Navegação

Menu Skip link

Funcionalidade principal

Expansão da UE suscita temores e esperanças

Durante o encontro de Atenas, mais dez novos países são integrados à União Européia.

(Keystone)

A União Européia (EU) e dez novos países-membros assinaram, na quarta-feira, tratados de adesão. A Suíça reforça sua situação de “ilha” no coração do continente europeu.

Partidos políticos estão divididos na questão de saber se a expansão representa uma chance ou risco para a Suíça.

A União Européia (EU) deu, na quarta-feira, um passo importante na integração política e econômica do continente. Dez novos países integrantes – em grande parte do leste europeu – assinaram tratados de adesão durante o encontro realizado em Atenas, na Grécia.

Sete acordos bilaterais

Essa expansão terá seguramente um efeito sobre a Suíça, já que as suas relações com a União Européia são regulamentadas através de sete acordos bilaterais, destacando-se aquele que rege a livre circulação de pessoas.

Ao mesmo tempo, ainda existem acordos que estão em fase de negociação entre a UE e a Suíça, como é o caso da questão do asilo político (acordo de Dublin), sobre a cooperação entre as polícias (acordo de Schengen) e sobre o segredo bancário suíço.

Opiniões diversas sobre a expansão

Ao mesmo tempo que a UE se expande, políticos suíços dividem-se na questão de saber se essa nova realidade terá efeitos positivos ou negativos para o país.

O deputado socialista Andreas Gross saúda a integração dos países do leste. Na sua opinião, trata-se de um desenvolvimento que também é positivo para a Suíça.

A direita não é da mesma opinião. Seus políticos temem, em grande parte, um grande fluxo de cidadãos da Europa oriental. Por isso ela ameaça com o pedido de um plebiscito.

Partidos de centro também temem que a União Européia peça ao governo suíço para participar financeiramente de um fundo de desenvolvimento em favor dos novos membros.

Partidos de esquerda estão dispostos a colaborar

Para Andreas Gross, adepto da integração suíça à UE, a entrada de dez novos países mostra que a União Européia não é mais um clube de ricos. Os novos membros irão seguramente beneficiar-se economicamente da sua adesão.

O político socialista apóia, inclusive, a idéia de uma contribuição financeira da Suíça, para apoiar na reconstrução da infra-estrutura dos dez recém-chegados integrantes da UE.
“Não trata-se apenas de financiar a expansão da União Européia, mas sim de participar nos custos do estabelecimento de um vasto mercado consumidor que, no final das contas, irá beneficiar também a Suíça”.

Na opinião de Gross, a Suíça também deve reconhecer o desenvolvimento pacifico e econômico da Europa, nos últimos cinqüenta anos.

Nessas condições, não seria um espanto se a União Européia solicitar o apoio suíço.

A direita não quer saber de gastos

Para os políticos da direita, o discurso é diferente. Christiane Langenberger, a nova presidente do Partido Radical, estima que a Suíça não deve ter a obrigação de contribuir financeiramente à integração dos novos membros da UE, pois ela não faz parte desse bloco.

Para o “economiesuisse”, instituto empresarial de pesquisas econômicas, a questão da participação financeira da Suíça seria “um pedido incomum por parte da UE” nas palavras do seu diretor Gregor Kündig.

Quanto a União Democrática do Centro (direita extremada), seus políticos não querem nem ouvir falar de uma possível contribuição suíça. O partido já ameaça lançar um plebiscito, se os acordos bilaterais concluídos com a União Européia forem estendidos também para os dez novos membros.

Debate acalorado sobre a imigração

Os acordos bilaterais deverão também ser aplicados aos dez novos países-membros, tendo porém uma exceção: a livre circulação de pessoas.

Esse acordo terá que ser negociado separadamente com cada novo membro. Eles terão de ser votados posteriormente pela população suíça, através de um plebiscito.

O Partido Radical estima que a vinda de trabalhadores pouco ou medianamente qualificados poderá ser benéfico para a economia suíça, já que existe uma grande falta de mão-de-obra em setores como a gastronomia, o turismo, a agricultura e a saúde.

O mito do "paraíso suíço" deve acabar

Porém essa argumentação é contestada pelos sindicatos. Eles lembram que atualmente a Suíça vive também elevados índices de desemprego.

Já a União Democrática do Centro mantém o mesmo discurso feito durante as negociações do primeiro acordo bilateral com a UE. O partido alerta a população frente ao perigo de um afluxo em massa de europeus do leste, à procura de emprego na Suíça.

O partido da extrema-direita reforça essa opinião. "Os outros partidos esquecem que a população já não suporta mais a imigração", declara seu vice-secretário, Aliki Panayides. "Todo mundo sabe que é muito grande o número de pessoas desses países que sonham em vir para a Suíça".

Andreas Gross contesta essa visão. Ele estima que é necessário acabar com o mito do "paraíso suíça". Na sua opinião, a grande parte desses novos cidadãos da UE irá preferir continuar nos seus países, já que a própria adesão trará novas perspectivas econômicas.

Eficácia relativa das leis

Para Andreas Gross, mesmo se as leis de imigração na Suíça são cada vez mais duras, é impossível conter o fluxo migratório. Na sua opinião, essas leis acabam atacando os sintomas e não as raízes do problema.

“A imigração é, hoje em dia, uma realidade em nível mundial”, declara o político socialista. “A causa desse movimento é a má divisão das riquezas. Aqueles que não investem capitais nos países carentes, não podem se surpreender que seus habitantes venham onde este se encontre”.

swissinfo, Rita Emch
(tradução: Alexander Thoele)

Breves

Os dez novos membros da União Européia:
- Estônia
- Lituânia
- Letônia
- Polônia
- Eslováquia
- República Tcheca
- Hungria
- Eslovênia
- Malta
- Chipre

Aqui termina o infobox

Neuer Inhalt

Horizontal Line


Teaser Instagram

Siga-nos no Instagram

Siga-nos no Instagram

subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.