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A candidata democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, em Kent, Ohio, no dia 31 de outubro de 2016

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Afetada por um novo episódio do caso dos e-mails oficiais recebidos e enviados de um servidor particular, a candidata democrata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, recorreu nesta segunda-feira ao argumento da ameaça que representaria alguém como Donald Trump no controle do arsenal nuclear dos EUA.

"Imaginem o Salão Oval em meio a uma verdadeira crise. Imaginem entrarmos em uma guerra porque alguém o contrariou. Espero que pensem nisto quando colocarem seu voto na urna", declarou Clinton em um comício em Cincinatti, Ohio, um dos Estados democratas sob a ameaça de conquista dos republicanos.

Clinton citou o apoio que obteve de dez ex-oficiais encarregados do lançamento de mísseis balísticos nucleares, que escreveram uma carta aberta contra Donald Trump. Um deles, Bruce Blair, participou de um comício com a candidata democrata em Kent.

Hillary Clinton reagiu assim às declarações de Trump de que uma eventual vitória da ex-secretária de Estado nas eleições de 8 de novembro mergulhará os Estados Unidos em uma severa "crise constitucional".

"Ela não está preparada, nem qualificada para ser presidente dos Estados Unidos. Sua eleição afundará nosso governo e nosso país em uma crise constitucional que não podemos enfrentar", disse Trump em um ato em Michigan.

O estado de Michigan é tradicionalmente favorável aos democratas e até a semana passada, Hillary tinha uma vantagem de cinco pontos percentuais nas pesquisas.

Por isso, Trump decidiu investir esforços neste estado, com a esperança de tirar proveiro da nova controvérsia sobre a investigação do FBI sobre os e-mails da ex-secretária de Estado.

O anúncio, na sexta-feira passada, sobre a decisão do FBI de investigar novos e-mails que poderiam estar relacionados com a ex-secretária de Estado alteraram de forma dramática a dinâmica e a retórica desta última semana de campanha.

"Nesta semana ela deveria estar se preparando para dar a volta olímpica. Ao contrário, é forçada a fazer um enorme esforço para evitar a tempestade", disse à AFP o analista Larry Sabato, professor da Universidade de Virgínia.

No entanto, uma pesquisa divulgada nesta segunda pelo site especializado Politico atribuiu a Hillary 42% das intenções de voto contra 39% para Trump.

Outra pesquisa realizada pela NBC News/SurveyMonkey situou Hillary com uma vantagem de seis pontos percentuais em nível nacional, uma cifra que se manteve inalterada desde a semana passada.

Nos resultados desta consulta semanal, Clinton aparece com 47% das intenções de voto contra 41% para Trump.

Uma carta e uma tempestade

Nesta segunda, Hillary Clinton disse que não há nada a ser encontrado na revisão de seus e-mails, anunciada pelo diretor do FBI, sacudindo os últimos dias da campanha presidencial.

"Agora eles aparentemente querem analisar os e-mails de um dos membros da minha equipe e eles devem de toda forma fazê-lo", disse Hillary.

"Estou certa que chegarão à mesma conclusão a que chegaram quando analisaram meus e-mails no ano passado", prosseguiu.

"Não há nada aqui", declarou a centenas de apoiadores, que a aplaudiram durante um comício em Kent, Ohio, um estado-chave na disputa pela Casa Branca.

O diretor do FBI, James Comey, enviou nesta sexta-feira uma carta ao Congresso na qual informa sobre a descoberta de novos e-mails que poderiam estar relacionados com a investigação sobre o uso que Hillary fez de um servidor privado quando comandava o Departamento de Estado.

Assim, o republicano Comey tornou-se o centro de uma espetacular tempestade política, da qual Trump busca tirar toda vantagem possível.

No entanto, para além da barulhenta polêmica gerada pelo anúncio de Comey, o concreto é que ainda não está completamente claro até que ponto o caso fez a balança pender entre os eleitores faltando pouco mais de uma semana para as eleições.

Nesta segunda-feira, a coordenadora de campanha de Trump, Kellyanne Conway, disse à rede CBS que a campanha de Hillary repentinamente se enrolou.

"Eu acredito que eles não estavam preparados para a possibilidade de que a campanha desse uma guinada como a que deu", disse.

Embora Hillary mantenha vantagem nos estados mais importantes e uma sutil dianteira em nível nacional, recentes pesquisas indicam uma tendência ao equilíbrio na disputa.

Por exemplo, uma pesquisa de opinião da emissora ABC News e do jornal The Washington Post divulgada antes do explosivo anúncio do FBI atribuiu a Hillary uma vantagem sobre Trump de apenas um ponto percentual em nível nacional, uma diferença inferior à margem de erro.

Luta voto a voto

Hillary manteve no fim de semana sua intensa campanha na Flórida, outro estado fundamental, onde ela e Trump gastaram quase cem milhões de dólares em propaganda política na televisão.

Recentes pesquisas indicam que até o momento 22 milhões de americanos já votaram.

Enquanto Hillary e Trump continuam à caça de votos, a discussão política se concentrava nesta segunda-feira em Comey, em sua explosiva carta de sexta-feira e em como interpretar seu gesto.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse que a Presidência americana se negava a "criticar ou defender" Comey.

Há quatro anos, Obama nomeou o republicano Comey à frente do FBI em um gesto que foi interpretado como uma tentativa de abrir a porta ao diálogo com o Partido Republicano.

Enquanto isso, o ex-procurador-geral americano Eric Holder emitiu nesta segunda uma nota na qual destacou que Comey cometeu um "grave erro".

Comey "é um bom homem, mas cometeu um grave erro". "Sua decisão foi incorreta. Violou normas do Departamento de Justiça estabelecidas há muito tempo" sobre investigações na época de eleições, destacou.

Segundo a imprensa americana, os e-mails que são investigados agora pelo FBI foram encontrados em um computador portátil utilizado por Huma Abedin, assessora de Hillary Clinton há vários anos, e seu ex-marido, Anthony Weiner.

Weiner era legislador, mas teve que renunciar em 2011 quando se revelou que enviou mensagens e fotos de forte teor sexual a uma menor de 15 anos e foi submetido a investigação.

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