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Espetáculos


A dança e o teatro do Brasil nos palcos de Zurique


Por Dalen Jacomino, Zurique



Espetáculo "E se elas fossem para Moscou?": estreia europeia no Festival de Teatro de Zurique. (Zürcher Theater Spektakel)

Espetáculo "E se elas fossem para Moscou?": estreia europeia no Festival de Teatro de Zurique.

(Zürcher Theater Spektakel)

Festival de Teatro de Zurique reúne grupos e artistas individuais de 22 países numa combinação efervescente de culturas e interpretações. A arte da América Latina é um dos carros chefes do Festival de Teatro de Zurique (Zürcher Theater Spektakel) este ano. 

Espetáculos criados e produzidos no Brasil, Chile e Argentina poderão ser conferidos até o final de agosto no “Landiwiese”, parque localizado às margens do Lago de Zurique, onde acontece o Festival. No total, são seis produções da América Latina. Dessas, três espetáculos são assinados por brasileiros.

A performance Cicatriz fará sua estreia em palcos europeus no Festival. Trata-se de uma peça curta, com duração de 20 minutos, em que a bailarina Aline Corrêa, 22 anos, de cabeça raspada, com o corpo apenas pintado com letras e sinais, trabalha a relação entre identidade e memória. A coreografia foi desenvolvida juntamente com seu professor Paulo Azevedo, que já participou do Festival de Teatro em 2008 com a Membros Cia de Dança.

“Aline trouxe a ideia inicial da Cicatriz e aí começamos a desenvolver o projeto juntos, comecei a desafiá-la para a experiência”, explica Azevedo, que é  diretor artístico, coreógrafo escritor e vem desenvolvendo uma série de projetos artísticos de mobilização da juventude e do utilização do espaço urbano como plataforma de criação e apresentação. “Nosso objetivo é surpreender. É gerar sensações.”

A bailarina Aline Corrêa concorre ainda ao Prêmio de Reconhecimento ao lado de outros sete artistas. O prêmio é concedido para grupos ou artistas individuais que apresentam performances extraordinárias nas áreas de coreografia, dramaturgia, participação do público ou atuação como ator ou atriz.

A autora, diretora de teatro e cineasta brasileira Christiane Jatahy

Em "Se elas fossem para Moscou?", Christiane Jatahy aproxima o teatro do cinema. (Zürcher Theater Spektakel)

Em "Se elas fossem para Moscou?", Christiane Jatahy aproxima o teatro do cinema.

(Zürcher Theater Spektakel)

também fará a estreia europeia do espetáculo What if they went to Moscow? (E se elas fossem para Moscou?) , uma adaptação livre da peça “Três Irmãs”, do autor russo Chekhov. A peça examina os contrastes entre realidade e ficção. Enquanto as três atrizes fazem suas performances no palco, um filme é feito simultaneamente e apresentado no cinema.  Trata-se, portanto, de uma peça que é também um filme. Desde 2000, a diretora tem desenvolvido pesquisa sobre as diversas possibilidades cênicas.

Retrato do Festival 2014

De 14 a 31 de agosto em Zurique

Espetáculos de 22 países

Reúne um total de 48 companhias e artistas que trabalham individualmente

3 Performances do Brasil: Cicatriz (Aline Corrêa), Suddently everywhere is black with people (Marcelo Evelin & Demolition Inc),  What if they went to Moscow (Christian Jatahy – Teatro e Filme).

América Latina: Além do Brasil, participarão grupos e artistas da Argentina e do Chile

De Portugal, haverá o grupo Oquestrada

Segunda participação

Ano passado, Christiane participou do Festival em Zurique com a peça “Julia”, baseada no texto clássico de August Strindberg, de 1888. “Em ‘Julia’, Christiane apresentou uma interpretação super precisa, inteligente, emocional”, afirma Sandro Lunin, diretor artístico do Festival de Teatro de Zurique. “Por isso, quando há uma afinidade com o trabalho desenvolvido pelo artista, procuramos acompanhar seu desenvolvimento e promovê-lo.

O terceiro espetáculo, intitulado Suddenly everywhere is black with people (De repente tudo fica preto de gente), é assinado pelo coreógrafo Marcelo Evelin, que se apresenta ao lado do Demolition (Demolição) Inc . Criada em 1995 em Nova York em torno do trabalho de Evelin, o Demolition se define como uma “plataforma de criação e produção que atua no terreno das artes performáticas contemporâneas, de forma autônoma e colaborativa.” 

A obra, criada para cinco dançarinos de diferentes parte do mundo, tem como base o livro “Massa e Poder”, de Elias Canetti, que descreve a massa como fenômeno enigmático e universal. No palco, os dançarinos, pintados de preto, se movimentam como uma espécie de massa amorfa. Em 2011, o espetáculo levou o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna.

Desde 2008, sempre tivemos, pelo menos, um grupo de artistas do Brasil no Festival. Também contamos com participação de grupos e artistas da Argentina, Chile, entre outros. É um processo que se renova a cada ano”, afirma Lunin.

Do ponto de vista do conteúdo, as produções são construídas e desenvolvidas a partir da visão singular de cada artista sobre as realidades ou questões do universo atual. No total, participam do Festival este ano 48 grupos e artistas individuais de 22 países.

“Em Zurique, durante o ano, existem poucos espetáculos apresentados no circuito tradicional em espanhol ou português. Então, essa é uma chance em poucas que se tem de assistir a um espetáculo diretamente nessas línguas”, afirma Lunin. 

Cidade fica animada

Ainda em língua portuguesa, o Festival de Teatro de Zurique conta com o show da banda portuguesa OqueEstrada. As composições do grupo, criado há mais de 10 anos,  têm forte influência do fado e da música popular portuguesa.

Além de trazer para Zurique as novidades do teatro, da dança e da música sendo produzidas em todo o mundo, o Festival de Zurique reúne bares, restaurantes e performances ao ar livre, criando uma atmosfera singular às margens do Lago de Zurique.

Ao longo dos últimos anos,  o Zürcher Theater Spektakel tem se consolidado como um ponto de encontro, um espaço que tem tudo para estimular os sentidos e promover a diversidade artística.  

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