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FDP – O Partido Liberal Radical


"Há diferenças significativas entre nós e o Partido do Povo Suíço"


Por Andreas Keiser


O Partido Liberal Radical, que fundou a Suíça moderna, defende uma ordem econômica liberal e advoga em favor de um Estado enxuto. O partido, que costumava ter o maior número de eleitores, registrou apenas 15,1% dos votos em 2011. Philipp Müller, presidente do partido, prevê uma virada nas próximas eleições, marcadas para outubro próximo.

Philipp Müller, presidente do FDP – Partido Liberal Radical. (Keystone)

Philipp Müller, presidente do FDP – Partido Liberal Radical.

(Keystone)

swissinfo.ch: No últimos 20 anos, a porcentagem de eleitores que votam no seu partido vem diminuindo continuamente. Nas eleições de outubro deste ano vocês pretendem aumentar este número. Como pensam em atingir este objetivo? 

Philipp Müller: É da natureza do partido querer sempre engordar os números. Temos bons indícios de que haverá uma virada. Obtivemos números expressivos nas pesquisas. Nas eleições cantonais do mês passado, atingimos bons níveis. Agora temos que fazer uma boa campanha e mobilizar nossos eleitores.

A entrevista foi realizada em março de 2015.

Não precisamos inventar nada, precisamos simplesmente ir ao encontro das preocupações e necessidades das pessoas. Escolhemos três palavras que irão nortear nossa campanha: liberdade, espírito público e progresso. É isso que defendemos. Espírito público não significa redistribuição, no sentido usado pela esquerda. O que nós queremos, por exemplo, é que as obras sociais sejam financiadas de forma sustentável, ou seja, que em 10 ou 20 anos elas ainda sejam financiáveis.

swissinfo.ch.: Alguns críticos do Partido Liberal – inclusive de dentro do partido – dizem que ele se degenerou a ponto de tornar-se um mascote do Partido Popular Suíço - SVP. E há quem queira fazer acordo de legenda com o Partido Popular Suíço. No meio deste cenário díspar, onde o senhor posicionaria o partido? 

Ph. M.: Eu não vejo um cenário díspar. As assembleias de representantes do partido são bem frequentadas. Esta é a nossa base, ali é que as pessoas são ativas e engajadas. Ali são tomadas as decisões que valem para a direção do partido e para a bancada no Parlamento.

Se houvesse um cenário díspar, seria correto haver críticas. Escutamos as críticas e, quando são pertinentes, consideramos adaptações. Mas as críticas não podem ser anônimas.

swissinfo.ch: Mesmo assim, em que direção o senhor ajustaria o perfil do partido para que ele não seja confundido com o Partido Popular Suíço - SVP?

Ph.M.: A questão não é nos distanciarmos deste ou daquele partido. Fazemos a nossa política, e há diferenças significativas entre nós e o Partido do Povo Suíço - SVP. Por exemplo, na questão relativa ao relacionamento com a União Europeia e aos acordos bilaterais da Suíça com a UE, que defendemos sem restrições. Mas também há diferenças na política de migração.

Nas questões referentes às políticas de ordem econômica, financeira e tributária, frequentemente concordamos com o Partido Popular Suíço - SVP. Não temos a necessidade de nos distanciarmos sempre. Procuramos obter a maioria no Parlamento onde for possível. Nas questões relacionadas à agricultura e às subvenções, em geral estamos mais próximos do Partido Social Democrata ou do Partido Verde.

swissinfo.ch: Quais são as duas prioridades máximas para o próximo período legislativo?  

Ph.M.: Nossa relação com a União Europeia será um ponto central. Refiro-me à implementação da Iniciativa contra a Imigração em Massa, à continuidade dos acordos bilaterais com a UE e também ao grande projeto „previdência para idosos 2020“.

swissinfo.ch: A implementação completa da Iniciativa contra a Imigração é diametralmente oposta aos contratos da Suíça com a União Europeia. O quanto vocês estão dispostos a diluir esta iniciativa a fim de salvar os acordos bilaterais?

Ph.M.: Isso ainda não pode ser definido. As negociações com a União Europeia ainda estão em andamento. Não tenho ilusões com relação a isso e não acredito que os três novos conceitos que constam da Constituição desde 9 de fevereiro de 2014 – quota máxima anual, contingente e preferência para cidadãos suíços – possam ser compatíveis com o Acordo de Circulação de Pessoas. A questão agora é sondar o que é possível nas negociações com a União Europeia. Afinal a Constituição é o principal, e teremos que encontrar uma solução. Mas ainda não sabemos qual será.

swissinfo.ch: Vamos precisar neste caso de um outro plebiscito?

Ph.M.: Até o dia 8 de fevereiro de 2017, o Parlamento terá que aprovar uma lei de implementação da Iniciativa contra a Imigração em Massa. De qualquer maneira, a 27 de novembro de 2016 vai haver um referendo. Será a última votação antes de expirar o prazo de três anos para que a Constituição entre em vigor. Ainda não sabemos como será esta lei, mas esta votação será decisiva, pois teremos que enfrentar a questão de como ficará o impacto da lei sobre os acordos bilaterais com a União Europeia. 

swissinfo.ch: O Islamismo frequentemente é causa de discussões. Que lugar esta religião deve ocupar dentro da sociedade? 

Ph.M.: Somos um estado laico e queremos continuar a sê-lo. Quem segue a nossa Constituição, nossas leis e tradições possui liberdade religiosa e não enfrenta problemas na Suíça. Não queremos correntes e tendências fundamentalistas. Seríamos decididamente contra estas tendências, independentemente de que lado viessem. 

FDP – O Partido Liberal Radical

Nasceu da fusão, em 2009, entre o Partido Radical-Democrático (PRD) e o Partido Liberal-Suíço (PLS). Mas sua história é bem mais antiga, pois suas raízes encontram-se nos movimentos liberais e radicais que marcaram o nascimento do Estado federal moderno em 1848.

Enquanto o PLS se limitou a atuar em alguns cantões, o PRD foi até 1943 o partido mais forte do país. Depois o PRD sofreu uma erosão constante, passando de 24% dos eleitores em 1979 a 15,7% em 2007.

Apesar da sua fusão com o PLS, o partido não conseguiu recuperar o eleitorado, tendo tido apenas 15,1% dos votos durante as eleições federais de 2011. O partido defende tradicionalmente valores como a responsabilidade individual e a livre empresa. Atualmente, está representado por 2 ministros, 30 deputados e 11 senadores. Desde 2012 é dirigido pelo deputado-federal Philipp Müller.


Adaptação: Fabiana Macchi, swissinfo.ch

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