (EPFZ), deverá lançar sem primeiro CMELL dentro de uns oito meses, mas o tema ainda resta a definir. Sua visão é mais prudente e a EPFZ estabeleceu um prazo de dois anos para avaliar essa nova tendência.

Para Pablo Achard, vice-reitor da Universidade de Genebra, os CMELL encarnam o desenvolvimento atual do ensino superior que são a internacionalização, o reagrupamento de escolas de ponta e o desejo de atingir um novo público.

Genebra também prepara um curso on line que será acessível via Coursera ou edX. O anúncio oficial será feito no mês que vem.

“Existe realmente uma enorme vaga de interesse pelos CMELL, especialmente nos Estados Unidos, mas ainda é muito cedo para dizer se é uma moda passageira ou mudança profunda do ensino superior”, acrescenta Pablo Achard.

Por sua vez, a Universidade de Berna diz considera os CMELL como uma maneira de desenvolver o ensino, mas não considera uma prioridade. Quanto às universidades de Zurique, Basileia e Lausanne, por enquanto elas não estão interessadas.

Ailleurs, l’Université de Berne dit considérer les CMELL comme une manière de développer l’enseignement, mais n’en fait pas une priorité. Quant aux unis de Zurich, de Bâle et de Lausanne, elles ne sont pour l’heure pas intéressées.

Em Lausanne, outros canais são explorados. Desde 2009, a Universidade é parceira do iTunes U, plataforma internet do fabricante de informática Apple, que reúne milhares de cursos oferecidos por centenas de escolas superiores como Yale, Mit e Berkeley.

e-learning

Os cursos eletrônicos não são novidade nas universidades. Na Inglaterra, a Open University começou com seus programas de estudo à distância nos anos 1970. Universidades americanas e europeias propõem cursos na internet há mais de dez anos.

Entre 1999 e 2008, as universidades suíças animaram o Swiss Virtual Campus, uma iniciativas com 75 milhões de francos suíços de investimento para introduzir e estimular a adoção de novas tecnologias e de e-learning na educação superior. Conforme seus objetivos do início, esse programa foi desativado quando as universidades foram capazes de ter seus próprios programas de e-learning.

Uma chance para a África

Para muitas universidades, a motivação a oferecer cursos on line são de ordem econômica, aliada à pressão para melhorar a produtividade.

Karl Aberer explica que esses cursos on line deveriam ser uma mostra dos novos métodos de ensino e que o fato de reunir milhares de estudantes pode abrir novas perspectivas para a pesquisa e para a análise de dados.

Contudo, a EPFL tem ambições maiores. Patrick Aebischer

vai deixar a reitoria por seis meses para se concentrar nessa nova tecnologia. Ele vai a Boston, São Francisco e à África para avaliar o potencial.

Para ele, essa nova forma de ensino on line é uma ocasião única de desenvolver a educação superior no continente africano.

Entrevista ao jornal suíço Le Temps, ele explicou recentemente que sua escola, instalada em uma região de língua francesa, tinha uma certa responsabilidade para com as 220 milhões de pessoas que falam francês no mundo e que devem ser 750 milhões em 2050, a maioria na África.

CMELL

Os cursos massivos on line (ou MOOC, para “massive online courses”, em inglês) existia em pequena escala há alguns anos, mas se intensificaram em 2012, com o lançamento de Udacity e Coursera, duas start-ups, fundadas na Universidade de Stanford, no centro da Silicon Valley. Em seguida vieram edX, ide Harvard e do MIT, depois Futurelearn, baseada na Inglaterra.

Em agosto de 2012, quatro meses depois de seu primeiro curso on line gratuito, Coursera tinha um milhão de inscritos em 190 países. Hoje, os 214 cursos propostos por suas 33 universidades parceiras são seguidos por mais de 2,5 milhões de estudantes. Udacity já tem quase um milhão.

Geralmente gratuitos, os CMELL divulgam ensino universitário no mundo numérico, combinando cursos de alta qualidade e redes sociais, sem esquecer o aspecto recreativo com jogos e concursos interativos.

Os estudantes podem aprender em casa através de pequenos vídeos e trocar informações com uma imensa comunidade on line. Certos cursos tem deveres de casa e até um exame final.

Apenas um formato

No entanto, nem todo mundo é tão entusiasta como o reitor da EPFL. Há quem considere que os cursos on line são apenas marketing.

Konrad Osterwalder, chefe do desenvolvimento de tecnologias de ensino na Escola Politécnica Federal de Zurique (EPFZ) considera que, na forma atual, os cursos on line nada tem inovador. Para ele, os bons produtos e-learning elaborados dez anos atrás são geralmente de melhor qualidade.

“O CMELL é apenas um formato, tudo depende do que se coloca dentro. Pode ter coisas boas e más. Na maior parte do que eu vi, é mais fácil ser crítico do que encontrar pérolas”, explica.

  

Konrad Osterwalder acha, contudo, que o aspecto de comunidade e os importantes volumes de dados à disposição, devido um grande número de participantes, são desenvolvimentos particularmente interessantes.

Financiamento

Até aqui, as plataformas existentes atraíram milhões em capital de risco, públicos e privados, mas um problema ainda não está resolvido: como as universidades vão pagar a fatura? O modelo de negócios ideal seria taxas de licença vendidas a usuários potenciais de dados ou outros métodos?

Na Suíça, onde os custos e as taxas de matrícula são muito diferentes das praticadas nos Estados Unidos, as expectativas também são diferentes.

“Para nós, não se trata de obter lucros enormes. No mundo acadêmico, a visibilidade é muito importante. Se você quiser, pode atrair bons estudantes que destacam a qualidade da escola e, assim, atrair patrocinadores. Uma coisa reforma a outra”, explica Karl Aberer.

Outra questão a abordar é como reconhecer os cursos on line. A grande maioria por enquanto não é reconhecida, mas existe um movimento nessa direção, sobretudo nos Estados Unidos. Para Karl Aberer, pode-se imagina futuramente exames on line controlados por centros de teste ou pelas próprias universidades.

“Está claro que se damos um curso pela internet, não vamos dar crédito”, afirma por sua vez Konrad Osterwalder. “Ou então somente para os estudantes inscritos na EPFZ. Mas penso que isso vai mudar e tenho certeza que as discussões vão continuar. Chegará o momento em deveremos enfrentar essa questão do reconhecimento. Por enquanto, o debate é difícil porque a maioria das universidades não quer discutir o assunto seriamente.”


Adaptação: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch



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