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Governos gastam quase US$ 10 trilhões com a crise

Esta foto da crise nos EUA venceu o prêmio Fotografia do Ano (World Press Photo) de 2008

(Keystone)

Os pacotes de salvamento de bancos e investimentos em programas econômicos planejados ou implementados em 37 países já somam 11,324 trilhões de francos suíços (9,682 trilhões de dólares).

Um levantamento inédito do jornal suíço NZZ am Sonntag mostra que isso corresponde a uma carga de 1.665 francos (1.422 dólares) por habitante do Planeta e é 100% mais do que toda a ajuda ao desenvolvimento.

Para uma família suíça com quatro pessoas, isso já seria um osso duro de roer: "os 6.660 francos corresponde quase exatamente à renda média mensal. Um pai de família na Somália não conseguiria ganhar essa quantia em toda a sua vida", compara o semanário.

O jornal usa ainda outro exemplo para tentar ilustrar a dimensões inimagináveis das medidas de salvamento da economia: investimentos planejados ou implementados, créditos e garantias estatais.

Uma casa de US$ 1,2 milhão

"Se os recursos de todas as medidas fossem repartidos para a população suíça, cada um dos 7,5 milhões de habitantes do país poderia construir uma casa no valor de 1,4 milhão de francos (US$ 1,2 milhão)."

O jornal fez o cálculo com a ajuda de grandes bancos suíços e internacionais. Foram somadas as medidas tomadas ou anunciadas em 37 países mais 45 bilhões de francos da União Europeia (UE). Quarenta por cento dos custos recaem sobre os EUA, o epicentro da crise. Não há informações sobre pacotes de salvamento de países africanos.

O que mais impressiona na reportagem do NZZ am Sonntag é a seguinte comparação: "11,324 trilhões – isso são 100% mais do que os países industrializados gastam anualmente com a ajuda ao desenvolvimento. E são 18% do Produto Social Bruto global de 2007."

Esses cálculos, admite o jornal, são conservadores. O custo real dos pacotes pode ser ainda mais elevado. O governo dos EUA apresentou na semana passada um plano de salvamento dos bancos de US$ 2 trilhões, além do pacote conjuntural de US$ 838 bilhões aprovado pelo Congresso de bilhões de dólares injetados em bancos capengas no ano passado.

Segundo uma estimativa feita pelo jornal New York Times, os planos de salvamento dos bancos dos EUA, em caso extremo, poderão custar US$ 8,8 trilhões, portanto, o triplo dos valores anunciados oficialmente até agora.

E a China lançou um pacote de US$ 586 bilhões para a economia. Diante disso, os pacotes europeus são relativamente modestos, à exceção da Alemanha que já deu ajuda e garantias de US$ 612 bilhões aos bancos.

Ajuda a fundo perdido?

O caso alemão é um dos que levantam dúvidas se o dinheiro usado para salvar os bancos um dia voltará aos cofres públicos. Por isso, o país já discute abertamente um eventual controle estatal do banco Hypo Real Estate, que tem um valor de mercado de apenas 280 milhões de euros, mas já recebeu ajudas e garantias no valor de 102 bilhões de euros desde outubro passado.

Isso é mais do que cinco vezes o valor dos planos econômicos lançados pelos países sulamericanos em decorrência da crise: no valor total de 50 bilhões de francos (US$ 42,6 bilhões). O Brasil até agora renunciou a um pacote emergencial.

Estratégias divergem

As estratégias de combate à crise variam de país para país. Enquanto a França, por exemplo, injeta bilhões de euros na indústria automobilística, a Inglaterra tenta aquecer a demanda interna e baixa o imposto de valor agregado de 17,5% para 15%.

A Itália anunciou no ano passado um pacote conjuntural de 120 bilhões de francos (agora reduzido a 100 bilhões), mas a metade desses recursos vem de programas de fomento da UE.

Entre os 37 países analisados, a Suíça mobiliza um volume de recursos relativamente pequeno – 46 bilhões de francos para o salvamento de bancos e 1 bilhão para investimentos na economia.

A ajuda bancária também causa polêmica entre os helvéticos. Tanto o Partido Socialista quanto a União Democrática de Centro (UDC, sigla nacionalista-conservadora) defendem mais controle estatal sobre o UBS, maior banco do país, depois que este foi socorrido com dinheiro dos contribuintes.

Portugal comprometeu ainda menos dinheiro público do que a Suíça para combater a crise. São 36 bilhões de francos para salvar instituições financeiras e 3 bilhões (2,2 bilhões de euros) dar um empurrão à economia e proteger as empresas nacionais.

swissinfo (com dados do NZZ am Sonntag)

A conta da crise

Gastos por país/região: total do socorro a bancos e programas de estímulo à economia (em bilhões de dólares)

EUA: 3.697
Alemanha: 716,5
Irlanda: 631,5
China: 586,5
Reino Unido: 571,2
Japão: 524,4
França: 492,1
Rússia: 430,1
Escandinávia: 345,9
Holanda: 310,2
Espanha: 254,1
Áustria: 129,2
Coréia do Sul: 120,7
Leste Europeu*: 95,2
Canadá: 91,8
Itália: 85
América do Sul*: 42,5
Suíça: 39,9
Grécia: 35,7
Portugal: 33,1
Austrália: 32,3
Sudeste Asiático*: 32,3
Bélgica: 19,5

Leste Europeu*: Polônia, Eslovênia, Sérvia, Romênia, Ucrânia e Belarus
América do Sul*: Argentina, Brasil e México
Sudeste Asiático*: Tailândia, Índia e Paquistão

Fonte: NZZ am Sonntag
(conversão em dólar pelo câmbio de 17/2/09: 1 CHF = US$ 0,85)

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