AFP

TO GO WITH AFP STORY Açaizeiros em fazenda em Anapu, norte do Pará

(afp_tickers)

A FAO pediu nesta segunda-feira a conservação dos bosques e a promoção de mais políticas agrícolas para lutar contra as mudanças climáticas na América Latina e Caribe, o que pode colocar em risco a segurança alimentar da região.

"A atividade florestal representa o grosso do potencial de mitigação da mudança climática na América Latina", onde a expansão de cultivos agrícolas e do gado estão "impulsionando a perda e a degradação das florestas", alertou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O relatório anual sobre o Estado Mundial da Agricultura e da Alimentação da FAO, apresentado nesta segunda-feira em Roma e em Santiago, nessa edição se concentra na "Mudança Climático, Agricultura e Segurança", aproveitando o histórico acordo alcançado em Paris no ano passado.

Em 2014, as principais fontes de emissão de gases de efeito estufa no setor agrícola na América Latina e no Caribe foram os produzidos pelos ruminantes (58%), pelo esterco (23%) e pelos fertilizantes sintéticos (6%).

"Há muitas coisas por fazer e tudo depende da zona agroecológica e dos grupos agrícolas", disse a representante da FAO no Chile, Eve Crowley, que defende uma "maior coerência entre políticas agrícolas, segurança alimentar e nutricional e mudança climática".

Aos consumidores, pede-se que reduzam o consumo de carne e limitem o desperdício de alimentos.

"O clima e a agricultura na região não serão os mesmos depois da mudança climática: os prognósticos indicam que até o final do siglo XXI haverá uma grande variação no nível de precipitações na América do Sul", garantem os autores do relatório.

Incêndios na Amazônia

Enquanto no nordeste do Brasil haveria uma redução de 22% nas chuvas, no sul da América do Sul se espera um aumento de 25%.

Para a Amazônia, as previsões do relatório da FAO são pouco alentadoras: haverá maior risco de incêndios, redução da superfície de bosques e conversão desses terrenos em savanas.

Na América Central, a mudança climática ameaça com a extinção 40% das espécies de manguezais.

O relatório aponta que a mudança climática afetará os cultivos e a pecuária da região de diversas maneiras. Nas zonas temperadas aumentará a produtividade de soja, trigo e pastos, mas a aridez dos solos e o estresses térmico reduzirão a produtividade nas regiões tropicais e subtropicais.

Além disso, se espera uma maior salinização e desertificação nas zonas áridas de Chile e Brasil, enquanto a agricultura nas zonas semiáridas terá maiores perdas de cultivos.

A FAO também prevê uma queda da produção primária de pesca no Pacífico tropical e a migração de algumas espécies de peixes para o sul.

"A maior frequência de tempestades, furacões e ciclones prejudicará a aquicultura e a pesca do Caribe, e as mudanças de temperatura podem alterar a fisiologia das espécies de peixes de água doce e gerar o afundamento dos sistemas de arrecifes de coral", alerta.

Menos alimentos, pior dieta

Em um relatório complementar sobre a segurança alimentar e nutricional na América Latina e Caribe, se alerta de que a mudança climática pode afetar as "quatro dimensões" da segurança alimentar e ameaçar as grandes conquistas da região em sua luta contra a fome e a pobreza.

Desse modo, a mudança climática pode afetar a estabilidade da segurança alimentar, a produção de alimentos, o acesso aos alimentos e, consequentemente, uma eventual mudança da dieta da população "pouco variada e afastada dos padrões alimentares saudáveis".

"Uma mensagem importante é que os custos de inação são enormes", diz Crowley.

"Vale a pena investir agora e agir hoje em dia em vez de esperar, porque não só haverá custos para os agricultores e para os os sistemas de segurança social dos países, como para a humanidade em termos de prosperidade e paz", conclui.

afp_tickers

 AFP