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Hotelaria


Descobrimentos portugueses inspiram sonho suíço


Por Luís Guita, Algarve, Portugal


Há quase 40 anos, Urs Wild deixou-se fascinar pela hipótese de ver culturas diferentes e trocar ideias com outras sociedades. A paixão pelo mundo da hotelaria levou-o num trajeto profissional que começou na Suíça natal e passou por Inglaterra, França, Estados Unidos e Brasil. No Brasil, trabalhou em São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia.

O Cascade Resort, no Algarve. ()

O Cascade Resort, no Algarve.

A chegada a Portugal acontece em 1985 na Ilha da Madeira. Cinco anos depois, no Algarve, criou o seu primeiro espaço hoteleiro, o Romantik Hotel Vivenda Miranda, o único RomantiK Hotel em toda a Península Ibérica. Depois fez nascer a Quinta das Barradas, um espaço de turismo rural “para famílias com crianças.”

Cascade Resort é a mais recente criação de Urs Wild, o empresário hoteleiro que saiu de Zurique e se deixou inspirar pelas paisagens “fascinantes” que conheceu em Lagos  para, com persistência, paixão e dedicação, realizar o sonho de construir espaços de referência no mundo da hotelaria de cinco estrelas.

100 milhões de euros para bem receber

Instalado num local histórico do Algarve, a Ponta da Piedade, com 38 hectares e quase dois quilómetros de frente-de-mar, o conceito Cascade Resort surgiu a Urs Wild quando admirava a espetacular paisagem e olhava o mar. “Quando se olha daquela terra para o mar, olha-se para África, olha-se para a América do Sul, olha-se também para o caminho que os portugueses fizeram em torno de África para chegar à Ásia. Achei isto fascinante e fizemos um hotel onde a decoração e a comida têm a influência dos vários continentes.”

 Apesar das muitas batalhas que teve de travar ao longo de 12 anos com a burocracia portuguesa, até poder “abrir a porta”, o empresário suíço nunca baixou os braços. Manteve-se focado no objetivo, promoveu um investimento de quase 100 milhões de euros e hoje oferece um Resort de cinco estrelas que é referência mundial.

 Motivo de “muita alegria” para Urs Wild é o facto de ter conseguido “colocar no mercado um produto fantástico, mas pequeno.” Um Hotel de cinco estrelas, “lindíssimo, com 86 quartos, restaurantes, spas, com um conceito bem idealizado, que demonstra, também, um pouco da história de Portugal.”

Embaixadores desportivos

Para ajudar a fazer face à sazonalidade do turismo algarvio, Urs Wild apostou no desporto e  criou uma academia onde os atletas dispõem do mais avançado equipamento para a prática desportiva. E, um facto é que o espaço já se tornou uma referência do mundo desportivo ao mais alto nível.

Sven-Göran Eriksson, treinador de futebol, Stefan Edberg, antigo número 1 mundial em ténis, e Julia Görges, jogadora de ténis a competir no circuito WTA, são referências internacionais do desporto de alta competição que, reconhecendo o valor das instalações do Resort, tornaram-se os embaixadores desportivos do Cascade.

 Com quadras de ténis, academia de golfe para a prática do short game e dois campos de futebol FIFA, o espaço é procurado, entre outros, por clubes de futebol que disputam a Liga dos Campeões e  seleções de futebol que se preparam para disputar o Mundial 2014, no Brasil. “Ainda não posso dizer o nome, mas temos duas selecções que na próxima primavera querem fazer aqui a sua preparação para a Copa no Brasil”, revela, com orgulho, Urs Wild.

Cascade procurado por investidores internacionais

Para além da vertente turística, com um serviço de hotel, o Cascade está estruturado de maneira a oferecer aos interessados a possibilidade de aquisição de apartamentos e moradias dentro do espaço do Resort, seguindo o conceito de lease-pack. O proprietário adquire os imóveis, “nós fazemos a gestão epagamos uma renda para rentabilizar o investimento da pessoa que comprou,” esclarece Urs Wild, que adianta: “E têm os benefícios pessoais, podem vir 6 semanas por ano e ficar cá sem pagar nada. Compram o apartamento ou villa e usufruem dos serviços que o Resort oferece, como se fossem um cliente.”

Dado que a difícil situação económica que Portugal atravessa faz com que seja complicado atrair investidores nacionais, apesar de ser o momento de grandes oportunidades, muitos procuram fazer negócios com investidores  dos países de Leste, da China ou da India. Contudo, Urs Wild continua a preferir “apostar um pouco mais nos nossos mercados tradiocionais, como Inglaterra, Alemanha, Escandinávia,  Suíça, e Estados Unidos, que descobrem outra vez Portugal como destino de excelência.”

“Tudo o que foi vendido, foi para o mercado internacional.  Temos ingleses, alemães, famílias do Luxemburgo. Infelizmente ainda não consegui um compatriota a comprar-nos” revela Urs Wild, e avança com uma ponta de humor: “os suíços são um pouco tensos para gastar no estrangeiro, e nós sabemos disso. Eles preferem ir buscar (o dinheiro), para guardar, em vez de virem cá e investir. Mas talvez ainda venhamos a conseguir. Vamos ver.”

swissinfo.ch



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