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Fim da taxa de câmbio mínima


Decisão do Banco Central sacode os mercados


Por swissinfo com agências


Criando uma enorme surpresa, o Banco Central Suíço anunciou quinta-feira sua decisão de abandonar a taxa de câmbio mínima de 1,20 franco por um euro. O franco dispara e os mercados são sacudidos.

Thomas Jordan, presidente do Banco Central Suíço (SNB), fala do fim da taxa mínima de câmbio do euro de CHF 1,20 durante conferência de imprensa em Zurique, nesta quinta-feira 15 de janeiro. (Keystone)

Thomas Jordan, presidente do Banco Central Suíço (SNB), fala do fim da taxa mínima de câmbio do euro de CHF 1,20 durante conferência de imprensa em Zurique, nesta quinta-feira 15 de janeiro.

(Keystone)

A ruptura e prejudicial”, segundo Fernando Martins da Silva, analista do Banco Estadual de Vaud (BCV). Do ponto de vista das empresas, o choque de adaptação é rude. Elas estavam protegidas durante mais de três anos pela taxa de câmbio. O Banco Central Suíço (BNS) motivou sua decisão de continuar defendendo o franco suíço com a introdução de uma taxa negativa de referência dos juros de -0,75%.

Ao que parece, a situação tornou-se insustentável para o BNS sob pressão. E a correção anunciada acentuando os juros negativos deverá perdurar, tanto para a Bolsa Suíça como para o câmbio com o euro.  

"A taxa mínima de câmbio foi adotada em um período de extrema valorização do franco suíço e de grande incerteza nos mercados financeiros, explica o BNS. Essa medida “excepcional e temporária preservou a economia suíça de graves prejuízos. O franco suíço continua alto, mas desde a introdução do câmbio mínimo, sua sobrevalorização se atenuou. A economia pode aproveitar dessa fase para adaptar-se à nova situação", destaca ainda o Banco Central Suíço, através de um comunicado. 

Três fatores

A surpresa é ainda maior que o vice-presidente do Banco Central, Jean-Pierre Danthine, garantia ainda segunda-feira à rádio RTS que “o câmbio mínimo deveria restar o pilhar da política monetária suíça.”

Fernando Martins Da Silva estima que três fatores motivaram a decisão do BNS de abandonar o instrumento adotado em 6 de setembro de 2011. Primeiro, um fator cíclico ligado às antecipações de que o Banco Central Europeu (BCE) deverá anunciar a compra massiva de dívidas públicas. Em segundo lugar, há a incerteza ligada às eleições na Grécia.

Finalmente, nos últimos meses, o franco suíço estava menos sobrevalorizado em relação ao euro. Segundo Fernando Martins da Silva, passou-se de 1,35 francos por um euro em 2011 a 1,20-1,25 franco antes da decisão de quinta-feira, na base da paridade dos poderes de compra.

Notícia muito mal acolhida

Antecipada por nenhum estrategista, a alta do franco suíço deverá causar grandes perdas de alguns investidores e os observadores estima que a volatilidade excepcional vai deixar marcas.

A notícia foi muito mal acolhida na Suíça, especialmente pela União Sindical Suíça (USS). Essa decisão “coloca em grande perigo os salários e os empregos da economia exportadora e aumenta os riscos de deflação na Suíça. Mesmo com o câmbio a 1,20 francos por um euro, nossa moeda continuava claramente sobrevalorizada. A supressão desse piso escancara a porta aos especuladores do franco suíço. Portanto, ele certamente vai de valorizar de maneira descontrolada”, escreve o economista da USS Daniel Lampart. Ele acrescenta que “a economia exportadora (indústria, turismo) que já sobre atualmente da sobrevalorização do franco suíço verá seus encargos se acentuarem.”

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