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Expatriados se preparam para votar


Por Isabelle Eichenberger,


Participação política dos suíços expatriados , um tema recorrente nas reuniões do Conselho dos Suíços do Estrangeiro. (swissinfo.ch)

Participação política dos suíços expatriados , um tema recorrente nas reuniões do Conselho dos Suíços do Estrangeiro.

(swissinfo.ch)

Os 135 mil eleitores suíços expatriados prometem uma grande participação nas eleições parlamentares de 23 de outubro.

É o que revela uma pequena pesquisa de opinião realizada por swissinfo.ch no Congresso dos Suíços do Estrangeiro, em Lugano (sul).

"Quando eu deixei a Suíça em 1954, eu não tinha direito a votar. Por isso, desde o sufrágio feminino, em 1971, nunca perdi uma única votação!", diz Marianne Richardson, que mora atualmente na Califórnia.

Como essa expatriada, os delegados da Organização dos Suíços do Estangeiro (OSE) reuniram-se no final de agosto em Lugano, na Suíça italiana, para acompanhar de perto a política de sua terra natal. Embora algumas dificuldades, eles votarão mais uma vez por correspondência, enquanto esperam que o voto eletrônico (na Suíça o voto pela internet) seja generalizado, como prometido pela OSE, até as próximas eleições de 2015.

Peter Jordi (em Nova York desde 1963) tem saudades de sua "Heidiland", mas preocupa-se principalmente com os problemas da alta do franco: "Se o Banco Central da Suíça não fizer nada, isso pode arruinar a economia suíça..."

Livre circulação em causa

Os problemas financeiros podem mudar a vida dos expatriados ou sua relação com a Suíça, mas também as relações da Confederação com os outros Estados europeus, diz Gian Franco Definti (em Milão há 50 anos). "Eu acho que Berna hesita ou é tímida nas suas relações externas, especialmente com a Itália. É preciso encontrar uma forma adequada de coexistência com a União Europeia e não vejo alternativa para acordos bilaterais”, disse o corretor de seguros aposentado.

Se o tema dos acordos bilaterais da Suíça com a UE é frequentemente lembrado é porque a maioria dos expatriados suíços vive na União. "Como diretor da Câmara de Comércio Suíça-Polônia, me agrada notar que somos tratados de forma igual. Embora não seja a favor da adesão à UE, estou muito satisfeito com os acordos bilaterais", disse Ulrich Schwendimann.

Talvez por isso, o empresário se mostre preocupado com a iniciativa contra a livre circulação de pessoas, lançada pelo Partido do Povo Suíço (SVP na sigla em alemão): "Acho estranho essa mudança desses que são precisamente os mais hostis à UE, mas o que mais me preocupa é o efeito 'guilhotina', que cancelaria os outros acordos bilaterais."

Daniel Tornare (nascido em Lyon, na França, filho de pais que emigraram na década de 30) apresenta uma opinião idêntica: "É verdade que Genebra está com uma taxa de criminalidade nunca vista e não há controle suficiente, mas, em contrapartida, os suíços na UE têm grande liberdade. O que vai acontecer com eles se ela for cortada?"

Ponto de vista que a californiana Marianne Richardson discorda: "Minha família vive no vale de Joux (oeste) e vê todos os dias a chegada massiva de fronteiriços franceses que vêm trabalhar no Jura, isso me preocupa."

Imigração

O senhor Karl Frei, do México, protestou contra "aqueles que propõem coisas muito extremas sabendo que não vai acontecer, na esperança de obter algumas votps dos que têm medo da imigração". Imigração: essa é a palavra da campanha do SVP e os suíços do estrangeiro já entenderam muito bem a mensagem.

Frei continua: "A Suíça é, às vezes, generosa demais com as pessoas que dizem que são perseguidas no país delas e alguns casos que excederam causaram muito barulho, que acabou resultando em generalizações. Mas é preciso ter muito cuidado com a propaganda extremista. É verdade que a criminalidade aumentou, mas nem por isso é necessário mudar a política, basta aplicá-la melhor."

Jean-Rodolphe Lüthi (estabelecido na Califórnia há 32 anos), compartilha essa opinião. "Vejo que as coisas mudaram, há muitas pichações, estrangeiros que vão embora com pensões da previdência, todos esses refugiados que mudam a imagem da bela Suíça. O governo parece achar isso normal, mas também vejo que os suíços não são ricos e têm problemas. Moro nos Estados Unidos e sou contra a discriminação, mas a ordem tem que ser mantida."

Prognósticos

Daniel Tornare lamenta ainda as mudanças dos últimos anos com "a ascensão meteórica da direita na Áustria ou na França, com o Front national. Isso assusta e devemos evitar os extremismos.”

Gian Franco Definti, ao contrário, acha as mudanças positivas. "Há muito mais debates, alguns até brilhantes, e os problemas são resolvidos mais diretamente, com soluções mais concretas. Os partidos tradicionalmente de direita (PLR e PDC) tinham muito poder antes, e a política foi estendida a outros partidos."

Pierino Lardi (na Venezuela há 8 anos), por sua vez, acha que as mudanças fazem parte da democracia direta: "Na minha opinião, as mudanças dos últimos 10 anos são temporárias porque foram influenciadas pelos acontecimentos. O SVP aproveitou para alimentar o seu populismo, mas duvido que cresça novamente em outubro.”

Johann Dähler (que vivem na Costa Rica, onde criou uma seção do SVP) acredita, ao contrário, que seu partido vai ganhar ainda mais terreno: "Não é porque é o melhor, mas porque é o único que entendeu o que o povo quer."

Definti arrisca um palpite e diz que o PLR e o PDC devem recuar, a esquerda deve ficar na mesma e o SVP deve aumentar um pouco mais sua presença no Parlamento: "De qualquer forma, eu não espero grandes reviravoltas. Sempre haverá duas Câmaras que funcionam muito bem com personalidades à altura, disso tenho certeza", conclui.

Lardi espera que "os partidos tradicionais de centro recuperem algum terreno perdido há quatro anos". Assim como Ulrich Schwendimann, que lamenta a erosão do centro: "Felizmente, na Suíça, as consequências deste processo não são radicais, porque continuamos buscando um consenso. Dito isto, não espero que aconteça nenhuma revolução", conclui, com uma gargalhada.

Candidatos da diáspora

Partido do Povo Suíço: mais de 50 candidatos em 8 listas eleitorais para os suíços do estrangeiro nos cantões de Aargau, Basileia, Genebra, Grisões, Schaffhausen, Solothurn, Schwyz e Zurique.

 

Partido Socialista: 14 candidatos em três listas nos cantões de Genebra, Zurique e Schaffhausen.

 

Partido Verde da Suíça: 6 candidatos em uma lista especial no cantão de Genebra.

Partido Democrata Cristão: 4 candidatos no cantão de Genebra.

 

Partido Liberal Radical: 3 candidatos incluídos nas listas tradicionais do partido apresentadas em Basileia, Berna e Zurique.

 

Partido Democrático Burguês: um candidato em Schwyz.

Direitos políticos

Para participar das votações ou das eleições federais, os suíços do estrangeiro devem se inscrever em um registro eleitoral. O voto deles é contado em seu último local de residência na Suíça ou na sua cidade de origem (lugar de onde surgiu seu primeiro antepassado).

Eles podem eleger e serem eleitos em todos cantões para a Câmara dos Deputados. Apenas 11 cantões concedem esse direito para o Senado.

Desde 1992 (introdução do voto por correspondência), a participação política da diáspora aumentou consideravelmente, chegando a 135.877 inscritos em 2011.

Nas eleições federais de 2007, a diáspora suíça apresentou 44 candidatos para a Câmara dos Deputados, mas nenhum conseguiu se eleger.


Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch



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