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Fotógrafo italiano mostra a Suíça de maneira inusitada

Grisões - Pizzo Berina. lugar que separa a Val Malenco italiana da Alta Engadina, o Pizzo Bernina (4049 m).

(Antoni Attini)

A Suíça vista do alto é um calidoscópio de cores e desenhos. As paisagens naturais e os cenários urbanos ganham um novo enquadramento, o aéreo, e propõem um diferente ponto de vista: aquele das nuvens.

O fotógrafo italiano Antonio Attini imortalizou em papel de luxo pastos, rios, lagos, montanhas, vilarejos e cidades.

Um mosaico fotográfico revela os cantões deste país cercado de beleza por todos os lados. 400 imagens estão distribuídas pelo mesmo número de páginas do livro Suíça Emoções do Céu, da editora White Star. Elas foram realizadas a partir de vôos em helicóptero, balão e a bordo do avião Pilatus, de fabricação suíça e capaz de enfrentar grandes turbulências com as duas portas abertas.

O trabalho está, literalmente, à altura da grandiosidade e da riqueza da geografia da nação helvética. A pequena e exuberante Suíça ganha contornos inimagináveis para quem tem sempre os pés na terra. A fotografia aérea imprime ao espaço outra dimensão e ainda reforça o conceito de identidade de um povo. "O trabalho durou um ano inteiro. E foi feito principalmente no verão, na primavera e no outono. Já as fotos das montanhas fizemos no inverno", explicou Antonio Attini à swissinfo.

A transformação da Suíça inteira num gigantesco estúdio fotográfico ao ar livre não impede os caprichos do tempo. E a luminosidade, decidida pela meteorologia e balanceada por filtros do fotógrafo, realça os contornos e os detalhes que emergem de cada foto, todas realizadas com filme. O livro também é uma espécie de catálogo que testemunha a atenção com a preservação do meio ambiente e a qualidade de vida dos habitantes.

Nunca antes a Suíça tinha sido alvo de um trabalho aéreo tão detalhado. "Acho que os suíços irão se surpreender com o que vão ver', arrisca Antonio Attini. O livro foi apresentado no Consulado Geral da Suíça, em Milão, através da projeção de imagens num telão. "Eu estou acostumado a viajar e a fotografar pelo mundo. Eu nunca vi algo tão ordeiro, arrumado como a Suíça. Uma limpeza, uma geometria, até os carros estacionados servem para compor figuras. Não é como os estacionamentos selvagens aqui na Itália. Em outros lugares focamos a beleza para separá-la das porcarias; não tive este problema na Suíça, pois tudo era belo e estava no lugar certo", disse Antonio Attini.

Natureza e urbanismo em harmonia

Os vales da Floresta Negra, as montanhas de Jungfrau, Mönch, o monte Eiger enchem os olhos do leitor. Normalmente a prospectiva de quem vê do alto tende a diminuir o que está embaixo. Mas desta vez acontece o contrário, tal é o domínio da técnica de capturar num instante o impacto de algo majestoso e erguido ao longo dos milênios.

Como numa revelação, surgem diante dos olhos os picos com as neves eternas, descobertos por quem está bem acima deles. O jogo de sombras provocado pelos raios de sol e pela presença das nuvens cria um belo efeito visual. O país moldado pelas forças da natureza rende a sua homenagem tratando-se bem e conservando-se melhor ainda. "As montanhas vistas do alto são estratosféricas, o Cervino, o Monte Rosa, são imponentes, revelam toda a sua majestade. Mas as colinas e os vales também me causaram uma forte impressão. Parecia que eu estava na Toscana, em alguns momentos", disse Antonio Attini à swissinfo.

As coberturas das casas servem de moldura para as cúpulas das igrejas. A observação dos velhos centros históricos se transforma em exercício de geometria. Volumes dão formas a uma arquitetura inusitada. Quando os telhados viram "fachadas', um ângulo diferente se apresenta. Um novo mundo se descortina e a aparente miniatura de seus componentes traz para a cena a grande complexidade da vida nas cidades e a concentração demográfica da população helvética.

A malha urbana surge em meio a uma natureza, ao mesmo tempo preservada e transformada pelas mãos deste mesmo homem consciente do seu papel e de suas ações para as gerações futuras. Cidades como Zurique, Basiléia e Genebra são exploradas do alto com atenção. O contraste do vermelho dos telhados com o verde dos bosques e dos parques cria um quadro pictórico e real do equilíbrio da ocupação do solo, sem a voragem do concreto armado. 'Foi uma surpresa para mim encontrar pequenos centros históricos que muito se parecem com os burgos medievais italianos", comentou Antonio Attini.

Transformação helvética

A dois mil metros de altitude, a espuma do rio se transforma numa pincelada que transmite ao leitor a idéia do fluxo, da vazão, do movimento. Assim, ate as águas das comportas que abastecem as torneiras e as bicas dos suíços ganha matizes de cores azuis e verdes impensáveis para quem as vê ao nível do chão. As mesmas sensações provocam as sombras escuras que escorrem sobre a neve registrando a passagem do vento.

As teleobjetivas Canon e Hassemblad de Antonio Attini enquadram os aglomerados urbanos e revelam, mesmo à grande distância, o funcionamento da infra-estrutura que suporta a existência de vida nos grandes e pequenos centros habitados. Pontes, viadutos, canais e calçadas resgatam e são testemunhos imóveis do desenvolvimento e do progresso de um lugar. "Não podíamos nos aproximar muito ao sobrevoar as cidades, já nos campos e nas montanhas isto não era um problema. Fiz mais de 700 fotografias", comenta Antonio Attini.

Na Suíça, a integração regional não significa colocar em marcha um processo de aculturação. E a algumas centenas e quilômetros acima do chão, pode-se ver claramente a preservação de patrimônios históricos helvéticos. Castelos e fortificações foram conservados como pérolas arquitetônicas. Pequenas aldeias de pastores perpetuam intactas as suas origens e hábitos, enfim, a sua cultura. Tudo registrado em fotos de tirar o fôlego.

Lá do alto também se vêem as transformações em curso. Hoje, as modernas construções e as grandes obras de infra-estrutura como os túneis e as ferrovias recortam, sem agredir, a paisagem suíça. Os parques industriais são templos de pesquisa sempre na vanguarda, nos mais variados campos.

Aos leitores da publicação Svizzera Emozioni dal Cielo, falta apenas apertarem o cinto e folhearem o livro. E cada página ter a possibilidade de reconhecer-se imerso num território rico em belezas naturais e em presença humana. As raízes aéreas da Confederação Helvética nascem no chão e terminam nos confins do horizonte.

swissinfo, Guilherme Aquino, Milão

Pequena biografia

Antonio fotográficas realizadas na Europa, África, Ásia e América em várias revistas internacionais de viagens. Nos últimos anos ele se especializou em imagens aéreas, tendo fotografado várias localidades da Ámerica, Europa e África.
Seu livro custa 48 euros. Editora: Travel House Media, White Star

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