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Combatentes rebeldes e suas famílias deixam bairro de Waer

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Centenas de rebeldes e civis começaram a ser evacuados neste sábado do bairro de Waer, último reduto dos insurgentes na cidade síria de Homs (centro), controlada quase em sua totalidade pelo regime, constatou a AFP.

A evacuação, cujo objetivo é a saída de milhares de rebeldes e de suas famílias, durará várias semanas, segundo um acordo concluído na semana passada entre o regime e a rebelião sob a supervisão da Rússia, principal aliada de Damasco.

Soldados e veículos russos estavam presentes nas imediações de Waer na manhã deste sábado quando a evacuação começou, constatou um correspondente da AFP.

Segundo o acordo, tropas russas (entre 60 e 100 homens) devem ser mobilizadas no bairro para supervisionar a aplicação do acordo e a segurança dos habitantes.

Um jornalista da AFP constatou a saída de Waer de ao menos três ônibus verdes com dezenas de combatentes a bordo, cada um deles levando uma arma, e de civis, entre eles muitas crianças.

Entre 400 e 500 rebeldes precisam ser evacuados de Waer neste sábado, segundo uma fonte oficial.

A operação permitirá que o regime do presidente Bashar al-Assad consiga controlar totalmente a terceira cidade da Síria, conhecida como "a capital da revolução" no início da revolta em 2011, quando foram registradas manifestações pacíficas em massa contra o governo.

A maioria dos rebeldes foram expulsos da cidade em 2014, após dois anos de intensos bombardeios e de um cerco asfixiante por parte das tropas governamentais.

O bairro, seguiu, no entanto, em mãos rebeldes.

Nos últimos meses, intensos ataques aéreos mataram dezenas de pessoas, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). De acordo com esta ONG, 12.000 pessoas, incluindo 2.500 rebeldes, precisam abandonar Waer após o acordo.

Estes evacuados provavelmente se dirigirão ao norte da província de Homs, em Jarablos, à província setentrional de Aleppo, ou à região de Idlib, último grande reduto dos rebeldes.

O conflito sírio entrou nesta semana em seu sétimo ano de vida, depois de ter começado no dia 15 de março de 2011 com protestos pacíficos que foram reprimidos com violência, não tardando em se transformar em uma insurreição contra o regime do presidente Bashar al-Assad.

Com o passar do tempo, o conflito se tornou cada vez mais complexo, com o envolvimento de extremistas islâmicos e a intervenção de potências regionais e internacionais.

Em seis anos, a guerra deixou mais de 320.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados.

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